quarta-feira, agosto 25, 2010
terça-feira, agosto 17, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada VIIII
Aquelas palavras ecoam-me ainda na minha humilde cabecinha (...)
-Sabem?! Ontem estive com a Palmira.
-OHHH, então? (em coro)
-Nem sabem o que aconteceu!
-Conta!... (em coro)
-Estive com a Palmira, e...
-Foi?! E?... (em coro)
-Nus!
-Nus?!... (em coro)
-Sim, e foi muita bom, até deitei... Sabem?... Não sabem?!
-Ah vieste-te? - diz um ou uma mais esclarecido ou esclarecida.
-Vieste-te?! (em coro)
-Sim, vim a pé, como é normal, o meu pai tem o carro na oficina.
-(riso geral) Ah! Ah! Manganão, conta lá, não disfarces - diz o mais esclarecido.
-Sim, sim pois claro e depois, sabem, foi sempre a abrir.
-E a Palmira? (pergunta geral)
Aquela conversa foi para mim tão absurda, que ainda hoje tento perceber o tipo, tentar tento, mas não consigo!
É óbvio que eu naquela altura, até demorava a carburar, a pensar no assunto,realmente a perceber o que acabava de ser dito ali. Fartei-me de gozar o pagode, tipo cá de trás da multidão, e se era uma multidão estava mesmo muita gente, a escola quase em peso... Olha então quando o assunto era uma menina, nem queiram saber!
Eles,para saberem pormenores, elas para poderem ter trunfos contra a concorrência,ali valia tudo, aliás se há sítio competitivo para o qual nós não estamos preparadas é o Secundário, vi-me e desejei-me, mas sobrevivi. Da fama daquele energúmeno é que não me safei, mas naquela tarde e perante aquela assembleia, eu mandei umas bocas valentes:
-Então Garanhão há gaja!?
Eu cá de trás, escondida em tom provocador, muito mesmo.
-Era perfeita, umas mãos magníficas.
-Porquê és manicura, arranjaste-lhe as unhas?
-Pois, pois...
Dequem não tem resposta, e o sorriso amarelo, só visto.
-E descobriste-lhe o ponto G?
Estafoi para o matar, ainda hoje me rio da resposta dele.
-Sim, sim, estava difícil de o tirar, mas consegui. Aqueles cintos da Gucci sãomesmo difíceis, mas têm aquele pontinho em cima do "G" ...
Alie acolá ouviram-se umas gargalhadas estridentes, claro só mesmo algumas miúdas perceberam a pergunta e entenderam a cretinice e imbecilidade da resposta.
-Tocaste-lhe o clítoris?
Esta ainda foi mais maldosa!
-Sim toquei, ainda tentei tocar Led Zeppling, mas ela odeia música pesada.
-Tentasses uma música mais levezinha.
-Pois, não tentei, devia?! É que eu só tenho olhos para a Palmira...
Já não me lembro bem do resto, sei que me ri... que chorei a rir, acho que me mijei a rir e que andei muito divertida, super divertida o resto da tarde, só quedepois comecei a sentir aqueles olhares de, como explicar... um misto dedesaprovação e de heroína, mas também um misto de desavergonhada com tarada sexual. E comecei a tomar as proporções da coisa, já era mesmo coisa pública e começou a remoer, a remoer, uma moinha nesta minha humilde cabeça... A cólera e araiva começaram a tomar conta de mim e isto numa rapariga de 14 anitos,imaginem!
É...Eu tinha os meus defeitos, como toda a gente, era traquina, mas tinha alguma consciência e, aquilo, aquela história começou a cair-me muito mal, a provocar azia e de que maneira.
A caminho de casa, não como sempre, evitei ir com o Pilitas e com o Vasco, fui a matutar na vingança, como havia de me vingar. Pensei em quase tudo, até empurrá-lo do alto do nosso prédio, mas coitadas das pedras da calçada!
Ao virar a esquina... vi, ao fundo da rua, a conversar, o Pilitas e o Vasco. Eles estavam de costas para a entrada do prédio. Achei que aquele era o momento e não me ocorria nada... É que não me lembrava de nada, estava bloqueada. Ali antes do prédio havia e há uma loja de electrodomésticos que é do Tio do Pilitas, ali, na zona da porta costuma estar sempre e naquele dia não foi excepção, uma pequena exposição dos produtos da loja. A única coisa que se pegou à minha mão e com uma boa base de lançamento foi uma daquelas panelas de pressão com uma pega grande tipo frigideira, ora a tampa parecia mesmo à medida dos meus intentos. Escapuli-me para dentro do prédio, sem me verem, foi difícil, mas consegui ficar transparente tal era aminha raiva. Quando eles entraram só me lembro que ainda travei o meu ímpeto a tempo de... porque... pois porque se não tinha sido a minha desgraça.
Travei a tempo, salvo seja, a "carrapeta" em ferro, com o balanço, saltou e pimba, 6 pontos no toutiço... A partir desse dia, conversas com ele nunca mais, claro sócom o advogado da minha mãe como nos filmes. A verdade é que nunca mais conversei com ele, também é verdade, que nunca o perco de vista, nem posso! Há entre nós um misto de Amor-Ódio, uma química infernal, sei que ele também tem o mesmo sentimento, também sei, das peripécias que faz quando anda mais nostálgico... Não... não são essas, de falar alto pelos corredores e pelo prédio quando sente a minha aproximação, começar a dizer disparates para ter a minha atenção, diz cada coisa mais ridícula... No outro dia, eu nem me lembro bem,aliás, eu... eu mesma até fico envergonhada, mas disse uma patacoada do género...quase que pareciam duas, tipo a falar sozinho, como os malucos, uma conversa de surdos, mais de malucos... assim, mais ou menos... - Meu Deus porque me fizeste tão belo?
Ou então:
-Não sei se estou farto de ser belo, se estou farto de ser loiro.
Claro que deve estar belo, ele é moreno até à quinta casa e de belo só se for um belo cabaz de cornos, isso sim, isso é que é beleza.
Apeteceu-me

"Apenas por uma vez descobri que havia outras vezes para olhar a vida" Charles de la Folie
-Sabem?! Ontem estive com a Palmira.
-OHHH, então? (em coro)
-Nem sabem o que aconteceu!
-Conta!... (em coro)
-Estive com a Palmira, e...
-Foi?! E?... (em coro)
-Nus!
-Nus?!... (em coro)
-Sim, e foi muita bom, até deitei... Sabem?... Não sabem?!
-Ah vieste-te? - diz um ou uma mais esclarecido ou esclarecida.
-Vieste-te?! (em coro)
-Sim, vim a pé, como é normal, o meu pai tem o carro na oficina.
-(riso geral) Ah! Ah! Manganão, conta lá, não disfarces - diz o mais esclarecido.
-Sim, sim pois claro e depois, sabem, foi sempre a abrir.
-E a Palmira? (pergunta geral)
Aquela conversa foi para mim tão absurda, que ainda hoje tento perceber o tipo, tentar tento, mas não consigo!
