quinta-feira, outubro 13, 2005

F.D.P de País


Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Gosto de duvidar, não por não acreditar em algo, mas porque gosto que me expliquem os porquês das “coisas”.
Gostava de entender porque somos os maiores em recordes. Não há recorde nenhum em que não estejamos metidos.
Meter também é um argumento nosso. Metemos umas lanças em África e metemos uns Portugueses em todos os locais do Mundo onde existe uma catástrofe. Basta ver as notícias:
- Rebentou um saco de água quente, no Barlaquistão Noroeste (isto dito, com uma voz forte do pivot e um ar de apreensão), “houve duas vítimas neste acidente” (aí as pessoas em casa ficam logo em êxtase sempre na esperança que esteja por lá um Português), “destas duas vitimas ainda não há a confirmação das suas nacionalidades, mas há fortes hipóteses que um deles seja um português”.
(o país entra logo em depressão, mas ao mesmo tempo com um enorme orgulho nacionalista. Afinal há um português no desastre do Barlaquistão noroeste).
A verdade é que passamos a vida a tentar descobrir a desgraça de um português em qualquer parte do mundo e em qualquer catástrofe, mas não era sobre isto que eu queria escrever. Acho que me perdi!
Ah, falava que somos os maiores em recordes é verdade! Somos até os recordistas do maior pão com chouriço do mundo, do maior bolo-rei do Mundo claro, (também não há bolo rei em mais parte nenhuma do mundo).
Só não compreendo uma coisa: o que ganha o nosso país com esses feitos? Prestigio?
Não me parece. Penso que devíamos agarrar em nós e com a força que temos de ultrapassar recordes, tentarmos ultrapassar esta crise que teima em ficar. É verdade que é muito complicado, com as indemnizações chorudas que se continuam a pagar por aí a gente que pouco ou nada fez. Será que queremos bater mais algum recorde?




Post-scriptum
– Eu que queria falar porque é que a prevenção rodoviária em Portugal é tão má. Imaginem os cofres do Estado sem mais estes milhões de Euros que entram à custa das multas! É certo que não respeitamos muito o próximo na estrada, mas também podia haver uma atitude mais pedagógica por parte dos senhores Agentes, que multam cegamente.

Apeteceu-me.

"Os dias chegam com hora marcada, a nossa paciência é acumulada de vespera" Charles de la Folie

27 comentários:

Adryka disse...

Olá Carlos como sempre és fantásticos na escrita é tão bom chegar aqui e parar por uns momentos e ler, de alma aberta que bom adorei e quanta falta me fazia um post assim. Beijo

TMara disse...

ora vica;) já me ri com o teu texto...Mas achas k alguém sabe pq estas entradas no GUiness????Ora....Bom f.s

Isabel-F. disse...

adorei....

5 estrelas...
parabéns pelo humor...

Bjs

Talk Talk disse...

Realmente esta história do Guiness já parece uma obsessão. E os disparates que se arranjam como recordes?!
De facto não existe prevenção rodoviária. A multa não passa dum negócio e a grande estratégia da Brigada de Trânsito é “caçar” e não prevenir acidentes. No entanto existe uma péssima educação rodoviária em Portugal por parte dos condutores, que transforma tudo isto no jogo do gato e do rato.
Um abraço.

Maria Manuel disse...

Et c'est sur qu'il en a, J., des couilles?!...

lawrence of south margin disse...

Ué Charles: vous êtes toujours très kaustik (mais une pêche sans caroço)...

Su disse...

gostei de ler
e fiquei pensando será q essa cena das multas, não é para entrarmos tb no guiness......fdp (filho dum portugues)
jocas maradas

pisconight disse...

Ó Carlos,

O portuguesinho está sempre à espera da desgraça, minto, está sempre à procura da desgraça. Se a merda acontecer em Portugal é fixe (há portugas de certeza metidos), se acontecer no estrangeiro, há uma dose de people a rezar para que haja portuguesinhos.

Enfim. Há e não vou falar dos records nem da polícia, porque senão não saía daqui hoje.

Um abraço.

Lolita disse...

nao percebi a cena da mentira mas pronto lol. =) se calhar gostamos tanto do guiness pq se calhar eles ate pagam as pessoas por isso loool beijinho **

webdreamer disse...

Não são só os acidentes que têm que ter portugueses à mistura. Todas as estrelas do cinema, de música, ou de fútebol. Também têm que ter familiares portugueses. Descubri que o Zidane é trisneto da sobrinha do amigo da tia da mãe do merceeiro do avô do padrinho do genro de um português. Logo, Zidane é português. A lógica aristotélica e a da batata...

inconfidente disse...

O meu marido uma noite quando íamos a sair de uma discoteca em Lisboa, e depois de ter bebido 2 ou 3 vodkas, dirigiu-se a um guarda que ali estava numa operação stop e disse-lhe que queria fazer o teste do alcool para saber se podia conduzir ou se deveríamos ir de taxi para casa...resposta do agente:
Não temos muitas agulhetas e elas são caras.
Mas se entrassemos no carro, o mais certo seria mandarem-nos parar e assoprar. é o que tu dizes...é uma caça à multa.

gato_escaldado disse...

o peito cheio de ar e os fundilhos rotos. e de quando em vez um "mijarete". qual crise? até a comeeeemoooooos. ora...

abraços

Paula Raposo disse...

E a paciência tem limites...música espectacular!! Acho óptimo que continues a dar castanhada naquilo que é preciso!! Beijos e bom week end

heidy disse...

Opah, por isto temos o fado! né?

besos

Tânia disse...

Claro que o bolo é bom porque achas que foi tanta gente, todos queria provar... ;)
Seu provocador...

