sexta-feira, novembro 19, 2010

Mais Mulher entrevista de Ana Rita Clara a Carlos J. Barros

segunda-feira, novembro 01, 2010

Estão todos Convidados

Convite



Biblioteca de São Lázaro

Como chegar:

Transportes:
Metro: Intendente ou Martim Moniz
Autocarro: 767, 723 e 790
Pontos de referência:

Estando no Martim Moniz, subir a Rua de São Lázaro até ao Largo da Escola Municipal nº 1, contornar o edifício da escola até ao primeiro portão verde à esquerda.

Estando na Rua da Palma ou na Av. Almirante Reis virar para a Calçada Nova do Desterro, subir até ao fim da rua e após a paragem do autocarro nº 23 atravessar a rua, em frente situa-se a biblioteca.

Estando no Campo de Santana descer pela Rua do Saco até ao fim da rua, encontra a Junta de Freguesia da Pena e de seguida a biblioteca.

terça-feira, outubro 05, 2010

Vidas (Em)cruzadas - Fogo cruzado I

Caraças! Humm… que Porra esta, o telefone a esta hora! A esta hora? E será que esta tem uma hora!? E será que a hora tem esta!? E esta é quem? Que horas serão?! E sei lá eu que horas são, aliás não faço a mínima ideia a quantas ando, parece que aterrei agora, e deve ter sido uma aterragem forçada, resta saber se com hospedeiras ou nem por isso! Raios! Oito e meia! Quem será que está a ligar a esta hora? Isto é ou são lá horas para alguém ligar!? Deve estar louco, às oito e meia da manhã! Ainda se fosse às oito e trinta e cinco, agora às oito e meia!? Nem que fosse a Cristina Rica a propor-me casamento, ou a propor-me ter uma carrada… um rancho mesmo de filhos meus. Claro que parava para pensar, mas… casar?! Não… nunca para casar, isso seria cometer haraquiri, mas pois… a esta hora e nestas condições… Nega, nega mesmo, levava uma nega, uma enorme tampa, não e não, faço birra, bato o pé, raios!

Mas, supondo que era a Cristina Rica, filhos não, «atão» e depois dava em alargar e perdia a graça toda… Não, nem pensar, prefiro encomendar filhos de uma outra maneira, treino com ela e alugo uns filhos ou adopto, ou coisa do género, mas claro, isto é apenas um sonho ou a minha imaginação a trabalhar para não mandar ninguém… claro a essa parte.

Raios o telefone não pára mesmo de tocar. Onde andará essa coisa, só assim percebo mesmo como é irritante o toque da porcaria do telemóvel, agora entendo a cara das pessoas quando ele toca… pois claro. Não está fácil… onde andará aquela coisa que guincha que parece uma matança de porco. Telefone…telefone… Isto não, não é… é uma garrafa de vodka, isto também não, é uma garrafita de tequilla daquelas de avião e mais uma, e mais outra… e telefone nada! Uma barra de chocolate, ups, aqui está ele, ora então o amiguinho está dentro de uma bota, da dita cuja, mais conhecida pela bota de cartolina. Belo sítio, belo mesmo!

Ora agora outra parte de malabarismo perigoso e complicado, será que eu consigo atender esta coisa? Um, dois, três… deixa-me cá atender. Só há uma coisa que ainda não entendi bem, o que se está a passar nesta cabeça. O melhor é passar para a posição de descanso - agarro no telefone, encosto-o ao ouvido e deixo-me cair para trás.

- Quem FALAAAA? (a conversa desenrola-se só com o Pilitas, não se consegue ouvir o outro lado, claro assim também perdia a piada, mas garanto que eu sei quem está do outro lado, psiuu…).

- Humm… Tu! A esta hora… sim?!

- Que queres?

- DESCULPA!?!

- A sério?!

- Estás a brincar, ai está, estás.

- Não estás?

- A SÉRIO?

- Estou tramado… mas como aconteceu?

- Quando???

- E mais alguém sabe?

- Só eu?

- E agora?

- Enviaste o quê?

- Por correio?!

- Pelo correio não, então como enviaste a carta?

- Pela dona Henriqueta?

- Ai valha-me Nossa Senhora dos Aflitos!

- Estou para ver a cara do Vasco!

- Claro sim, a cara dele quando receber essa carta.

- Claro que quero estar na primeira fila, mas tenho que me despachar ainda perco esse episódio.

- Ciao e boa sorte.

- Mas a coisa é assim tão grave como tentas pintar? Podias só… esquece…

- Até logo!