É óbvio que eu naquela altura, até demorava a carburar, a pensar no assunto,realmente a perceber o que acabava de ser dito ali. Fartei-me de gozar o pagode, tipo cá de trás da multidão, e se era uma multidão estava mesmo muita gente, a escola quase em peso... Olha então quando o assunto era uma menina, nem queiram saber!
Eles,para saberem pormenores, elas para poderem ter trunfos contra a concorrência,ali valia tudo, aliás se há sítio competitivo para o qual nós não estamos preparadas é o Secundário, vi-me e desejei-me, mas sobrevivi. Da fama daquele energúmeno é que não me safei, mas naquela tarde e perante aquela assembleia, eu mandei umas bocas valentes:
-Então Garanhão há gaja!?
Eu cá de trás, escondida em tom provocador, muito mesmo.
-Era perfeita, umas mãos magníficas.
-Porquê és manicura, arranjaste-lhe as unhas?
-Pois, pois...
Dequem não tem resposta, e o sorriso amarelo, só visto.
-E descobriste-lhe o ponto G?
Estafoi para o matar, ainda hoje me rio da resposta dele.
-Sim, sim, estava difícil de o tirar, mas consegui. Aqueles cintos da Gucci sãomesmo difíceis, mas têm aquele pontinho em cima do "G" ...
Alie acolá ouviram-se umas gargalhadas estridentes, claro só mesmo algumas miúdas perceberam a pergunta e entenderam a cretinice e imbecilidade da resposta.
-Tocaste-lhe o clítoris?
Esta ainda foi mais maldosa!
-Sim toquei, ainda tentei tocar Led Zeppling, mas ela odeia música pesada.
-Tentasses uma música mais levezinha.
-Pois, não tentei, devia?! É que eu só tenho olhos para a Palmira...
Já não me lembro bem do resto, sei que me ri... que chorei a rir, acho que me mijei a rir e que andei muito divertida, super divertida o resto da tarde, só quedepois comecei a sentir aqueles olhares de, como explicar... um misto dedesaprovação e de heroína, mas também um misto de desavergonhada com tarada sexual. E comecei a tomar as proporções da coisa, já era mesmo coisa pública e começou a remoer, a remoer, uma moinha nesta minha humilde cabeça... A cólera e araiva começaram a tomar conta de mim e isto numa rapariga de 14 anitos,imaginem!
É...Eu tinha os meus defeitos, como toda a gente, era traquina, mas tinha alguma consciência e, aquilo, aquela história começou a cair-me muito mal, a provocar azia e de que maneira.
A caminho de casa, não como sempre, evitei ir com o Pilitas e com o Vasco, fui a matutar na vingança, como havia de me vingar. Pensei em quase tudo, até empurrá-lo do alto do nosso prédio, mas coitadas das pedras da calçada!
Ao virar a esquina... vi, ao fundo da rua, a conversar, o Pilitas e o Vasco. Eles estavam de costas para a entrada do prédio. Achei que aquele era o momento e não me ocorria nada... É que não me lembrava de nada, estava bloqueada. Ali antes do prédio havia e há uma loja de electrodomésticos que é do Tio do Pilitas, ali, na zona da porta costuma estar sempre e naquele dia não foi excepção, uma pequena exposição dos produtos da loja. A única coisa que se pegou à minha mão e com uma boa base de lançamento foi uma daquelas panelas de pressão com uma pega grande tipo frigideira, ora a tampa parecia mesmo à medida dos meus intentos. Escapuli-me para dentro do prédio, sem me verem, foi difícil, mas consegui ficar transparente tal era aminha raiva. Quando eles entraram só me lembro que ainda travei o meu ímpeto a tempo de... porque... pois porque se não tinha sido a minha desgraça.
Travei a tempo, salvo seja, a "carrapeta" em ferro, com o balanço, saltou e pimba, 6 pontos no toutiço... A partir desse dia, conversas com ele nunca mais, claro sócom o advogado da minha mãe como nos filmes. A verdade é que nunca mais conversei com ele, também é verdade, que nunca o perco de vista, nem posso! Há entre nós um misto de Amor-Ódio, uma química infernal, sei que ele também tem o mesmo sentimento, também sei, das peripécias que faz quando anda mais nostálgico... Não... não são essas, de falar alto pelos corredores e pelo prédio quando sente a minha aproximação, começar a dizer disparates para ter a minha atenção, diz cada coisa mais ridícula... No outro dia, eu nem me lembro bem,aliás, eu... eu mesma até fico envergonhada, mas disse uma patacoada do género...quase que pareciam duas, tipo a falar sozinho, como os malucos, uma conversa de surdos, mais de malucos... assim, mais ou menos... - Meu Deus porque me fizeste tão belo?
Ou então:
-Não sei se estou farto de ser belo, se estou farto de ser loiro.
Claro que deve estar belo, ele é moreno até à quinta casa e de belo só se for um belo cabaz de cornos, isso sim, isso é que é beleza.
Apeteceu-me

"Apenas por uma vez descobri que havia outras vezes para olhar a vida" Charles de la Folie
terça-feira, agosto 10, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada VII
O que me está neste momento a irritar… a verdade é que a dor de cabeça continua sem parar e eu sem saber o que a “velhota” anda a fazer por aí, com um envelope na mão e toda sorridente… Raios que me partam a mim e ao que me atormenta, há dias em que só me apetece desaparecer, para falar a sério, agora apetecia-me mesmo era estar numa igreja vazia, sem ninguém, de olhos fechados, sem ouvir nada a não ser aquele silêncio profundo, dá-me a calma suficiente para…?! É fenomenal, pouca gente, claro que pouca gente sabe, e porque havia de saber o que eu vou fazer à igreja! Devem pensar que eu vou pedir aos anjinhos ajuda divina para qualquer coisa…tipo os exames, mas não?! Claro que não… vou lá em busca de calma, três quilos de calma e quatro quilos de concentração… é uma boa fórmula, uma óptima fórmula de descompressão e descontracção e alguma estupidez natural.
Depois de uma porrada de anos a estudar… aqui estou eu feita parva, deitada na minha cama, pois de quem havia de ser, claro que sei de quem podia, até tenho uma boa lista de possíveis “gajos de a quem a dita cama poderia pertencer, mas… estou aqui na “minha”, como uma colegial à procura do prazer divino, ou será divinal? Pior, só mesmo estar com uma pancada na cabeça, que nem vejo, e ainda por cima desempregada, mas isso não importa grande Merda, não é que me possa queixar, não me falta grande coisa, mas… Pois é, por vezes, é um tédio, uma pessoa às vezes está no sofá e já não sabe em que posição deve estar, nem paciência, nem nada. Lembro-me do Ricardo, mais conhecido por RICHARD OSBORNE, era um dos gurus do meu curso de Sociologia: “A Sociologia explica o que parece óbvio a pessoas que pensam que é simples, mas que não compreendem quão complicado é realmente”. Este gajo sabia da coisa…
Estão a ver o dilema, onde estou metida nos meus pensamentos?! Qual dilema, eu digo que é um trilema! Estes meus pensamentos vão muito além do que se pode pensar, chegam por vezes ao absurdo do intelectual. Para quem pensa que eu sou uma menina fútil, gosto, adoro que essa seja a minha imagem de marca, gosto de a cativar à futilidade claro, às vezes assusta e dá muitas surpresas a quem não me conhece, grandes perturbações para assim dizer. Que o diga a Dra. Mónica, a psiquiatra que mora aqui no prédio, a senhora pensa ou deve pensar que eu sou parva, deve mesmo pensar que eu não sei, pois deve, ai deve deve… que eu não sei o que o Vasco andou por lá a fazer nas suas consultas! Foi, até parece que eu não conheço o “animal”, e mesmo que não o conhecesse… A maneira como ela o olha, há sempre outra hipótese e das duas uma, ou é fufa, ou o Vasco foi com aquela conversa da treta que andou a espalhar por aí há uns anos, espero que ele tenha aprendido com aquela pancada de 6 pontos e que me custou muita coisa, e mulher perdida por cem, perdida por mil, é o que se diz e acho que é bem verdade.
