quarta-feira, julho 27, 2005

ESPIRAL


(…) Procurava a uma velocidade incontrolável o inexplicável.
Os dias passavam, a floresta crescia, a vida... Essa ia passando… Grande parte das vezes ao lado.


(…) Nunca me disseram nem quiseram dizer que afinal tudo não passou de uma ilusão óptica, mas esteve lá, mas realmente já não está. Não era o mágico, os trapezistas fugiram e o malabarista estava calmo e imperturbável, era uma ilusão óptica que se encaixava numa mente que mente…

(…) Chorava… naqueles dias de chuva fria, nem o calor do coração aquecia as pobres almas que não entendem o que procuram… mas viajam, procuram, e a frustração de não encontrar é grande e o cadafalso ali tão perto.

(…) Foi naquele dia que olhou para o vazio e nada encontrou, era mesmo um vazio a alma não estava lá, naquele sítio… estava um enorme buraco no seu ego (centrismo).

(…) A mente estava em ebulição, mas o seu corpo fugia, não sabia para onde ia, estava farto de acompanhar aquela espiral de coisa alguma. Desconfia, de si, da sombra, de tudo desconfia que não há nada para desconfiar mas sim para desfiar.


(…) Cai a noite, cai a vida, cai o sono e o sonho, está na hora de acordar, os dias passam e não há forma de os agarrar e envia-los de volta, é como o tempo que não existe mas não para de passar e de nos levar… todos os dias um pedaço… essa carne que esvazia e dá lugar ás rugas, está mole a vida… está mole.

(…) Tranquilo, tranquila.. A verdade vagueia por ai foge as desconfianças.. Mantém-se imperturbável… vive e deixa viver. Passa e deixa passar… a brisa mantém-se a bater-lhe na face até o sorriso se abrir. Tudo não passa de uma ilusão.

Apeteceu-me

"Porquê procurar o que não existe se a felicidade é real?!"
Charles de la Folie

RAIO de LUZ



(...)Nada de muito especial – Um dia normal, cheio de luz e energia que chegava, para... para isso mesmo. Nesse dia, nesse mesmo dia descobriram que a Terra girava a volta do Sol, mas nesse dia não era isso que importava. Aliás que importa que a Terra gire a volta do sol, isso importa ?!

(...) A Luz chegava numa espiral, parecia um sonho, talvez um milagre naquele sitio a Luz era mais brilhante, mais... mais muitas coisas, parecia ter estrelinhas, muitas estrelinhas a brilhar, parecia magia, um raio de Luz a sair de uma varinha mágica, mas ali, naquele espaço onde as flores estavam mais brilhantes, estupidamente bonitas e delicadamente compostas, não havia mais nada, a não ser aquelas bonitas flores e erva, erva selvagem que bailava ao sabor do vento que a espiral de Luz fazia...

(...) Espreguiçava-se, estava deitado naquele campo verdejante acabado de sair de um livro, de um belo livro de histórias de encantar, belas historias imaginárias que brotam de um sem numero de páginas que se escancaram de prazer, que se lêem como quem come cerejas.
Levantou-se, olhou para o céu, levou as mãos a cara e esfregou os olhos despertou daquela sesta que tão bem lhe sabe, correu para o ribeiro para lavar a cara e.. no reflexo, viu, pois viu...

Raio de Luz

(...) Atirou-se lá de cima, ninguém estava a espera, nem ele. O dia tinha sido de festa, mas a reacção foi espontânea, talvez premeditado, o sinal parecia obvio.
Naquele trajecto, curto trajecto ouviu-se um grito que arrepiou toda as redondezas. O grito veio de dentro, veio da alma, chegava e sobrava para afastar o medo.. foi o seu primeiro salto e de certo o ultimo. O burburinho que se ouvia o diz que disse, era que ao fim de tantos anos ele conseguiu.

(...) O dia era especial, muito mesmo, podia-se dizer que... era o principio de muitos, muitos dias a dois, ou a três, ou a quatro, não importava, a quantos seriam.. mas era o principio do fim...ou o fim do principio... mas que importava, conseguiu dizer o que lhe estava na alma há muitos anos.

