terça-feira, abril 15, 2008

Apresentação - Como Matei o Ministro - Lisboa

Já está... Gostava de conseguir escrever sobre mim, mas as ideias desvanecem-se e prostram-se.
- Como Matei o Ministro - Foi apresentado em Lisboa, numa das suas últimas etapas de maturação -, agora há que o decantar e bebê-lo - calmamente.



Uma "grande" amizade entre nós - Zé e eu.


Um amigo do dia-a-dia - Carlos Silva



Gente Bonita em amena "cavaqueira"



As explicações sobre a "Morte" do Ministro

Apeteceu-me

"Por vezes numa linha paralela os sonhos e os pesadelos cruzam-se." Charles de la Folie

segunda-feira, abril 07, 2008

Depois de Santarém agora Lisboa

A Editora Contra Margem e o autor convidam-no a estar presente no lançamento do livro

- Como matei o Ministro – do jornalista Carlos J. Barros. A obra vai ser apresentada por Paulino Coelho, no dia 12 de Abril (sábado) pelas 17 horas, na Lisbon AD School,Rua Dr. Nicolau de Bettencourt nº 45A, 1050 - 078 Lisboa. ( Frente ao centro de Arte Moderna – CAM – Gulbenkian)




A Sala do Teatro Sá da Bandeira - Santarém



Eu, Paulino Coelho e Helena Mineiro - Contra margem -




Amigos de Sempre



Uma maneira diferente... de " Como Matei o Ministro" chegar longe
Apeteceu-me

" Perante as nossas dúvidas, deveremos avançar ao sinal dos amigos." Charles de la Folie

sexta-feira, março 14, 2008

Convite





Estão todos convidados

Apeteceu-me

"Aprender é o maior de todos os dons, por isso sinto-me um dotado." Charles de la Folie

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

...Sem fim

(...) Lembrei-me agora. Lá fora chovia, um cheiro infernal de ti escorria dentro de mim.

Cruzei os braços, sentei-me à tua espera – Pouco ou nada esperava. Não foi por isso que apareci, vim porque queria mesmo aqui estar. Nem sempre é possível, nem sempre quero e nem sempre queres. – Não escrevo estas palavras por me sentir abandonada -, sim abandonada, é assim que me sinto hoje. Nos outros dias não é tão forte, doí, mas não é tão forte. Hoje sinto aquela “coisa” dentro de mim. – Lembras-te de eu te falar! Deixa-me fazer outra pergunta, deixas? – Claro que deixas, não é verdade?! Lembras-te de mim? Das minhas feições, do meu cheiro! Só mais uma pergunta, será que posso? – Alguma vez te passou pela cabeça que gosto do Silêncio. – Não precisas estar calado, sabes que o ruído do teu silêncio magoa. É um contra senso, mas é a mais pura das verdades(...)





Apeteceu-me

"Os sonhos muitas vezes sonhados, não deixam de ser sonhos." Charles de la Folie

terça-feira, fevereiro 05, 2008

“Como matei o Ministro”


Como matei o Ministro será apresentado dia 5 de Abril em Lisboa e a 6 de Abril em Santarém –


Este novo romance nasce de um prazer espontâneo – sem artifícios – que surge ao correr da pena e consoante o meu estado de espírito.


Toda a trama narrativa gira em torno de Carlos A., das suas manias, medos, fobias e da sua obsessão em matar o Ministro das Finanças. “...todos os dias, sem se aperceber tem aquele ritual. Ritual sem ritmo e estrambulhado que acontece há tanto tempo que já quase nada importa. Custa ver-se assim, entre a morte e o estrebuchar para a vida. – Só assim se entende o difícil olhar para a rua, ver todas as manhãs a escuridão em que acorda e se levanta. – Difícil resgatar o Sol na penumbra daqueles olhos semi cerrados! Lógico acorda completamente deprimido a pensar naquela profunda solidão em que vai vivendo.


Carlos A. gosta de se deitar a pensar na sua vida danada e condenada, acorda a pensar de forma positiva - na vida danada e condenada.

“....as injustiças aborrecem-no, é uma das coisas que mais o aborrece. Sabe que a culpa não costuma morrer solteira, não costuma culpar ninguém...

