segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Uma pequena brisa



(…) Perco-me por entre palavras que são sopradas por ti. Ultrapassam – as palavras ditas - as vontades, despertando o pequeno arrepio que me percorre as entranhas. Um pequeno recado de uma odisseia audaz, é tua e minha. Basta apontar – com um simples gesto do indicador –, para perceberes o sinal, mesmo que sejas volúvel e indeterminada. São dias imaginários em que me apercebo do teu sabor e fragor. Lá longe de onde tu vens emancipada e indelével, como a poesia que vou rescrevendo ao teu sabor. Eu sei que pertences ao mar.

(…) Nem sempre posso imaginar com destemor os princípios da tua lealdade. Sempre no feminino, sempre inteligível, sempre constante. Aprazível é essa a palavra que procuro debaixo do sabor intenso da tua crueldade. Fiel ao principio de que és capaz de me derrotar pelo instinto. matas-me na insegurança em que envolves. Porém o beijo matinal por mim todo, afasta de mim os demónios que ocupam durante as noites. Viajas na abundância dos Deuses e por eles gritas no teu sopro.

(…) Não me lembro ao certo o dia em que me relancei sobre o silêncio que nos ocupa. Nem sei na realidade se esse silêncio existe. As dormências que me vão ocupando por vezes enganam-me e lançam-me falsos cenários. Desperto novamente do desacerto em que a minha consciência se mantém. Junto-me ao limbo dos mortais e procuro-te mais uma vez e descubro o teu reflexo. Chegas perto de mim num grito que envolve – mais um – e me alimenta a vontade.

(…) Um suspiro, percebi agora que ages como um suspiro, um leve e ruidoso vagido de persistência. Acordaste agora mesmo de dentro daquele pequeno imago. Olhei-te da minha janela, sabia que por lá andavas, ouvia o barulho do mar – e que bem que ele cantava – devias estar por perto a embala-lo. Eu sei que és destemida, mais uma vez beija-me o corpo e ajuda a que a minha mente expulse a prostração que me amarra. Mais uma vez foste conselheira do vazio que nos enrola.

Apeteceu-me

“As palavras nem sempre são usadas, outras porém são ousadas” Charles de la Folie

11 comentários:

Vida Hi-fi disse...

Gosto de te ver inspirado.
Bela brisa marinha... esta que veio dos lados do mar! ;-)

Beijos

frAgMenTUS disse...

"se o mar te beija, e embala, em sopro de brisa, então é pk a tua lágrima já foi minha e o teu ondular, o meu amar" - apeteceu-me :)

lindo texto!!!

bj

Brisa em ti disse...

A brisa é amante do (a)mar...
Estas palavras assim o demonstram.
Um sopro de brisa marinha

Brisa em ti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cris Animal disse...

A espera de um novo recomeçar ou retomar de onde deixou ficar, em algum lugar...em algum tempo. Tempo latente! Emoção presente demais.
Texto lindo.
A espera do mar...o mar que nunca espera!
beijo
..............Cris Animal

Cris Animal disse...

A espera de um novo recomeçar ou retomar de onde deixou ficar, em algum lugar...em algum tempo. Tempo latente! Emoção presente demais.
Texto lindo.
A espera do mar...o mar que nunca espera!
beijo
..............Cris Animal

as velas ardem ate ao fim disse...

Pequena brisa??

se eu tivesse uma brisa assim era feliz.

um bjo

★ Aralis ★ disse...

Abençoada brisa...
e abençoada inspiração....

como sempre uma leitura cativante.
bj

o Nosso cAstelo disse...

tens um 'desafio' de fantasia lá no Nosso cAstelo, caso te sintas inspirado a aceitar...bj

http://princesadragao.blogspot.com/2009/06/fantasia.html

Anónimo disse...

vejo-me aqui triplicada...rs
bj, ana

o Nosso cAstelo disse...

bj grnd para + um lugar de mim :)