Beijinhos Tânia

lawrence of south margin disse...

mais uma multa prá colecção? quantas faltam para completar a caderneta?

Amante da Poesia disse...

Olá

Gostava de te convidar a conheceres o meu blog.

É um tributo aos poetas lusófonos.

Espero lá por ti.

Rosa Maria disse...

Oi amigo Carlos, que bom te receber no meu cantinho, foi um prazer, e me amarrei na música do teu blog, Gabriel O Pensador, me amarro nele. Voltarei outras vezes aqui, com certeza.

Um beijo no seu coração.

Rosa Maria disse...

Qto ao comentário sobre as cobranças de multas, aqui no Brasil é exatamente a mesma coisa, todos querendo levar vantagem.

Um beijão.

Tribunal_Beatas disse...

Eu pelos vistos não faço como a maioria das pessoas, que estão sempre à espera que esteja um português em cada lugar onde haja uma catástrofe. Mas deixa-me ir ao assunto antes que me perca também.
Vejo isto dos recordes como uma maneira de pôs o país num livro para estrangeiro ver, e provar também aos ignóbeis dos estranjas que Portugal é um país autónomo que de província espanhola tem só mesmo o facto de haber portugueses (tambés eles com uma certa dose de "ignobilidade") a querer que Espanha tome isto tudo e nos faça começar a falar castelhano.
No entanto, não deixo de concordar contigo em praticamente tudo o que escreveste ;)
Bom fim de semana

Tribunal_Beatas disse...

Só para dizer que onde se lê "pôs" deveria ler-se "pôr" e onde se lê "haber" devia ler-se "haver" (não é influência da pronúncia do norte ou algum estrangeirismo) :)

lawrence of south margin disse...

Ser português é :

Guardar aquelas cuecas velhas para polir o carro.

Criticar o governo local mas jamais se queixar oficialmente.

Guiar como um maníaco e ninguém se importar com isso.

Viajar pó quinto do caralho e encontrar outro Tuga no restaurante.

Ninguém saber nada do nosso país excepto os Brasileiros e os Espanhóis que gozam dele.

Levar a vida mais relaxada da Europa, mesmo sendo os últimos de todas as listas.

Receber visitas e ir logo mostrar a casa toda.

Dar os máximos durante 10 km para avisar os outros condutores da polícia adiante.

Ter o resto do mundo a pensar que Portugal é uma província espanhola.

Exigir que lhe chamem "Doutor" mesmo sendo um Zé Ninguém.

Exigir que o tratem por Sr. Engenheiro mas não tratar ninguém com outras profissões por Sr. Pintor, Sr. Economista, Sr.Contabilista,Sra.Secretária, Sr. Canalizador, Sra.Cabeleireira.

Passar o domingo no shopping.

Tirar a cera dos ouvidos com a chave do carro ou a tampa da esferográfica.

Axaxinar o Portuguex ao eskrever.

Gastar 9 mil contos no Mercedes C220 cdi, mas não comprar o kit mãos-livres porque "é caro".

Já ter "ido à bruxa".

Filhos baptizados e de catecismo na mão mas nunca pôr os pés na igreja.

Ir de carro para todo o lado, aconteça o que acontecer, e pelo menos a 500 metros de casa.

Lavar o carro na fonte ao domingo.

Não ser racista mas abrir uma excepção com os ciganos.

Levar com as piadas dos brasileiros, mas só saber fazer piadas dos alentejanos e dos pretos.

Ainda ter uma mãe ou avó que se veste de luto.

Ser mal atendido num serviço, ficar fodido pa vida mas não reclamar por escrito "porque não se quer aborrecer".

Viver em casa dos pais até aos 30 anos.

Na terceira idade, pendurar o guarda-chuva nas costas.

Acender o cigarro a qualquer hora e em qualquer lugar sem quaisquer preocupações.

Ter pelo menos 2 camisas traficadas da Lacoste e 1 da Tommy (de cor amarelo canário e azul cueca).

No restaurante largar o puto de 4 anos aos berros e a correr como um louco, a incomodar os restantes tugas.

Ter bigode e ser baixinho(a).

Conduzir sempre pela faixa da esquerda da auto-estrada (a da direita é para os camiões).

Ter o colete reflector no banco

Pendurar o cd no retrovisor para "enganar o radar".

Ter três telemóveis.

Jurar não comprar azeite Espanhol nem morto, apesar da maioria do azeite vendido em Portugal ser Espanhol.

Organizar jogos de futebol solteiros e casados.

Gastar uma fortuna no telemovel mas pensar duas vezes antes de ira ao dentista.

Cometer 3 infracções ao código da estrada por quilometro percorrido.

Freddy disse...

Engraçado pq ainda no outro dia estava exactamente a pensar nisto...
Para quê tantos recordes? É isto q nos dá glória e enche a barriga?

Abraço da Zona Franca

Leonoretta disse...

ola carlos. obrigado pela visita. concordo com o titulo do teu post

e com todo o resto evidentemente.

abraço da leonoretta

mocho disse...

Costumamos falar todos ao mesmo tempo, não é? A explicação está na génese!!! PIU! Agora vou ver a parte final do futebol e ouvir as explicações soberbas e sublimes dos fins dos jogos, neste caso: o Porto dizer que perdeu mas não perdeu porque o que perdeu foi pouco comparado com o que não perdeu e o Benfica dizer que ganhou mas podia ter ganho mais visto ter ganho o que ganhou, ganhando o que tinha para ganhar.

individuo disse...

Nós, portugueses, estamos em toda a parte, é incrivel. E estamos mesmo em territórios inpensáveis, mesmo nos confins do mundo. Faz-nos lembrar que somos um país pequeno.

Raquel V. disse...

Soltei uma gargalhada e fiquei a pensar no bolo rei...