- Se precisares já sabes… há a Dra. Mónica, fica no 2º andar!

Está o baile armado, a coisa está complicada ali para aqueles lados. Ahahahahah - gargalhada sentida - não consigo parar de rir, não consigo evitar é mais forte que eu, aliás, o que posso eu fazer numa situação destas?! E depois, além da situação é das coisas mais engraçadas que ouvi nos últimos tempos, até estou com vontade de fumar aqui uma cacilhada e comemorar esta alegria, quer dizer não sei se alegria, mas apetece-me comemorar, com uma tequilla bum-bum, quer dizer a mim apetece-me sempre comemorar desde que seja pelo menos por duas boas razões, por tudo e também por nada.

Apeteceu-me



"Há sempre um acordar diferente, em dias diferentes, mas isso não nos torna iguais" Charles de la Folie

terça-feira, setembro 28, 2010

Vidas (Em)cruzadas) - Pancada XII

Não vai ser nada, quando a Dona Henriqueta chegar vou tirar tudo a limpo, estou a ficar paranóica, apetece-me gritar, mas por muito que me esforce, não sai nada. Pareço uma daquelas cornetas… uma pessoa chega lá sopra, sopra e nada. Faz um bocado confusão, mas é como me sinto, aliás se ninguém vier aqui ter comigo depressa vou ficar aqui para sempre, tal é o estado em que me sinto, sem reacção nenhuma.

Mas estar aqui a mimar-me, a enrolar com o dedo o cabelo, enrola, desenrola e enrola, desenrola, deve ser irritante para quem esteja a observar horas a fio este cenário, eu com aquela cara que Deus nos deu tipo a cara 49, que não é nada mais que a minha cara de parva, mas enfim. Remoía, remoía sobre a carta, ligo ao Pilitas?! Ele sabe sempre tudo, se fosse alguma coisa de especial ou algo que me aguçasse o apetite, ele ia gozar, por isso, o melhor é não lhe ligar.

Bom, e no meio daquela confusão, saberia lá eu do meu télélé? Se o perder também não é nada de grave, já está tão velhinho, velhinho não, usado, usado também não, gasto, não… o termo é: quero um télélé novo, preciso é de ter mais cuidado, está todo marado. É verdade, já serviu de arma de arremesso, um “pato” qualquer que me mandou uma certa boca foleira levou logo com ele nos dentes… Pois cá comigo é tiro e queda, sempre demasiado agressiva e na ofensiva, e meus amigos, se estou com o sono… sou terrível, demasiado terrível, insensível, imprevisível e irremediavelmente intolerante. O meu pai chama-me anormal, a minha mãe mau feitio, se fosse o Vasco dizia logo que eu sou terrivelmente anormal e violenta, mas é o meu feitio. Por ele, por ele acho que até me moldava, ai moldava, moldava!

Será que a minha mãe já aí estará, para lhe perguntar da carta?

Que raio, a carta!!

Que grande susto… Porra… dei um salto, eu que estava aqui naquela posição de quem não vai nem fica, ou será de quem não vai, nem deixa ir?!

Olha quem chegou, salvé a Dona Henriqueta, a senhora dona minha mãe entrou aqui de rompante pelo meu quarto tal qual D. Sebastião e com a minha vista assim até o dia esta nublado… Mãe… dei um salto da cama, até fiquei tesa, hirta e imóvel, com um olhar meio atónito e antes de balbuciar qualquer coisa, fui direita ao corredor e salve-se quem puder (...) alguns segundos depois…

- Atão, mãe?

- Atão o quê filha?!

- Sim, atão que se passa?

- Não se passa nada… porquê? É suposto passar-se alguma coisa? – pergunta minha mãe a franzir o sobrolho.

- Não mãe! A carta o que diz a carta?

- Ahhh… a carta! Qual carta? Estás doida Palmira?!

- Oh Mãe! A carta que levaste ao Vasco… Estás perdida ó quê?

- Ó quê!? E um grande o quê também para ti, se assim o desejares. (aqui já a mãe estava a gozar o pagode)

- Pois a carta, não levaste a carta ao Vasco? Deves estar mesmo a gozar comigo, mas olha que não estou com disposição (grande arroto que lhe saiu).

- Levei claro, mas olha… para que conste não tenho por hábito, nem espreitar aquilo que é para os outros e muito menos esperar que me digam alguma coisa.

- És sempre a mesma coisa!!