- Ninguém não! Há evidentemente uma pessoa… – O Ministro! Ele que o atormenta há anos. O Ministro com a pasta das Finanças. Esse sim, o motivo dos seus pensamentos menos lúcidos – raramente deixa de pensar nele – uma obsessão….”




Carlos trabalha numa repartição de finanças, é um sujeito “...curioso, aquela cabeça nunca pára – apesar do seu ar, gosta de sonhar, é um sonhador nato. De imaginação cruel, cínica, mas hilariante, de um grande sentido de humor, rasgado por vezes de bafos de ódio. …”

Vive num mundo fechado, muito seu, até ao dia em que se apaixona perdidamente por Ana. “……. Não percebia o que se passava com ele. Toda aquela disfunção hormonal era irracional e incompreensível. Afinal Carlos A. estava apaixonado!...”

Esta força arrebatadora, esta paixão acaba por se impor e provocar em Carlos um desejo premente de mudança.

“……Porque não dizes tu o que gostavas que eu mudasse, que eu comprasse?! – segredou-lhe. Fez um sorriso timidamente malicioso e rematou.Gostava que me mudasses.

Ana esperou muito tempo por este dia, não enrubesceu como seria de esperar, simplesmente sorriu. Os seus lábios ficaram vermelho cereja. Os seus olhos ganharam um brilho especial. O seu corpo começou um diálogo sensual, entre a sua imagem e o seu querer. …”



Há um deslizar sob a superfície revolta do nosso quotidiano. A luta diária, a lufa-lufa da grande cidade, a corrupção, o poder do “grand monde”, a degradação de espaços, instituições… deste país à beira-mar plantado, surgem em pequenos flash.

Grandes valores da vida são abordados sem o recurso a um tom moralizante.

Não esqueçamos ainda o prazer dos sentidos, dos comensais, gastronómicos, dos odores inebriantes da nossa fausta cozinha, dos nossos vinhos… coloridos.



“…. Molharam os lábios mais uma vez com aquela dádiva divina, uma criação que por certo passou pelas mãos de Baco. Pareciam ter medo de beber em demasia, com receio que se acabasse ali o momento. Ergueram os copos em direcção ao céu – saudaram-se, no meio de um tilintar de vidro fino. ….”



“…. O vinho corria pelas gargantas qual prazer de quem escuta e sente música. A comida estava excelentemente confeccionada. Não era “nouvelle cuisine”, nem alta cozinha, era a cozinha do possível, por vezes – uma magnífica cozinha! .... Uma pequena delícia acompanhada com uma oferta, um excelente licor de zimbro fresquinho. Tomaram café, sentiam-se bem com eles próprios. … “



“…. Ali, o peixe do rio era famoso, gostoso, temperado segundo tradições antigas que chegavam de terras longínquas. Mas Ana vinha com vontade de comer uma chanfana. A sua falecida avó é que fazia muitas vezes, ela adorava – carne de cabra, velha de preferência, cortada aos pedaços… toda ela enfiada numa caçoila de barro negro. Muita cebola cortada às rodelas, alho, salsa, banha e vinho tinto do melhor que por aí se encontre, temperado por mãos sábias. Depois, num forno de lenha, cozinhar e embebedar a carne a gosto. ….”



Carlos A., Ana C., Alexandre V. são personagens fictícias, mas bem reais nos seus pensamentos, atitudes e desejos.

Terá Carlos a coragem suficiente para pôr em prática o seu maquiavélico plano –, num pequeno sorriso Carlos encontra o que perdeu outrora.





Apeteceu-me

"É preciso acreditarmos nas nossas paixões menos carnais". Charles de la Folie

terça-feira, janeiro 15, 2008

Linhas…

(…) Há uma linha onde se prende a minha vida. Todos os dias, quando me lembro que sou um sobrevivente, salta-me à memória, o pequeno monitor de hospital, de fundo negro, com uma linha contínua verde solto –, onde surgem os batimentos cardíacos. Ouço os apitos, num som estridente, que penetram pelo corpo e provocam pequenos calafrios. Quando se cala, é de vez, uma vida que se foi, uma alma que resta, muitas historias que se contam.