Mas eu sei lá, custou-me muita coisa boa na vida, entre elas custou-me muitas noites perdidas a pensar nele. Mas, mas… mais um mas e mais um… mas a Dra. deve pensar que eu sou parva, e mesmo que fosse, mesmo que eu fosse parva, tenho sempre um aliado de peso um excelente aliado, o meu grande amigo Pilitas que me conta tudo. Ah! Pois é! Sei que foi ela que o desvirginou, não ao Pilitas, mas ao Vasco, pois claro, deve ter sido bonito deve, ela com aquele ar sabido com os óculos a caírem-lhe pelo nariz, aquele cabelo apanhado com um lápis atrás, estou a ver o filme!
Às vezes vejo mesmo filmes, filmes de mais até! O que é certo é que não sei se o que sinto por ele é amor ou se é ódio. Ele deve pensar que eu ainda sou aquela “parvinha” como no dia em que foi contar aquelas histórias para a escola, onde reuniu meio mundo e contou aquelas alarvadas sobre mim. Ainda um dia gostava de perceber e entender o que é que realmente se passou naquela cabeça, naquela cabecinha tresmalhada, não sei se isso vai acontecer algum dia.
Apeteceu-me

"Nem sempre encontramos o que procuramos, porque estamos demasiados ocupados em não achar..." Charles de la Folie
Depois de uma porrada de anos a estudar… aqui estou eu feita parva, deitada na minha cama, pois de quem havia de ser, claro que sei de quem podia, até tenho uma boa lista de possíveis “gajos de a quem a dita cama poderia pertencer, mas… estou aqui na “minha”, como uma colegial à procura do prazer divino, ou será divinal? Pior, só mesmo estar com uma pancada na cabeça, que nem vejo, e ainda por cima desempregada, mas isso não importa grande Merda, não é que me possa queixar, não me falta grande coisa, mas… Pois é, por vezes, é um tédio, uma pessoa às vezes está no sofá e já não sabe em que posição deve estar, nem paciência, nem nada. Lembro-me do Ricardo, mais conhecido por RICHARD OSBORNE, era um dos gurus do meu curso de Sociologia: “A Sociologia explica o que parece óbvio a pessoas que pensam que é simples, mas que não compreendem quão complicado é realmente”. Este gajo sabia da coisa…
Estão a ver o dilema, onde estou metida nos meus pensamentos?! Qual dilema, eu digo que é um trilema! Estes meus pensamentos vão muito além do que se pode pensar, chegam por vezes ao absurdo do intelectual. Para quem pensa que eu sou uma menina fútil, gosto, adoro que essa seja a minha imagem de marca, gosto de a cativar à futilidade claro, às vezes assusta e dá muitas surpresas a quem não me conhece, grandes perturbações para assim dizer. Que o diga a Dra. Mónica, a psiquiatra que mora aqui no prédio, a senhora pensa ou deve pensar que eu sou parva, deve mesmo pensar que eu não sei, pois deve, ai deve deve… que eu não sei o que o Vasco andou por lá a fazer nas suas consultas! Foi, até parece que eu não conheço o “animal”, e mesmo que não o conhecesse… A maneira como ela o olha, há sempre outra hipótese e das duas uma, ou é fufa, ou o Vasco foi com aquela conversa da treta que andou a espalhar por aí há uns anos, espero que ele tenha aprendido com aquela pancada de 6 pontos e que me custou muita coisa, e mulher perdida por cem, perdida por mil, é o que se diz e acho que é bem verdade.
Mas eu sei lá, custou-me muita coisa boa na vida, entre elas custou-me muitas noites perdidas a pensar nele. Mas, mas… mais um mas e mais um… mas a Dra. deve pensar que eu sou parva, e mesmo que fosse, mesmo que eu fosse parva, tenho sempre um aliado de peso um excelente aliado, o meu grande amigo Pilitas que me conta tudo. Ah! Pois é! Sei que foi ela que o desvirginou, não ao Pilitas, mas ao Vasco, pois claro, deve ter sido bonito deve, ela com aquele ar sabido com os óculos a caírem-lhe pelo nariz, aquele cabelo apanhado com um lápis atrás, estou a ver o filme!
Às vezes vejo mesmo filmes, filmes de mais até! O que é certo é que não sei se o que sinto por ele é amor ou se é ódio. Ele deve pensar que eu ainda sou aquela “parvinha” como no dia em que foi contar aquelas histórias para a escola, onde reuniu meio mundo e contou aquelas alarvadas sobre mim. Ainda um dia gostava de perceber e entender o que é que realmente se passou naquela cabeça, naquela cabecinha tresmalhada, não sei se isso vai acontecer algum dia.
Apeteceu-me

"Nem sempre encontramos o que procuramos, porque estamos demasiados ocupados em não achar..." Charles de la Folie
terça-feira, agosto 03, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada VI
Éramos umas espertalhonas, por exemplo, lá o nosso grupinho, tínhamos tácticas infalíveis para saber quem eram os rapazes que gostavam de nós. Tenho vergonha de pensar no assunto, tenho? Não tenho nada, quer dizer… envergonho-me do que andei a fazer, mas passa, é coisa de pouca dura… dura que horror… Mas que resultava a nossa minha táctica, resultava, era tiro e queda, então era assim: montávamos guarda à porta da casa de banho dos rapazes e íamos ver as portas das retretes, os escritos, o que lá andava escrito, tipo “Vasco Love Palmira”, ou a “Virgindade da Palmira mora aqui”, coisas deste género e com uma fluência literária que metia dó, de uma prosa e de um português, sei lá, será que se pode dizer vernáculo ou cavernáculo?!? Mas houve lá, naquele sítio digno de um Cervantes ou de um Marquês de Sade, uns escritos ou uns dizeres… hummm fabulosos… nunca mais me esqueço:
“Eu fodi a Camarão Diaz!”
“Eu fodi a Inona Radar!”
“Eu fodi a Catarina Fortuna!”
“Eu fodi a Fernanda da Serra!”