- Bom, e muito menos com o pivete que vem de lá de dentro eu iria esperar, mas consegui trazer-te este “guronsan”, diz lá que não te li o pensamento? E… pois… e ele, encontrá-lo foi um milagre!

- Ok, obrigada, é sempre um prazer os teus favores, fico sempre sem saber de nada.

É uma dádiva dos céus beber isto, é um prazer que nem vos passa, parece um orgasmo multiplicado por 20, elevado ao quadrado, sim, mas matemática a esta hora é muito complicada, mesmo assim a minha rica mãezinha é um amor. Logo a seguir trouxe-me um café, daqueles que só ela sabe preparar, a seguir ao “guronsan” caiu que nem ginjas, esta é outra das frases que nunca entendi bem o porquê das ginjas. A seguir a umas ginjas, fico mesmo muita maldisposta, mas se for uma ginjinha com nozes, humm, nem vos conto, é simplesmente fantástico… Porra ainda não saí de uma e já me quero meter noutra… não, isso é que não.

No fim deste disparo todo de emoções e contradições parece… não parecia?! Já julgavam que me tinha esquecido da carta, não, claro que não me esqueci, e porque havia de esquecer?! Alguém me dá uma razão válida para isso?! Bem me parecia que os meus espíritos estão comigo, claro que estão, então deviam de estar com quem?!

Mas a carta? Eu estou cheia de dúvidas, certezas algumas… para dizer a verdade eu não tenho nada, nem certezas, nem dúvidas, nada, não tenho mesmo nada, só uma dorzita de tola.

Uma dúvida, só uma me está a dar cabo do toutiço… o porquê de toda esta pancada por causa da carta, até parece que a minha vida depende dela, daquele pedaço de papel enviado ao Sr. Vasco.

O que será que lá está escrito? Que nervos, pior que isso, quem escreveu… pois com tanta conversa nem me lembrei disso, quem terá escrito e dado a carta à minha mãe?

- Mãe, mãeeeeeeeeeee… anda cá depressa!

- Simmmm, que foi Palmira? (com cara de caso)

- Diz-me uma coisa, quem te deu a carta para enviares ao Vasco?

- Quem me deu? Ora essa, quem me deu foi, deixa cá ver, ora… acreditas que não me lembro?

- Como não te lembras? (Palmira fervilhava, estava piursa)

- Como? Fácil, a carta apareceu, hoje de manhã debaixo da porta.

Foi assim que, decididamente, fiquei a saber o que dizia a Carta, dizia isso mesmo: Para o senhor Vasco.

E que confusão era aquela lá fora?

Apeteceu-me


"Só somos iguais na Morte, porque em vida apenas existe utopia". Charles de la Folie

terça-feira, setembro 21, 2010

Vidas (Em)cruzadas) - Pancada XI

Sinto-me cansada, com muita vontade de fingir comigo própria que estou a desfalecer, mas já estou aqui há algum tempo e só mesmo os olhos se mexem e movimentam… e de que maneira até parecem que saltam fora de órbita, devem estar prestes a chegar a Marte, porque a Vénus… nem de camisa! Andava mesmo traumatizada… agora hummm… comia uma chiclete, era mesmo o que me apetecia… para ver se tiro este hálito infernal a noite, a noite… e continuo a dizer que noite… algumas doses ou shots de cavalo, mas siga a marinha.

Estou aqui a pensar, quando fugi de casa, as coisas que eu fiz, mais uma de me envergonhar, tinha para aí os meus 17 anitos…

O que uma pessoa faz quando não pensa, tudo porque roubei no supermercado do Sr. Romão e fui apanhada, e depois o raio do homem disse que ia contar à minha mãe, foi uma vergonha. E logo eu que era considerada uma menina modelo, uma óptima estudante, ajudo toda a gente, muito simpática, sei lá… aquelas coisas que as pessoas te dizem quando estamos com os pais, e só te apetece grunhir, e ser mal-educada e dizer para irem todos comer qualquer coisa que os enfarte, mas vamos lá a mais uma das minhas histórias alucinogénicas.

Ora então, naquele dia, como nos outros, eu não sou, juro que não, cleptomaníaca, mas por vezes penso que devo andar lá perto… Adoro roubar, quer dizer, roubar por roubar, gamar, desviar dos donos, apossar-me do que não é meu, na prática é meu desde que lhe metesse a vista em cima, um papel invisível a dizer que é meu. Nesse dia a coisa correu mal, é que filei um chocolate daqueles enormes e prendi-o entre a minha saia e a blusa, perfeito não se notava nada, só que… esqueci-me de um pormenor, um pequeníssimo pormenor sem importância, um insignificante pormenor, é que a blusa era ainda uma daquelas blusas aos “fuinhos” que se usavam naquela época, ora estava a pagar a minha chiclete diária, e o bom do Sr. Romão disse-me:

- Olá! Bom dia a quem é uma flor!

