quarta-feira, janeiro 20, 2010

"La vie en Rose"

Não é fácil recordar palavras que nunca tinha ouvido ou presenciado. Eu estive lá, por isso conheço-as. Estranho sentimento este. Um vazio apodera-se do meu estômago, forma um buraco sem fundo que se vai engolindo a ele próprio, numa espiral perplexa. Cada carta que abro, nasce uma nova história, um novo desafio. Há um paralelismo em cada momento, que é vivido intensamente neste desembrulhar de mistérios. Torna-se um vício, uma droga, um desesperado acto de degustar a historia que não conheço e da qual faço parte. As mãos param, enquanto solto o olhar inexpressivo sobre as palavras que germinam no papel branco – fictício – do meu computador. Olho-as e sinto-as aproximarem-se de mim sem que elas me digam alguma coisa. Não as consigo ver, muito menos ler. Saem, apenas isso. Soluçam tal qual o choro sentido de uma criança que se esconde no canto escuro de uma sala imaginária, onde as sombras se debruçam num apelo que se rasga com o passado. Pergunto ao tempo onde posso procurar as lágrimas que se desprenderam deste amor. Pergunto ao tempo, quanto dele falta para entender o que escuto, quanta alma é precisa para se escrever uma história que é construída a partir de uns olhos que se cruzam entre grades. Uma história que se fecha e abre num plateau perfeito, no qual não foi permitida assistência.


Apeteceu-me

"Não há silêncios que nos ensurdeçam, mas há agonias que nos matam" Charles de la Folie

2 comentários:

Uma boa parte de mim disse...

E pronto, casa mudada para aqui...
http://deixaentrarosol2.blogspot.com/

em contrapartida já vi que há muito tempo não limpas a tua!Anda para a li Um outro lugar de mim cheio de pó!!!

Beijo grande.

Cristina disse...

Gosto do que escreves.
Sempre e incondicionalmente gostei.

Tudo de bom para ti!
CPB