E depois, por baixo, estava uma piada medonha escrita com letras quase garrafais ou seriam… pois… mas estava assim:
“Tu fodeste foi a parede toda ao homem!”
Apesar de tudo, nas paredes da casa de banho dos rapazes, no WC, é tão giro dizer isto, liam-se algumas coisas interessantes, mas verdade verdadinha e que seja dita, quem não se sentava naquelas retretes, ai, ai, era a filha do meu pai, essa é que não era de certeza absoluta. Eu não me sentava pelo nojo que era e eram de uma imundice vergonhosa e assustadora. Engraçado ou sem graça, nem sei o que pensar, muitas raparigas…pois, já me lembro, arre!... com esta coisa nem raciocinar direito consigo, perco-me… ah!… haviam de ver como pensavam muitas raparigas… Naquela altura, ainda hoje infelizmente, quando aparecia alguma rapariga grávida, geralmente, era por contágio, sim contágio, tipo infeccioso, era sempre por artes mágicas do acaso. Aliás, havia por aí muito incesto virtual claro, ou era na toalha da casa de banho, ou na banheira, familiar portanto!
Hoje rio-me com isso, tem mesmo uma certa piada como se pensava antigamente, era fantástico, o problema é que os nossos, pois os nossos pais alimentavam-nos essas ideias, eram planos divinais que nos engendravam. Hoje, olhando para trás, vejo os atentados que fizeram à minha inteligência, mas não foram os únicos. Só de pensar na falta de informação, é inenarrável, como nunca ouvi falar do assunto, penso que deviam fazer abortos a atirar pedras às cegonhas… Meu Deus!
A grande verdade!... Tudo naquele tempo era tabu… o aborto, a pílula, a própria menstruação, nem maionese podia fazer menstruada, só comigo engolir essa tretas, histórias desse género, mas a culpa, não era nossa, era dos nossos paizinhos que parece que viviam na pré-história. Chego a pensar, deveriam querer que acreditássemos ter nascido de geração espontânea. Para que era tanto tabu… tanta Merda à volta das coisas, parece que andavam a criar flores de estufa. O que é certo é que elas aconteciam e se aconteciam, pois claro e depois é que eram elas.
Tive sorte na mãezinha que me tocou, quanto ao paizinho nem vou falar. Se ele não consegue falar, porque terei eu de falar dele. Assim à primeira vista nunca me bateu, também não me lembro de ele bater na minha mãe, mas gritava que nem… nem sei bem, era um misto de corneta, com bombos misturados com o som duma locomotiva a vapor, qualquer coisa assim do género. Felizmente que o meu pai está por terras Africanas, está lá debaixo da terra, já há uns tempos que deixou de nos chatear e de nos aborrecer com os seus gritos tipo Tarzan do raio que o parta, foi-se de vez, tanto para mim como para a minha mãe, é um alívio.
A Dona Henriqueta às vezes, por vezes mas não muitas, ainda chora, isto quando se mete a ler as cartas que tem guardadas. Eu não tenho grandes saudades, nem grandes nem poucas, claro fiquei com um belo carro, tenho uma casa só para mim, tenho muita coisa, imensas coisas, mesmo muitas… se ele ainda aqui estivesse, bem tramada estava, tramada não, mas sem coisas e que coisas!
É claro que às vezes tenho saudades dele, mas também pensar que ele ganha uma nota lá nas minas de Diamantes, e que é certinho aqui ao fim do mês, é pena não ser em diamantes, mas enfim não se pode ter tudo… Já agora, lapidados e enfiados num belo colar, claro e o cuzinho lavado com água de rosas?! Hi! Hi! Hi!
Mas também, lembrar-me agora do meu pai é um bocado tétrico, afinal coitado do homem, anda lá fora a trabalhar para me sustentar, ou pior, anda lá fora a trabalhar para não estar aqui dentro a chatear e não me sustenta só a mim, sustenta também, pois sustenta os meus vícios, já que a mãe não tem nenhuns.

"As palavras por muita alma que tenham, nunca deixam de ser palavras, às vezes basta ouvi-las!" Charles de la Folie
“Eu fodi a Camarão Diaz!”
“Eu fodi a Inona Radar!”
“Eu fodi a Catarina Fortuna!”
“Eu fodi a Fernanda da Serra!”
E depois, por baixo, estava uma piada medonha escrita com letras quase garrafais ou seriam… pois… mas estava assim:
“Tu fodeste foi a parede toda ao homem!”
Apesar de tudo, nas paredes da casa de banho dos rapazes, no WC, é tão giro dizer isto, liam-se algumas coisas interessantes, mas verdade verdadinha e que seja dita, quem não se sentava naquelas retretes, ai, ai, era a filha do meu pai, essa é que não era de certeza absoluta. Eu não me sentava pelo nojo que era e eram de uma imundice vergonhosa e assustadora. Engraçado ou sem graça, nem sei o que pensar, muitas raparigas…pois, já me lembro, arre!... com esta coisa nem raciocinar direito consigo, perco-me… ah!… haviam de ver como pensavam muitas raparigas… Naquela altura, ainda hoje infelizmente, quando aparecia alguma rapariga grávida, geralmente, era por contágio, sim contágio, tipo infeccioso, era sempre por artes mágicas do acaso. Aliás, havia por aí muito incesto virtual claro, ou era na toalha da casa de banho, ou na banheira, familiar portanto!
Hoje rio-me com isso, tem mesmo uma certa piada como se pensava antigamente, era fantástico, o problema é que os nossos, pois os nossos pais alimentavam-nos essas ideias, eram planos divinais que nos engendravam. Hoje, olhando para trás, vejo os atentados que fizeram à minha inteligência, mas não foram os únicos. Só de pensar na falta de informação, é inenarrável, como nunca ouvi falar do assunto, penso que deviam fazer abortos a atirar pedras às cegonhas… Meu Deus!
A grande verdade!... Tudo naquele tempo era tabu… o aborto, a pílula, a própria menstruação, nem maionese podia fazer menstruada, só comigo engolir essa tretas, histórias desse género, mas a culpa, não era nossa, era dos nossos paizinhos que parece que viviam na pré-história. Chego a pensar, deveriam querer que acreditássemos ter nascido de geração espontânea. Para que era tanto tabu… tanta Merda à volta das coisas, parece que andavam a criar flores de estufa. O que é certo é que elas aconteciam e se aconteciam, pois claro e depois é que eram elas.
Tive sorte na mãezinha que me tocou, quanto ao paizinho nem vou falar. Se ele não consegue falar, porque terei eu de falar dele. Assim à primeira vista nunca me bateu, também não me lembro de ele bater na minha mãe, mas gritava que nem… nem sei bem, era um misto de corneta, com bombos misturados com o som duma locomotiva a vapor, qualquer coisa assim do género. Felizmente que o meu pai está por terras Africanas, está lá debaixo da terra, já há uns tempos que deixou de nos chatear e de nos aborrecer com os seus gritos tipo Tarzan do raio que o parta, foi-se de vez, tanto para mim como para a minha mãe, é um alívio.
