
(…) A vergonha é coisa que pouco ou nada importa, ali não se passava nada que a pudesse envergonhar. A sua vida sempre primou pela lisura e pelo bom senso.
Aliás nada que fizesse dizia respeito a alguém a não ser a ela, quem quer saber quantas mãos já lhe afagaram o corpo, quantas línguas já lhe descobriram os seus segredos.
(…) Aquele charco ou chabouco como se chamava na minha terra, a água vinha das chuvas, daquelas chuvas que nos tornavam os dias nostálgicos nas manhãs de Inverno, onde os sonhos se tornavam cinzentos como as nuvens, como alguns lampejos pensamentos de que se tornavam luminosos como os relâmpagos.
(…) Sentia-se calma apesar daquele respirar mais profundo de quem está prestes a ter uma torrente de emoções que percorrem o corpo todo, estava sozinha em casa, as suas mãos percorriam o seu corpo de uma forma mais ou menos ternurenta, não que fosse natural, mas apetecia-lhe sentir-se, sentir aquela forma abrupta de ….
(…) Gostava de nadar naqueles charcos de se despir por ali, sabia que ninguém iria aparecer… aquelas águas eram demasiado salobras para alguém as tentar sentir a violar o corpo… tinham demasiadas eroses e cobras de agua, que gostavam de se roçar pelos seus corpos…
(…) Viajava a espaços, pelos silêncios de sua casa, as cortinas a bater nos móveis para sentir a aragem fresca, naquele turbilhão de emoções onde o seu corpo se espraiava por cima do sofá, sentia uma musica na sua cabeça que faziam as suas mãos deslizar por si, a sua imagem parecia projectar-se pela sala… com vários prazeres.
(…) A ponta dos salgueiros que tocavam naquela agua meio esverdeada dos limos e dos musgos que se encontravam no fundo do charco, adorava ouvir o coachar dos sapos ou das rãs, andava por ali, só o murmurar das arvores e da vegetação nada rasteira, se sobrepunha ao barulho do rasgar da agua naqueles mergulhos calmos e elegantes.
(…) O despertador tocou, espreguiçou-se, esfregou os olhos, sentiu o cheiro do campo, daquele charco onde brincava á mais de sessenta anos o seu corpo estava mole e húmido de quem tinha acabado de ter uma noite de sexo. Puxou de um cigarro olhou para o lado viu que estava sozinha olhou para o espelho e sorriu.
Apeteceu-me
“A nossa vida é (e)terna enquanto duramos” Charles de la Folie