- Bom dia Sr. Romão, como está?! E a família, os meninos estão bons?!

- Sim Palmirita, estão óptimos!

- É para pagar a pastilha - disse eu.

- E a tablete também… não é Palmirita? - questionou o Sr. Romão.

- A tablete?! Está a brincar, não está?! - respondi irritada, mas a ficar aflita.

- Não, Palmira, a menina está a brincar comigo? - insistia ele furioso.

- Claro que não estou… - retorqui – claro que não!

- Então o que tem debaixo da camisola? (deitava fumo)

- Nada, claro que não tenho nada! (aqui já eu procurava um buraco)

Tentei levar a minha até ao fim, esse foi o mal, quando olhei para baixo e vi aquele cenário, nem estava a acreditar, mudei de cores 29 vezes, ia-me dando uma coisinha má e depois… pois… depois quando uma pessoa precisa de raciocínio rápido… fica-se com raciocínio estúpido e estupidez ainda mais rápida, bom se não é assim, é parecido… ou seja, fui uma completa idiota.

Ele apercebeu-se da coisa e vai daí, começou aos gritos e aí a coisa quase deu para o torto, pensei o pior… quando agarrei numa banana com o propósito de o atacar, ainda apontei a banana à cabeça, mas depois arrependi-me, podia dar prisão e ainda era, na altura, muito nova e vai daí deixei a tablete e fugi.

Fugi da maneira mais idiota que conhecia… a pé, podia fazer como nos filmes e roubar um carro, uma mota ou uma bicicleta, a bicicleta era bem, eu era um ás a dar ao pedal, mas o pior, o mais frustrante da história é que eu ouvi o Sr. Romão, a dizer aos gritos:

- Agarra que é ladrão, roubou-me uma banana, agarra o “homem”, tirem-lhe a banana!

Ora fiquei um bocado… à toa. O homem tinha mesmo ficado possesso com a minha atitude e o pior é que não era pela tablete, era mesmo pela banana, que raio de homem se metia naquele histerismo no meio da rua por causa de uma banana?!

É verdade que fiquei abalada com o assunto, parecia que estava a ver aquela gente toda a olhar para mim e a apontar.

- Olha, foi aquela que roubou a banana ao Sr. Romão. Parecia um burburinho ensurdecedor que se tornava num grande “bruá” na minha cabeça.

E ali… tomei a minha maior e mais difícil decisão, fugir de casa.

A vergonha de enfrentar a minha mãe, mas acho que o pior não era isso, era a vergonha de enfrentar a minha mãe e ela levar-me em frente do homem, no meio de toda a gente que lá estivesse no supermercado. O que seria grave para mim, seria a humilhação total, e como não estava para isso, para enfrentar essa coisa, antes uma surra, era como se fosse 2 em 1, da surra não me escapava, talvez sim, talvez não e… pois claro, aí resolvi fugir. Foi horroroso, não me lembrava nem de sítio, nem de ninguém, quer dizer de alguém lembrava-me, mas havia sempre aquelas perguntas tipo, o que fazia ali àquela hora? Porque não estava em casa? E aí, então, resolvi meter-me ao caminho, procurar abrigo, até que… encontrei a minha mãe pelo caminho e, o resto é aquilo que já tinha descrito, a minha fuga foi mesmo só em pensamento, quer dizer ainda fugi, aliás, ainda guardo a banana religiosamente, mais ou menos, é uma réplica em plástico, um dia ainda a vai sentir, ai vai… vai… aquele Sr. Romão!

Mas, enfim, era novinha… mas já vivi uns bocados engraçados, engraçados agora… na altura não achei grande piada, mas com descontracção e estupidez natural tudo faz sentido, se bem que eu seja uma rapariga muito sentida.

Porra! Já são quase 10 horas da manhã e ainda estou aqui prostrada na cama. Que neura! Quer dizer, por um lado até sabe bem não andar por ali a passear pela casa, atarantada, sem saber muito bem o que ando a fazer, mas por outro lado estou demasiado intrigada, com a carta...

Apeteceu-me

"Nem sempre acreditamos que tudo o que sai de nós é verdade" Charles de la Folie