A Dona Henriqueta às vezes, por vezes mas não muitas, ainda chora, isto quando se mete a ler as cartas que tem guardadas. Eu não tenho grandes saudades, nem grandes nem poucas, claro fiquei com um belo carro, tenho uma casa só para mim, tenho muita coisa, imensas coisas, mesmo muitas… se ele ainda aqui estivesse, bem tramada estava, tramada não, mas sem coisas e que coisas!
É claro que às vezes tenho saudades dele, mas também pensar que ele ganha uma nota lá nas minas de Diamantes, e que é certinho aqui ao fim do mês, é pena não ser em diamantes, mas enfim não se pode ter tudo… Já agora, lapidados e enfiados num belo colar, claro e o cuzinho lavado com água de rosas?! Hi! Hi! Hi!
Mas também, lembrar-me agora do meu pai é um bocado tétrico, afinal coitado do homem, anda lá fora a trabalhar para me sustentar, ou pior, anda lá fora a trabalhar para não estar aqui dentro a chatear e não me sustenta só a mim, sustenta também, pois sustenta os meus vícios, já que a mãe não tem nenhuns.

"As palavras por muita alma que tenham, nunca deixam de ser palavras, às vezes basta ouvi-las!" Charles de la Folie
terça-feira, julho 27, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada V
Grande susto enquanto estava aqui neste meus pensamentos de luta com a cama, a minha mãe chegou e mais uma vez me obrigou a privar da sua companhia e de seus beijos. Veio dizer-me que ia sair, mas que já vinha. Nem tempo tive para lhe perguntar se há garrafinhas milagrosas… estranho… ia com alguma pressa… Ela não costuma andar assim tão depressa, ou será impressão minha!? Talvez seja, nada que mate… estranho, estranho mesmo, para não dizer muito estranho, é que ela leva um envelope, e ao que me parece diz “Sr. Vasco”, ou “para o Sr. Vasco”, deve ser algo importante, mas Vasco?! Vasco?... Ora espera, nããoooo… não acredito! Não acredito mesmo… Sr. Vasco… não é de certeza para o louco insano e deficiente mental, não pode ser… deixa-me rir, mas… de qualquer forma já pergunto à Dona Henriqueta, penso que aquela carta deve ser a razão desta minha dor de tola, de mona ou do raio que a parta.
Que se lixe, a grande verdade é que nem para um berro, um grito à minha mãe tenho coragem… tenho muito medo que a cabeça me salte para algum lado, quem sabe menos conveniente se é que isso existe.
Enquanto nada acontece o melhor é tentar desvendar estes meus mistérios de uma noite atribulada, pelo menos se não foi deveria ter sido, mas por osmose… não foi por certo. Posso tentar chegar lá pelo hálito, mas é um cheiro terrível a tabaco, misturado com pasta de dentes e álcool… e depois sai tudo aqui do meu interior, chega em forma de arroto, que coisa, que horror mesmo. Não falo daquele interior, profundo e bom, aquele interior muito cristão, esse interior não faço a mínima ideia de onde surge, penso que tinha de ser mesmo lá do fundo, mas digo eu aqui que ninguém me ouve, que esse fundo a maior parte das vezes… Não! Não vou dizer, é melhor não, até porque não é esse fundo que faz parte do imaginário colectivo, é um outro fundo, do fundo sei lá de onde, devia ser das antípodas do outro fundo ou será do fundo social de coisa alguma?!
Adiante, outra das coisas que me interrogo é mesmo se as outras raparigas são assim como eu, ou se eu sou a excepção à regra. Tenho dúvidas se há muitas miúdas iguais a mim, com a mesma maneira de ser, de falar, de sentir, de fervilhar, de dizer, acreditem que eu sou muito durona. Lá no interior, sei que lá naquele fundo… às vezes choro por estas coisas, quer dizer… choro e não choro, alivia-me a alma. Estes pensamentos cada vez estão piores, acho que estou com a puta da emoção à flor da pele, a emoção e a comoção se é que isso existe e sei lá mais o quê...
As coisas que me lembro, estou aqui a recordar que para aí no meu 6º ano, estávamos ou andávamos todos a discutir na aula, aquelas conversas facciosas e sectárias, as do costume, tipo: que o homem é melhor que a mulher, que a mulher faz isto e tem bebés, que o homem tem “bobos”, tem o quê?! Claro que tem e estúpido para aqui, parvalhão para ali, mentecapto para ali, fuinha para acolá e eu lembro-me de dizer:
“Vocês têm a mania que são espertos e inteligentes, ainda gostava de saber quais são as vossas conversas entre rapazes”, à qual o Vasco respondeu:
“São as mesmas que as vossas, porquê!? Devem pensar que são as supra-sumo da batata!”.
E lembro-me que me saiu assim um:
“As mesmas que as nossas?! Ai que ordinários!”.
Ainda hoje me gozam por causa dessa história, mas tudo isto ou isto tudo, para dizer que eu posso ser assim meio… abrutalhada… pouco feminina nos actos, mas não devo ser a única… mas sou boa pessoa, sou sim, só posso ser, porque não havia de ser boa pessoa?! Sou sim!
Apeteceu-me

"Sempre que o instinto nos provoca, arremessamos com o destino ao acaso" Charles de la folie
Que se lixe, a grande verdade é que nem para um berro, um grito à minha mãe tenho coragem… tenho muito medo que a cabeça me salte para algum lado, quem sabe menos conveniente se é que isso existe.
Enquanto nada acontece o melhor é tentar desvendar estes meus mistérios de uma noite atribulada, pelo menos se não foi deveria ter sido, mas por osmose… não foi por certo. Posso tentar chegar lá pelo hálito, mas é um cheiro terrível a tabaco, misturado com pasta de dentes e álcool… e depois sai tudo aqui do meu interior, chega em forma de arroto, que coisa, que horror mesmo. Não falo daquele interior, profundo e bom, aquele interior muito cristão, esse interior não faço a mínima ideia de onde surge, penso que tinha de ser mesmo lá do fundo, mas digo eu aqui que ninguém me ouve, que esse fundo a maior parte das vezes… Não! Não vou dizer, é melhor não, até porque não é esse fundo que faz parte do imaginário colectivo, é um outro fundo, do fundo sei lá de onde, devia ser das antípodas do outro fundo ou será do fundo social de coisa alguma?!
Adiante, outra das coisas que me interrogo é mesmo se as outras raparigas são assim como eu, ou se eu sou a excepção à regra. Tenho dúvidas se há muitas miúdas iguais a mim, com a mesma maneira de ser, de falar, de sentir, de fervilhar, de dizer, acreditem que eu sou muito durona. Lá no interior, sei que lá naquele fundo… às vezes choro por estas coisas, quer dizer… choro e não choro, alivia-me a alma. Estes pensamentos cada vez estão piores, acho que estou com a puta da emoção à flor da pele, a emoção e a comoção se é que isso existe e sei lá mais o quê...