(…) Estava frio, o céu azul, a água calma e havia um silêncio gritante. Ao fundo uma linha, uma enorme linha, que dividia o finito do infinito. O azul mortal, com o azul celeste. Os olhos cerravam-se deixando uma pequena abertura para que o reflexo do sol na água não me ferisse a vista. Duas ou três gaivotas pareciam paradas no horizonte, mantinham-se numa linha que se formava mesmo ali, perdidas para sempre.



(…) Sentado à janela, via como ninguém o galgar de terra em direcção a mais um dia. Sentia o deslizar do comboio naquela linha de sentido único. Sempre os mesmos lugares, as mesmas paisagens, os mesmos cheiros. A senhora da passagem de nível parecia estar ali plantada há séculos. – Com uma bandeira vermelha, de cor já muito comida de tantos anos naquela posição. Naquela linha, perdera-se há muito –, a pouca terra.



(…) Naquela manhã, ouviu-se mais uma vez o grito ríspido do comandante do pelotão. Estava, frio e enevoado, a humidade caía insistentemente. O corpo cravava-se naquela posição durante tempo demais, os músculos ficavam dormentes, a cabeça deixava de ser racional. As ordens rompiam em ecos muito profundos dentro de um estado de espírito que não existia. Tudo em nome de uma disciplina rígida, para uma guerra que não havia. Em nome de uma linha e de uma linhagem imaginária.



(…) A luta parecia desigual. Durante minutos, largos minutos, ali estava ele, de mão firme. Uma mão no punho da cana, outra no carreto. A cana vergava, entre puxões de parte a parte. O anzol cravara-se na boca do peixe, que lutava desesperadamente pela sobrevivência. Do outro lado com mestria, um estranho bailado na esperança do seu opositor se render -, entre avanços e recuos. Um impasse – a linha parte-se.




Apeteceu-me

"É muito ténue a linha que separa a nossa imaginação da realidade". Charles de la Folie

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Não me lembro...


(…) Cruzava-me entre o nada e o tudo. Era dia, não um dia do mês, mas mais um dia numa vida que se queria, entre a esperança e a ansiedade –, de não a ter de desdenhar. Um sorriso, mais um passo no vazio que se preenche com um futuro que rapidamente nos presenteia com o passado. Entrelaçava os dedos, suspirava fundo, tentava esquecer os pensamentos rotineiros das verdades indesmentíveis que não fazem qualquer sentido – só por isso falsas.

(…) De braços abertos à espera de um corpo para abraçar, contento-me com a aragem que me envolve. Descubro bem no fim do meu olhar aquilo a que chamam o horizonte, perfilo-me na sua direcção, mas permaneço imóvel. Só o olhar, numa desenfreada luta com o convencional, o puxa (horizonte) em direcção à minha alma. Espero pelo embate, fecho os olhos e sinto-o a chegar –, mais uma vez dou por mim de braços abertos.


(…) O rio corre barrento, lá dentro milhares de muitos quês e porquês. Está na hora de deixar de pensar. Afinal tudo existe, realmente tudo depende de tudo. O barco que só faz sentido na água, o óbvio que só é óbvio por isso mesmo e a disciplina, só o é pela indisciplina. Cruzo-me em mim e por mim. Desfaço as probabilidades de me duplicar, resisto à tentação de me banalizar e permaneço – por vezes eu.



(…) Pertenço às palavras que não sei escrever, mas sinto-as. Quero-as por direito de as poder repartir. Ouço a música que chega do fundo, bem do fundo das minhas fantasias. Um dia vou rescrever uma vida inteira de pequenos nadas, há procura de um enorme tudo. Depois tocarei, com a ponta dos dedos nas melodias que se tornam opacas e em tons garridos. Depois do alto da nuvem que um dia conquistei, liberto-me e deixo-me cair.


(…) Lembro-me e relembro-me, do dia em que as ondas cresceram. Ficaram tão altas como o convencimento de alguns simples humanos. Volto atrás, lembro-me e relembro-me, do dia em que as ondas cresceram –, repito-me. Estavam altas, mas só me lembro da grandeza da natureza que nos percorre e nos deixa percorrer. Um dia sonhei ser o vento, nunca mais deixei de sorrir, no dia em que fui mar, cresci meio metro na minha humildade, outro fui chuva, no outro fogo – e hoje sou eu.



Apeteceu-me

"O óbvio nem sempre é o mais sensato". Charles de la Folie