sexta-feira, dezembro 02, 2005

Carta ao Borges

Olá! Acreditas que Sonhava ainda com o tempo dos poemas. Quando soltava o cabelo e sorria, quando o que me escreviam em toalhas de mesa, ainda fazia sentido.
Quando os poemas afinal eram escritos com os olhos, e um simples tocar fazia-me arrepiar!
Sabes? Talvez não te lembres, mas ouve tempos em que corria por ai, com uma ânsia de viver, que me embebedava com o ar, tal era a sofreguidão com que o respirava.
Hoje olha para tudo com nostalgia, a poeira parece cair-me pelos olhos sobre o futuro que ainda não vivi. Mas viver porquê? Viver das memórias que os outros querem que eu tenha!?
Viver um conto com alguém ao meu lado que já não existe?!
Sabes?! É isso que me pedem todos os dias para fazer, para continuar lado a lado contigo, de preferência de braço dado e com um sorriso nos lábios.
Tenho saudades dos tempos Paris, daqueles tempos em que a magia por aquelas vielas bem parecidas com aquelas onde vivemos. Mas essas, ainda me julgam ainda me perseguem, não consigo fugir a identidade que não é minha.
Sabes, eu sei que sabes está na hora, os nossos 5 minutos terminaram, vou ter de me fazer a tua vida, para indo sobrevivendo ao nosso (e)terno amor.

Saudades da sempre tua Maria.



Maria Kodama e Ana Maria Cabrera

Apeteceu-me


"Por vezes o tempo corrompe-nos as nossas memórias" Charles de la Folie

sábado, novembro 26, 2005

“Por quem sois – se é que entendem!” (La Revancha del Tango)





“Cada um é como cada qual” diz o povo e é bem verdade. Não é menos verdade que não temos tido governantes de quem nos orgulhar e isto para dizer o quê: - Para dizer que nós (eu incluído) temos muitas culpas no cartório em todos os sentidos, mas muito por culpa do nosso laxismo e egoísmo.
Há 3 anos atrás fiquei muito impressionado com uma notícia que li e com as imagens que vi, e fiquei a pensar como era possível isso acontecer e o que iria acontecer as pessoas. O que vi passou-se na Argentina, na terra de Carlos Gardel e de Jorge Luís Borges, de Diego Maradona ou de Evita Peron. O que aconteceu, as contas bancárias desapareceram, as pessoas ficaram sem dinheiro, de um dia para o outro chegaram ao Multibanco e não havia lá o “vil metal”.
Três anos depois, ainda não chegaram ao topo, mas estão a reerguer-se, a vida continua, as pessoas sorriem sabem que juntas vencem, por uma razão essencial, os governantes vão e vêem, mas a sua bandeira e a sua pátria ficam, é deles há que ter orgulho. Fazem da simpatia a bandeira de um povo que precisa de outros para se ir levantando e conseguem-no. Os mendigos, porque os há, escondem-se para os “estrangeiros” não os verem. Os Argentinos são contestatários por natureza, por isso não me espantou ver uma manifestação a meia-noite com muitos milhares de pessoas, assim como não me espantou ver o parlamento do município de Buenos Aires ser evadido ás duas da manhã. É por isso que os políticos respeitam os “Portenhos”.
Ora foi ai que descobri também como funciona o orgulho de ser Português, mesmo que esses 5 milhões saibam que estão vetados ao esquecimento por 10 milhões que por “opção” se encontram em Portugal. É verdade que nesta altura todos os políticos se lembram deles, porque aqui os seus votos contam a sério, é o voto pelo voto e não o método Dont das legislativas, aqui a comunidade portuguesa lá fora já é muito importante, ai e nas remessas (de dinheiro) que enviam para cá.



Também ai, na Argentina entendi que há uma outra forma de saudade. Quando alguém me respondeu a tradicional pergunta se tem saudades de Portugal. A resposta foi simples:
- "~Tenho saudades quando lá vou, da minha família que cá deixo, dos dois ou três mil portugueses que cá ficam, que são a minha família e com quem convivo e com quem conto, esse agora é o meu Portugal".