Apeteceu-me

"Nem sempre a Luz nos encandeia, ás vezes ofusca-nos"Charles de la Folie

domingo, julho 24, 2005

SEI LÁ

Sei Lá




A vida, a vida.. ora,qual vida qual coisa, qual porra...
Porque será que tenho de pensar nesta coisas, além do mais nem bizarras são.
Sei lá porque tenho de andar sempre a pensar, pois, porque tenho de pensar, não quero pensar, não me apetece cansa-me.
até porque as coisas que mais gosto estão sempre presentes, ainda bem, porque quero muito, mesmo muito que estejam presentes.
Hoje estou gasoso. Pensando bem, este texto não tem razão de ser...porque tenho muito para sorrir, afinal..tenho muito para sorrir.(ponto final, paragrafo)
Não vos quero contar,(nem vou) mas estou feliz, feliz por ter "amigos". Fazem parte de nós, de mim ..e fazem-nos bem. Não falo só dos amigos, mas essencialmente deles.
Estou contente por um deles, amigo claro, ter insistido para que eu escrevesse.. e com isso, ter tido uma experiência incrivel
Eu e o meu filhote...(do caraças senores ouvintes, do caraças)
pode ser que um dia vos conte mas...vão sonhando com isso...
aliás estou a procura de um final para esta história. mas não procuro um final...procuro aquilo que tenho a felicidade...hoje afinal de contas sinto-me uma pessoa feliz... sem desertos alguns.

Apeteceu-me

"Sou o que sou e por isso serei sempre."
Charles de la Folie

quinta-feira, julho 21, 2005

APARÊNCIAS


Aparências


Porque será que os Portugueses gostam de viver de aparências? Porque será que queremos ser sempre mais do que os outros?
Porque é que até nas catástrofes temos que procurar incessantemente um português, para dizermos que estávamos lá? - Mesmo que esse português seja Colombiano! - (Será que ele vai processar Portugal por danos morais irreparáveis e por lhe chamaram Português?).
Ando cheio de dúvidas existenciais. Porém a grande verdade é que vivemos de aparências. Queremos mostrar que somos os maiores, mas depois não temos onde nos agarrar, mostramos o nosso provincianismo em pequenas coisas: compramos “Donna Karan”, nos “ciganos” com padrões da Tommy. Já vamos voltar à roupa. A verdade é que queremos ser sempre mais que os outros!
Como disse, há uns tempos o arrastão não tinha sido nenhum arrastão. Para variar ninguém me levou a sério e agora chegaram à mesma conclusão do que eu: o arrastão de 500 pessoas afinal só tinha sido de 20 e de arrastão passou a escaramuça!
E sabem o quanto vai custar a Portugal esta mania das grandezas?! - Eu não imagino. Todavia a imagem que passou lá para fora, é que isto é um país de marginais, e que estas coisas acontecem diariamente. E agora? Quem paga estes danos? - Lembro-vos que somos todos nós que temos a mania que somos mais do que somos. – Não basta parecer. Temos de ser.
A minha mãe sempre me disse: -“ não podes ter mais do que ganhas” – e lá me fui acostumando ao longo dos anos. Os Portugueses deveriam seguir este exemplo. Eu tenho dificuldade em entender porque somos o país que tem mais telemóveis per capita. Não entendo: se somos o país da União Europeia, onde menos se ganha, onde menos se produz, onde a educação é pior, onde a agricultura está abaixo de “cão”, porque temos de ter tudo, o que não podemos!? Mais telemóveis, mais carros topo de gama, mais tudo? Até temos um tal Alberto João Jardim que consegue dizer mais disparates por segundo do que outro qualquer político Europeu. – Eu disse Europeu? – Perdão: queria dizer, mundial.
Esse tal “senhor” (aqui é pejorativo) tem uma lata que mais parece um ferro velho. Eu lembro-lhe se ele não sabe, a quantidade de madeirenses (portugueses) que existem na Africa do Sul, Estados Unidos e na Venezuela. São muito mais do que os portugueses (madeirenses) vivem na ilha. Mas hoje entendo tudo: eles não foram à procura de melhores empregos, nem de melhores condições de vida. Eles simplesmente quiseram estar longe de tal ogre. - Imagino o inferno que deve ser viver perto daquele “senhor” (pejorativo). Mas nós portugueses, os mais provincianos dos provincianos -, só mesmo os sicilianos são mais do que nós -, mas esses sabem governar-se e ai de quem se mete com eles, apesar da Máfia ter os dias contados.
Eles é que não sabem. (nem eu, mas fica bem dizer isto)
... Voltando à roupa, não entendo como é que as lojas podem vender as coisas tão caras, muito mais caras que nos países onde se ganha muito mais do que por cá. O que eu digo é que querem ganhar tudo de uma vez. Basta ver os saldos: andei a namorar umas botas que custavam 200 € - namorar, porque nunca gastaria esse dinheiro seja para o que for -, (roupa entenda-se) e depois fui buscá-las em saldo por 45 €. Ora se a loja não estava a perder dinheiro –, porque não perdem. Os portugueses nunca perdem nada –, 155€ de lucro?!
É caso para dizer... não digo...é melhor para todos.

