segunda-feira, outubro 31, 2005

Sem sentido (único)


(…) Entranhava-se por todo o lado, enquanto no outro lado ou num outro lado, ou em lado algum mal havia espaço para algo se entranhar.

(…) Havia quem lhe chamasse um tiro no escuro, mas naquele dia nem tiros, nem escuro, era um dia entre tudo e nada, entre o escuro e o claro, entre o cinzento e o amarelo canário, entre o limbo e o centro de qualquer coisa.
Nas paredes mais indivisíveis que há memória, nasciam flores, flores de todas as cores e nenhuma. Eram umas paredes inclinadas para dentro e que nada suportavam a não ser cheiros de cores, umas garridas outras meio abrutalhadas. Como o tempo teimava em não aparecer, aquele espaço de tempo que se podia tornar intemporal para sempre, estava ali… mesmo ali a frente de um olhar entre o catatónico e o absurdo.

(…) Sentado naquela cadeira mais ou menos direita, mas já muito torta de tanto ser usada, pensava em soluções para o irresoluto ou coisa no género. Era uma maneira de estar sempre em movimento com ele próprio, com os seus pensamentos. A dúvida era a única maneira de sobreviver ao seu próprio tédio e fugir aos medos que o assolavam.


(…) No tecto de algo sem sentido e sem geometria, corria-se o risco de ficar preso num esboço de vida para sempre, poderia ser um esquisso que nunca iria passar disso mesmo. A obra final seria sempre infindável porque assim, como assim, nada teria fim e o princípio estaria demasiado longe para ser ponto de partida para novas viagens.



(…) Aquela chuva que se entranhava por todo o lado, enquanto num outro lugar….


Apeteceu-me


“Os fantasmas mesmo que do passado continuam a pairar como abutres do presente” Charles de la Folie

21 comentários:

lawrence of south margin disse...

Há muito tempo que não tinhas um dia sem seres lixado pelo sistema, não é?

Mantenhas para quem trabalha...

Su disse...

gostei de ler-te neste sem sentido, entranhado pelo aburdo do nada, do vazio na solidão, da recordação do passado
gostei das fotos
jocas maradas

Elsa disse...

continuo a dizer que gosto sempre é de ficar a pensar nas frases que por aqui deixas...
A porcaria dos fantasmas é que lixam sempre tudo... LOl
beijo de bom feriado (se o tiveres)

chaka disse...

eu gosto de flores.
e de cheiros de cores.
e gosto do k escreves :)

(talvez qdn tiver a tua idade, o k eu escrevo ja tenha passado. vai ser assim, não vai?)

bjinho*

Carol disse...

Carlos,

Tks pela visita ao Sunny!
Só para esclarecer, eu sou venezuelana e moro cá, não ao contrário! ;) O meu profile diz Venezuela por uma questão de... globalização, talvez!:P:P:P é a minha marca!

Já agora, tu trabalhas cá em Pt, né?

Betty Branco Martins disse...

Olá Carlos
Adoro "viajar" nestes teus textos


Memória
sempre em construção
descobre
e sonha com horas arquivadas
na chuva
e nos gestos
procura
imaginar todos os lumes
na breve
legenda
de
um mapa das estações...

Beijinhos

Lisbon disse...

adorei o teu post. isto pra engatar miudas e' do melhor loool

se tiveres tempo, pachorra ou mau gosto da' uma passadela no meu mui futil blog

cumps
SNACKBLOG84.BLOGSPOT.COM

Paula Raposo disse...

E...os fantasmas do passado, vão desfilando entre o tudo e o nada. Acontece, mesmo quando não apetece! Muitos beijos para ti, bom feriado, gostei...óbvio.

Lana disse...

isso faz-me lembrar a frase " possado nunca sabe o seu lugar...está sempre presente"

Micas disse...

Gostei deste teu "sem sentido" para mim com muito sentido mesmo, porque o nada pode estar cheio de tudo.
Há sempre boa música aqui,
Psycadelic Furs?? corrige-me se estou em erro.
Bom feriado

pergunta disse...

e os fantasmas do presente?

Anónimo disse...

The ghosts of the present are very little creative beyond will walk always lost and busy it admire his navel.
It asks answered or need more sauce???

stillforty disse...

Era um dia como os outros
e ela pensou que nada valia a pena, entre o limbo e o resto de qualquer coisa.

Adormeceu e sonhou que "ele" estava ali, como antigamente. Era o dia 1 de NOvembro de 2005. Acordou! Ele não estava, ele tinha partido há 8 meses. Para sempre, numa ida sem volta. A última viagem!

Raquel V. disse...

O passado é um dado adquirido.

a outra disse...

tanta assombração! quem anda a assombrar o meu amor?

opera phanton disse...

It will be that in this day of Witches itself is going to telephone to all of the saints?

heidy disse...

Tudo tem de ser resolvido, senão, voltamos sempre ao mesmo ponto de partida. :)



PS-Mission é quando o Homem quiser! :p

quem tudo quer tudo perde disse...

carlinhos, vê lá o q andas a fazer...
a vida não está aqui...
apenas um bando de frustradas...

moonj_Rita disse...

O passado faz parte de nós, mas não nos deve assombrar ou restringir.

Lumife disse...

Cá estou de novo, de regresso ao cantinho dos amigos e amigas, a agradecer as palavras deixadas no "Beja". Foram uns dias maravilhosos onde só faltou a tua presença. Espero que possas arranjar uma oportunidade e fazer uma visita a Alvito onde tanto há para ver.

Binoc disse...

Hum ????