As coisas que me lembro, estou aqui a recordar que para aí no meu 6º ano, estávamos ou andávamos todos a discutir na aula, aquelas conversas facciosas e sectárias, as do costume, tipo: que o homem é melhor que a mulher, que a mulher faz isto e tem bebés, que o homem tem “bobos”, tem o quê?! Claro que tem e estúpido para aqui, parvalhão para ali, mentecapto para ali, fuinha para acolá e eu lembro-me de dizer:
“Vocês têm a mania que são espertos e inteligentes, ainda gostava de saber quais são as vossas conversas entre rapazes”, à qual o Vasco respondeu:
“São as mesmas que as vossas, porquê!? Devem pensar que são as supra-sumo da batata!”.
E lembro-me que me saiu assim um:
“As mesmas que as nossas?! Ai que ordinários!”.
Ainda hoje me gozam por causa dessa história, mas tudo isto ou isto tudo, para dizer que eu posso ser assim meio… abrutalhada… pouco feminina nos actos, mas não devo ser a única… mas sou boa pessoa, sou sim, só posso ser, porque não havia de ser boa pessoa?! Sou sim!
Apeteceu-me

"Sempre que o instinto nos provoca, arremessamos com o destino ao acaso" Charles de la folie
terça-feira, julho 20, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada IV
Um dia ainda faço uma cruzada a casa dela, e posso sempre levar o Pilitas, olha, ah! ah! o Pilitas é um bom partido para ela, ai se é!!
Até que tinha graça, muita mesmo, é o tipo de moço que os pais de qualquer garota adoram, adoram mesmo odiar, o Pilitas, é um “Moçoilo”… como posso explicar!? A melhor maneira de explicar como ele é, é mesmo não explicar, porque ele é absurdamente e absolutamente inenarrável… É simples, é barato e dá milhões, é um grande amigo, mas tem um defeito, não muito grande, mas não deixa de ser um defeito, é que ele não mente, tipo:
- Ó mãe! Ontem estive em casa da Susana (namorada do Pilitas - será?) a noite toda, até adormeci e se não acredita pergunte ao Pilitas.
- Ó Pilitas… é verdade, o que a Palmira está a dizer?
- Bem… Dona Henriqueta, tecnicamente é verdade, mas basicamente não! Ela passou por lá, quer dizer, disse-nos que ia passar por lá… Ela, Dona Henriqueta, como lhe vou explicar, ameaçou-me há 2 minutos, para lhe dizer que esteve lá. Claro que, Dona Henriqueta, espero que não me leve a mal.
- Estás a ver Palmira, nunca posso confiar em ti, aqui o Pilitas é sincero, nunca mente e diz-nos sempre a verdade, não é?
- Sim claro, quer dizer, pois é essa a minha intenção, às vezes, sabe… omito… omito umas coisas de nada, aliás eu penso que a Palmira também é assim.
É talvez por isso que digo que o Pilitas é único, muito sincero, é óbvio que desta vez eu sabia que até era mentira, mas disse à minha mãe que ele me tinha pedido para não passar por lá, porque queria dar uma valente “trancada” na Susana - isso queria a Susana. A minha mãe, só não lhe deu um treco porque já me conhece de ginjeira. Quanto à “trancada” na Susana, o Pilitas acha que a namorada é para levar virgem para o altar, eu disse a namorada, porque ele podia ser dado à religião, mas de parvo não tem absolutamente nada, ai não tem não, e acho que essa de ir virgem para o altar também é uma treta dele, ou um fetiche, apanhar a igreja vazia e pimba no altar.
A verdade é que a catadupa de pensamentos parvos não passam e eu, quanto mais sei que tenho de me levantar, mais fico pregada ao colchão. É uma briga, uma briga exasperada entre eu, a minha pessoa, o colchão, a almofada, a vontade de não me levantar, a consciência de ter de me levantar, a almofada que não deixa a cabeça levantar e os pés que se auto prendem no edredão. A verdade é que este género de coisas excitam-me, excitam-me muito mesmo, de uma maneira descomunal, agora há um pequeno problema que é o perceber porquê, o porquê desta excitação toda que me persegue. Não sei, até porque tudo me excita… acho que tem a ver com o foro psicológico, ou qualquer coisa da mesma classe… às vezes só me apetece auto-flagelar e dizer: “sua tarada, sua miúda sem escrúpulos sexuais, sua isto, sua aquilo”, mas suar nada…
O problema é que me dá uma vontade, uma enorme e desconcertante vontade de rir, e rio, rio quase até sufocar, parece que estou pedrada, com uma bela ervinha, vinda ali do… psiuu… Não se pode dizer se pois ainda vão à varanda dele, ou à sua estufa ou sei lá mais onde… ih! ih! ih! e lá se vai a nossa produção caseira. Foi aqui que eu percebi o que é uma empresa familiar, ou uma empresa de amigos “mais bem falando”. Aquilo é do melhor, ele planta, seca-as no forno e eu testo o produto, eu e muito mais gente aqui neste prédio. Ainda não fizemos dinheiro nenhum, claro como é que uma pessoa se separa de uma planta que é tratada com tanto amor, é como aquelas pessoas que criam um coelho ou um pato e depois não conseguem comê-lo, e também porque estamos há dois anos em testes de qualidade, sempre ouvi dizer que uma empresa, para ser uma empresa, deve testar bem os seus produtos. E é o que nós fazemos sob o signo da qualidade, aqui o problema maior é que eu sou a “testadora” oficial. Problema porquê?! Nunca chegamos a grandes conclusões porque ficamos E.H.L., ou seja, num Estado Hilariante Lastimável…
apeteceu-me

"Basta pensar novamente para que o dia amanheça num instante, mesmo que seja o escuro que te proteja" Charles de la Folie
Até que tinha graça, muita mesmo, é o tipo de moço que os pais de qualquer garota adoram, adoram mesmo odiar, o Pilitas, é um “Moçoilo”… como posso explicar!? A melhor maneira de explicar como ele é, é mesmo não explicar, porque ele é absurdamente e absolutamente inenarrável… É simples, é barato e dá milhões, é um grande amigo, mas tem um defeito, não muito grande, mas não deixa de ser um defeito, é que ele não mente, tipo:
- Ó mãe! Ontem estive em casa da Susana (namorada do Pilitas - será?) a noite toda, até adormeci e se não acredita pergunte ao Pilitas.
- Ó Pilitas… é verdade, o que a Palmira está a dizer?
- Bem… Dona Henriqueta, tecnicamente é verdade, mas basicamente não! Ela passou por lá, quer dizer, disse-nos que ia passar por lá… Ela, Dona Henriqueta, como lhe vou explicar, ameaçou-me há 2 minutos, para lhe dizer que esteve lá. Claro que, Dona Henriqueta, espero que não me leve a mal.
- Estás a ver Palmira, nunca posso confiar em ti, aqui o Pilitas é sincero, nunca mente e diz-nos sempre a verdade, não é?
- Sim claro, quer dizer, pois é essa a minha intenção, às vezes, sabe… omito… omito umas coisas de nada, aliás eu penso que a Palmira também é assim.