Apeteceu-me

"Somos o que somos e por nós respondemos". Charles de la Folie

quarta-feira, novembro 23, 2005

O Rei vai nu (alguém salve a Rainha)

Segui com particular (des) interesse, as várias festas de candidatura às próximas eleições Presidenciais. Não me tinha ainda pronunciado sobre o assunto porque… vá-se lá saber porquê! Não vou falar de nomes porque não quero influenciar ninguém. Porém houve uma candidatura que me despertou a atenção. Porque foi bem conseguida e concebida com imensa aquela expectativa. Gostei, muito da decoração, com muito decoro. Ora aqui está a palavra que eu procurava, decoro, uma palavra que sugere nobre e/ou nobreza. Mas estamos a falar de presidenciais! De eleições presidenciais, onde vamos escolher um presidente, não um… pois. E também não percebo esta quase mania pelo cargo. É verdade que Portugal é um país de cargos. De muitos cargos diga-se a bem da verdade.
Mas vejamos as coisas por um outro prisma: eu lembro-me quando era mais novinho, lembro-me que adorava brincar aos Reis, Rainhas, Príncipes e afins. Claro que os afins são os cavalos era sempre a personagem que me tocava. Isto de ser Rei tem muito que se lhe diga. Ou se é, ou não, não há meios-termos. Ou se nasce predestinado ou nem por isso. Não me lembro de ninguém querer brincar aos Presidentes, todos queriam brincar aos Reis, ser o D. Afonso Henriques, o D. Sebastião é que não, andava muito desaparecido apesar de dizerem que anda (va) por ai, por terras de Boliqueime ou coisa parecida. Quem é que queria - falo na minha época ser o Nixon ou coisa que o valha?

É verdade que há por aqui quem tente fazer da república uma monarquia e passar a pasta ao filho, mas não há pena que lhe valha. Do Palácio claro que fica para os lados da medieval Sintra. Depois há os cultos que vêm de leste com idealismos a cheirar a mofo mesmo com algumas cosméticas não resultam. Andar andam, mas pelas ruas da amargura. Os blocos como sempre deslocam-se a grande velocidade, se é verdade que as pirâmides foram construídas com grandes blocos, não é menos verdade que os blocos de gelo derretem-se e cá no nosso país à beira-mar plantado, é mais gelo!
A verdade é que a Monarquia tem “glamour”, basta olhar para as noites do Mónaco, ou para a Movida de nuestros hermanos, ou seguir os tesouros Suecos, ou os caminhos para norte da Noruega, dois países com o mais alto desenvolvimento humano, para não falar dos Vikings da Dinamarca, do Liechtenstein, ou do Luxemburgo onde a maior parte da População é Portuguesa e têm como ordenado mínimo 2 mil euros. Ou então usar umas tamanquinhas da Holanda e viver ao pé de um moinho. Já não me lembro porque é que estava a falar da monarquia. Também não interessa porque nos contos de fadas onde aparecem as princesas bonitas, elas acabam sempre com príncipes bonitos e isso deixa (va) -me sempre de fora.
O mais próximo mesmo que estivemos nos últimos anos de um Rei, foi mesmo de um bolo-rei e daquela mostra do bolo alimentar do dito cujo.


Apeteceu-me


"Onde está a nossa diferença para os animais, só se for na crueldade" Charles de la Folie"

segunda-feira, novembro 21, 2005

....

Aprendi uma coisa na Terra do Tango:




Que em casa a ultima palavra tem de ser sempre minha -"SIM QUERIDA!!"



Esta é do meu amigo Oswaldo

domingo, novembro 20, 2005

Um dia.....

Talvez um dia quando a civilização chegar a terra, eu volte.
Por enquanto sinto-me magoado, eu e a minha familia com algumas coisas que se foram comentando por aqui pondo em risco a minha relação.

Abraço.

Ps. parem de escrever em meu nome, eu ainda sei quem sou. Sempre gostei de gente anónima, mas não gosto do anonimato.



"Um dia quando crescer, vou ser criança." Charles de la Folie

segunda-feira, outubro 31, 2005

Sem sentido (único)


(…) Entranhava-se por todo o lado, enquanto no outro lado ou num outro lado, ou em lado algum mal havia espaço para algo se entranhar.

(…) Havia quem lhe chamasse um tiro no escuro, mas naquele dia nem tiros, nem escuro, era um dia entre tudo e nada, entre o escuro e o claro, entre o cinzento e o amarelo canário, entre o limbo e o centro de qualquer coisa.
Nas paredes mais indivisíveis que há memória, nasciam flores, flores de todas as cores e nenhuma. Eram umas paredes inclinadas para dentro e que nada suportavam a não ser cheiros de cores, umas garridas outras meio abrutalhadas. Como o tempo teimava em não aparecer, aquele espaço de tempo que se podia tornar intemporal para sempre, estava ali… mesmo ali a frente de um olhar entre o catatónico e o absurdo.