É talvez por isso que digo que o Pilitas é único, muito sincero, é óbvio que desta vez eu sabia que até era mentira, mas disse à minha mãe que ele me tinha pedido para não passar por lá, porque queria dar uma valente “trancada” na Susana - isso queria a Susana. A minha mãe, só não lhe deu um treco porque já me conhece de ginjeira. Quanto à “trancada” na Susana, o Pilitas acha que a namorada é para levar virgem para o altar, eu disse a namorada, porque ele podia ser dado à religião, mas de parvo não tem absolutamente nada, ai não tem não, e acho que essa de ir virgem para o altar também é uma treta dele, ou um fetiche, apanhar a igreja vazia e pimba no altar.
A verdade é que a catadupa de pensamentos parvos não passam e eu, quanto mais sei que tenho de me levantar, mais fico pregada ao colchão. É uma briga, uma briga exasperada entre eu, a minha pessoa, o colchão, a almofada, a vontade de não me levantar, a consciência de ter de me levantar, a almofada que não deixa a cabeça levantar e os pés que se auto prendem no edredão. A verdade é que este género de coisas excitam-me, excitam-me muito mesmo, de uma maneira descomunal, agora há um pequeno problema que é o perceber porquê, o porquê desta excitação toda que me persegue. Não sei, até porque tudo me excita… acho que tem a ver com o foro psicológico, ou qualquer coisa da mesma classe… às vezes só me apetece auto-flagelar e dizer: “sua tarada, sua miúda sem escrúpulos sexuais, sua isto, sua aquilo”, mas suar nada…
O problema é que me dá uma vontade, uma enorme e desconcertante vontade de rir, e rio, rio quase até sufocar, parece que estou pedrada, com uma bela ervinha, vinda ali do… psiuu… Não se pode dizer se pois ainda vão à varanda dele, ou à sua estufa ou sei lá mais onde… ih! ih! ih! e lá se vai a nossa produção caseira. Foi aqui que eu percebi o que é uma empresa familiar, ou uma empresa de amigos “mais bem falando”. Aquilo é do melhor, ele planta, seca-as no forno e eu testo o produto, eu e muito mais gente aqui neste prédio. Ainda não fizemos dinheiro nenhum, claro como é que uma pessoa se separa de uma planta que é tratada com tanto amor, é como aquelas pessoas que criam um coelho ou um pato e depois não conseguem comê-lo, e também porque estamos há dois anos em testes de qualidade, sempre ouvi dizer que uma empresa, para ser uma empresa, deve testar bem os seus produtos. E é o que nós fazemos sob o signo da qualidade, aqui o problema maior é que eu sou a “testadora” oficial. Problema porquê?! Nunca chegamos a grandes conclusões porque ficamos E.H.L., ou seja, num Estado Hilariante Lastimável…
apeteceu-me
"Basta pensar novamente para que o dia amanheça num instante, mesmo que seja o escuro que te proteja" Charles de la Folie
terça-feira, julho 13, 2010
Vidas (Em)cruzadas) - Pancada III
Mas hoje a coisa parece estar a correr bem… melhor do que é costume, anda tudo à roda, mas por enquanto nada de muito complicado, pior é quando estou mareada, quando estou virada para essas travessias atlânticas, hoje a coisa está calma, o mar não está revolto está calmo, tipo mar chão. O pior… o pior mesmo é sair da cama, tem de ser de uma só vez, ou de uma vez só, quem sabe se de uma vez acompanhada ou acompanhada de uma vez. Acho que não digo mais nada é só asneiras que saem da minha boca… bom, tem de ser de uma só VEZ, e depois rodar o rabo, tipo Break Dance… meter os pés no chão, apoiar as mãos nos joelhos e upa que se faz tarde, upa para cima. O pior é que as pernas vão bambolear, dar de si, até parece que já estou a ver o filme, e que filme, o melhor é passar à acção, vamos lá a isso… um, dois, três e... ai, ai…
Pois, é tudo fácil, mas aconteceu aquilo que se chama o efeito sempre em pé mas, em versão deitado, eu sou a sempre deitada… e sei, tenho a certeza que tenho de me levantar e que é um dia importante para mim, muito importante mesmo, se não é passa a ser, claro… ou nem por isso…
Nesta altura preciso mesmo de duas coisas: de relaxar e que esta pancada me passe, o melhor é continuar deitada e fazer algo que, alguma coisa que adoro, com este silêncio sepulcral (estas coisas não se devem dizer, mas eu digo tudo como os malucos, talvez por isso é que pensam que eu sou uma rapariga meio esquisita e não se enganam grande Merda). Adoro tirar macacos do nariz, fazer umas bolinhas apetitosas e depois lançar - os macacos - para o vazio e ouvi-los a bater estrondosamente contra o chão, ou contra o guarda-vestidos, ou contra a secretária que não tenho ou… sei lá… Mas fico frustrada quando caem no tapete, odeio mesmo, depois daquele trabalho todo de construção macacal e depois não poder ouvir, escutar aquela sinfonia, aquele belíssimo plock, um plock divinal feito de um belo macaco de uma narina imaculada e depois ejectada. Continuo com esta história, a pensar que devia haver olimpíadas do macaco, tipo: o arremesso do macaco, o mais belo plock do macaco, o maior macaco, o mais viscoso macaco, a colagem do macaco na retrete (no urinol para a classe masculina), o mais expansivo macaco no vidro do WC…seria uma forma de dar a conhecer a arte do macaco ou do macacão a todas as classes. Na verdade há umas menos privilegiadas que não sabem o que isso é, acho que estou certa, acho que pode ser uma bela forma de se estar na vida.
Depois desta dissertação sobre os macacos o melhor é continuar a treinar o meu plock, plock. Macacos mais macacos, a chamada “macacada final”, ou a “última grande macacada” ou ainda a “ grande macacada em cuecas”. Nada de muito especial fazer estas coisas ou não fosse eu mulher, mas as coisas que me lembro, uma mulher que devia ter muito tino, mas… claro, evidente e visível… não tenho! A minha mãe até que é uma “gaja” porreira, senhora “gaja” diga-se em bom da verdade, porque, por exemplo, eu nas mãos da minha Tia Luísa bem lixada estava, a esta hora já tinha um enxoval completo, completo não, faltava-me o essencial… o “gajo”!