(…) Sentado naquela cadeira mais ou menos direita, mas já muito torta de tanto ser usada, pensava em soluções para o irresoluto ou coisa no género. Era uma maneira de estar sempre em movimento com ele próprio, com os seus pensamentos. A dúvida era a única maneira de sobreviver ao seu próprio tédio e fugir aos medos que o assolavam.


(…) No tecto de algo sem sentido e sem geometria, corria-se o risco de ficar preso num esboço de vida para sempre, poderia ser um esquisso que nunca iria passar disso mesmo. A obra final seria sempre infindável porque assim, como assim, nada teria fim e o princípio estaria demasiado longe para ser ponto de partida para novas viagens.



(…) Aquela chuva que se entranhava por todo o lado, enquanto num outro lugar….


Apeteceu-me


“Os fantasmas mesmo que do passado continuam a pairar como abutres do presente” Charles de la Folie

quinta-feira, outubro 27, 2005

A ARTE DO POSSÍVEL


Há alguns anos atrás um amigo meu que hoje é presidente do mais novo país do Mundo dizia-me que tinha aprendido no mato que politica é: -“ A Arte do Possível”.
Esta frase anda comigo há já algum tempo porque não a consigo entender. Não consigo perceber o que “ele” quis dizer com ela.

Nos últimos dias comecei a ouvir dizer aos políticos que: -“este orçamento é o orçamento possível”.
Fez-se luz, mas depressa se fundiu porque esse amigo meu era e é incapaz de trair os seus princípios. Podem-no acusar de muitas coisas mas nunca de traidor. Por isso é que fiquei às escuras!
Em causa as possibilidades do possível do nosso orçamento.
Acho (acho porque hoje certeza são cada vez menos), que ouvi há uns tempos que iam aumentar os impostos do tabaco e dos combustíveis. Para que não se pagassem portagens nas SCUTS e lá fizemos o “favor” de em Junho ou Julho começarmos a descontar mais uns “tustos” para a colecta.
Ora além de ouvir o Ministro das Finanças –, de quem não sei o nome e também não quero saber –, a dizer que para o ano (2006) provavelmente algumas SCUTS vão ter portagens e que no O.E. do próximo ano os impostos do tabaco e combustíveis vão aumentar (outra vez). Foi aqui que bloqueei por completo. É que ouvi o ministro, o tal que é Primeiro, dizer que este orçamento não contemplava aumento de impostos! Serei eu o doido ou a “Arte do Possível” é enganar o próximo? O próximo não, porque os que estão próximos “deles” estão todos bem.
Vamos fazer só umas pequenas continhas, e tentar entender como nos comem os impostos:
Para ir de casa para o trabalho tenho de ir de carro devido ao meu horário, e à hora a que saio não há transportes públicos (para onde vão impostos meus? Meus não. Nossos).
O carro quando o comprei tive de pagar IVA e IVVA (este ilegal, mas que se dane), mais o imposto de circulação.
Depois o gasóleo: penso que são setenta e muitos por cento de imposto, mas não contentes com isso, tenho de pagar a portagem da ponte que está mais que paga e re-paga. (é um imposto quer queira, quer não). Se pensar que não posso ir nu e a roupinha que trago no corpo teve de pagar 21% de IVA, a ouvir rádio para a qual pago na factura da EDP -, isto para não falar nos imposto que já tive de pagar à cabeça quando recebi o ordenado - e daqueles que pago quando vou às compras para comer…
O melhor é não pensar nisto, porque vou enlouquecer. Eu e os restantes 10 milhões de compatriotas, retirando apenas uns quantos eleitos que têm reformas quando querem e lhes apetece, carros pagos pelos nossos impostos, indemnizações a premiar a incompetência pagos pelos nossos impostos! E mais, mas não posso dizer…
Não devo pelo menos! Não seria educado nem ético da minha parte.
Será que é isto que o meu amigo queria dizer, com a frase –“A politica é a arte do possível”?

Afinal para que servimos nós? Só para pagar impostos? Se não sobra mais nada para gastar, como querem eles que se gere riqueza para o país? Só se quiserem que a gente vá roubar! Mas onde se está tudo vazio?
Desculpem a minha angústia mas é que eu tenho filhos pequeninos para criar e não sei que futuro estes”Políticos” lhe reservam.


Apeteceu-me


"Na impossibilidade de ser, há a possibilidade de acreditar" Charles de la Folie