A desgraçada da minha prima Ana que tem 24 anos, mais coisa menos coisa, o melhor é dar-lhe um intervalo de dois anos quer para cima e também para baixo, acho que ainda nem cheirou a coisa, coitadinha, o mais perto que esteve de um beijo foi na missa, no casamento não me lembro bem de quem, mas não é muito importante, o casamento claro. Na missa, naquela parte, em que se beija o nosso semelhante assim na Terra como no Céu, a minha prima Ana beijou um miúdo todo bom, na cara, claro, mas foi o mais próximo que ela esteve do sexo ou de um linguado ou de qualquer coisa que dê calores, que aqueça a alma e a faça transpirar, a alma, não vão pensar em outras coisas… Aliás, segundo sei, o meu Tio Manel, nesse casamento, já não tirou os olhos do rapaz, devia estar com medo que acontecesse alguma coisa de grave, quer dizer, o grave aqui devia ser mesmo o rapaz tossir e poder engravidar a prima Ana ou coisa do género, aquelas cabeças são um bocado para a esquisitice. Pois, é triste quando se tem a mania da pureza, quando pensam que um homossexual é alguém que lava a pila com OmO, pois branco mais branco não há, ou haverá… que se lixe a taça. Voltando à miúda, miúda uma fava, ela é mais velha que eu, mas coitada, o que ela sofre à brava com o período – menstrual. O médico mandou-lhe tomar a pílula para regular a coisa e a desgraçada quase foi deserdada só de pensar naquilo, na pílula, não foi de coisar seguro, foi mesmo na pílula… Aliás nem vale a pena porque a pílula, naquela casa, é heresia, se o meu Tio a deixasse tomar, qual tomar, utilizar… O homem é tão… nem sei bem a palavra para o definir… retrógrado, arcaico… não me ocorre nada mais…o meu vocabulário não chega para o definir, pressupondo que ele a deixava usar…
A pílula seria usada, pressionada entre os joelhos para nunca a deixarem cair, uma boa forma de nunca abrirem as pernas. Que horror, ou seja, se em vez da pílula meter uma granada, também faz um belo efeito, aí deve ser uma pílula abortiva. Não vou gozar mais com esta história, é tramado estar na situação dela e isto tudo é uma forma de dizer que a minha prima Ana é uma desgraçada. O que eu penso, e estou a ser muito sincera, é que se ela não se impõe depressa, ainda vai ter um valente desgosto, um não, dois, além de casar virgem, vão-lhe escolher o noivo. Acho que essa é a pior maldade que podem fazer a uma mulher, mas ela nunca se vai aperceber da maldade porque vai para o casamento com tanta “fominha” que nem se apercebe, nem se lembra do que lhe fizeram.
Apeteceu-me

"Não percebo as vontades por isso me deixo levar..." Charles de la Folie
Pois, é tudo fácil, mas aconteceu aquilo que se chama o efeito sempre em pé mas, em versão deitado, eu sou a sempre deitada… e sei, tenho a certeza que tenho de me levantar e que é um dia importante para mim, muito importante mesmo, se não é passa a ser, claro… ou nem por isso…
Nesta altura preciso mesmo de duas coisas: de relaxar e que esta pancada me passe, o melhor é continuar deitada e fazer algo que, alguma coisa que adoro, com este silêncio sepulcral (estas coisas não se devem dizer, mas eu digo tudo como os malucos, talvez por isso é que pensam que eu sou uma rapariga meio esquisita e não se enganam grande Merda). Adoro tirar macacos do nariz, fazer umas bolinhas apetitosas e depois lançar - os macacos - para o vazio e ouvi-los a bater estrondosamente contra o chão, ou contra o guarda-vestidos, ou contra a secretária que não tenho ou… sei lá… Mas fico frustrada quando caem no tapete, odeio mesmo, depois daquele trabalho todo de construção macacal e depois não poder ouvir, escutar aquela sinfonia, aquele belíssimo plock, um plock divinal feito de um belo macaco de uma narina imaculada e depois ejectada. Continuo com esta história, a pensar que devia haver olimpíadas do macaco, tipo: o arremesso do macaco, o mais belo plock do macaco, o maior macaco, o mais viscoso macaco, a colagem do macaco na retrete (no urinol para a classe masculina), o mais expansivo macaco no vidro do WC…seria uma forma de dar a conhecer a arte do macaco ou do macacão a todas as classes. Na verdade há umas menos privilegiadas que não sabem o que isso é, acho que estou certa, acho que pode ser uma bela forma de se estar na vida.
Depois desta dissertação sobre os macacos o melhor é continuar a treinar o meu plock, plock. Macacos mais macacos, a chamada “macacada final”, ou a “última grande macacada” ou ainda a “ grande macacada em cuecas”. Nada de muito especial fazer estas coisas ou não fosse eu mulher, mas as coisas que me lembro, uma mulher que devia ter muito tino, mas… claro, evidente e visível… não tenho! A minha mãe até que é uma “gaja” porreira, senhora “gaja” diga-se em bom da verdade, porque, por exemplo, eu nas mãos da minha Tia Luísa bem lixada estava, a esta hora já tinha um enxoval completo, completo não, faltava-me o essencial… o “gajo”!
A desgraçada da minha prima Ana que tem 24 anos, mais coisa menos coisa, o melhor é dar-lhe um intervalo de dois anos quer para cima e também para baixo, acho que ainda nem cheirou a coisa, coitadinha, o mais perto que esteve de um beijo foi na missa, no casamento não me lembro bem de quem, mas não é muito importante, o casamento claro. Na missa, naquela parte, em que se beija o nosso semelhante assim na Terra como no Céu, a minha prima Ana beijou um miúdo todo bom, na cara, claro, mas foi o mais próximo que ela esteve do sexo ou de um linguado ou de qualquer coisa que dê calores, que aqueça a alma e a faça transpirar, a alma, não vão pensar em outras coisas… Aliás, segundo sei, o meu Tio Manel, nesse casamento, já não tirou os olhos do rapaz, devia estar com medo que acontecesse alguma coisa de grave, quer dizer, o grave aqui devia ser mesmo o rapaz tossir e poder engravidar a prima Ana ou coisa do género, aquelas cabeças são um bocado para a esquisitice. Pois, é triste quando se tem a mania da pureza, quando pensam que um homossexual é alguém que lava a pila com OmO, pois branco mais branco não há, ou haverá… que se lixe a taça. Voltando à miúda, miúda uma fava, ela é mais velha que eu, mas coitada, o que ela sofre à brava com o período – menstrual. O médico mandou-lhe tomar a pílula para regular a coisa e a desgraçada quase foi deserdada só de pensar naquilo, na pílula, não foi de coisar seguro, foi mesmo na pílula… Aliás nem vale a pena porque a pílula, naquela casa, é heresia, se o meu Tio a deixasse tomar, qual tomar, utilizar… O homem é tão… nem sei bem a palavra para o definir… retrógrado, arcaico… não me ocorre nada mais…o meu vocabulário não chega para o definir, pressupondo que ele a deixava usar…
A pílula seria usada, pressionada entre os joelhos para nunca a deixarem cair, uma boa forma de nunca abrirem as pernas. Que horror, ou seja, se em vez da pílula meter uma granada, também faz um belo efeito, aí deve ser uma pílula abortiva. Não vou gozar mais com esta história, é tramado estar na situação dela e isto tudo é uma forma de dizer que a minha prima Ana é uma desgraçada. O que eu penso, e estou a ser muito sincera, é que se ela não se impõe depressa, ainda vai ter um valente desgosto, um não, dois, além de casar virgem, vão-lhe escolher o noivo. Acho que essa é a pior maldade que podem fazer a uma mulher, mas ela nunca se vai aperceber da maldade porque vai para o casamento com tanta “fominha” que nem se apercebe, nem se lembra do que lhe fizeram.
Apeteceu-me

"Não percebo as vontades por isso me deixo levar..." Charles de la Folie
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