Apeteceu-me



"Não é o espelho que me conduz, prefiro a tua mão!" Charles de la Folie

terça-feira, julho 19, 2005

LOUCURA VIII

Loucura VIII




(...) Estava mesmo a precisar de ouvir, aqui a minha voz preferida a dizer, “veste aquela mini-saia, ou os calções que compraste o ano passado em Milão”, são uma autêntica pedra, além de serem lindos, sobressaem o que de melhor tenho, um par de pernas de fazer inveja a muitas meninas novas, mas mesmo assim há muitas meninas famosas do mundo da moda que .... Não é para me gabar, mas tenho umas pernas lindíssimas, bem feitas, não são um milímetro que sejam desviadas, ou tortas como queiram, torneadissimas e terminam num rabo em forma de coração, um coração invertido mas perfeito, lindo de morrer... pois se não for eu, quem será!? Mas a verdade é que sempre me disseram que eu podia ter sido modelo se quisesse, eu é que sempre achei essa vida um bocado enfadonha e um pouco fútil, sempre fui uma mulher de causas, e não era o mundo da moda que me ia dar cabo dos meus neurónios. Aliás,o segredo profissional é que não me deixa revelar uma serie de coisas. Pois mas eu não estou a por em causa o segredo de coisa nenhuma, estou sozinha a falar comigo, isto é que é uma coisa, ás vezes passo-me. Então dizia eu, cá para os meus botões, qe já atendi muitas meninas modelos vindas das mais distintas casas da moda, e de moda, porque as modas são mesmo modas, que muitas vezes não passam disso mesmo. Mas essas meninas, grande parte delas têm um vazio dentro delas que até mete impressão, um vazio de solidão e um vazio de ar, muitas têm beleza e nada mais, quando as meteram no mundo esqueceram-se da parte interior. Desproveram-nas, umas de cérebro, outras de coração, outras ainda das duas coisas, quase todas frias, tipo osgas, transparentes uma coisa horrorosa. Todas elas vivem de uma solidão imensa, nunca sabem o que fazer, a não ser ir a festas, vender os seus sorrisos, nunca o corpo... é verdade, elas prostituem-se de outras formas. Quase tudo começa quando deixaram fazer a lobotomia, mas não é isso o essencial, o essencial mesmo é que a maior parte delas estão agarradas ao pó, a coca, é caso para se dizer maldita cocaína , mas essa é a verdade, mas nem mesmo assim ficam mais estimuladas, nem mais aceleradas, são verdadeiras coisas. Eu costumava brincar, que elas não existiam eram meras invenções, autênticos hologramas de manequins, mas afinal elas grande parte das vezes ali estavam em frente a mim, em raros momentos em que além de sorrirem até que falavam, balbuciavam umas palavrecas.
Haviam umas quantas, que tinham tantos problemas em relacionamento, que para os anúncios para que eram chamadas, não tinham falas, estavam proibidas de falar,limitavam-se apenas a sorrir.
Mas falava eu das minhas pernas, adorava as minhas pernas, adorava passar creme por elas, massaja-las com as duas mão, tipo sentar-me no sofá, estender a perna para cima, e depois quase ao nível da minha cabeça, passar com as duas mão desde os tornozelos até bem acima do joelho, e depois massajar bem, além de sensual, dá uma sensação óptima. Cada vez que olho para mim ao espelho, percebo por fico louca por mim, porque realmente, sou uma apaixonada pelo meu corpo, só tenho pena de não me poder beijar nos meus próprios lábios, que são um amontoado de carne, deliciosos, adoro mordiscá-los, e o meus seios!? Rijos, subidos, não muito grandes, nem muito pequenos, como costumava dizer, eram mesmo a medida das minhas mãos. Era por isso que aquela sala parecia, (ainda não tive tempo de arruma-la) uma sala de sexo artificial, mas adorava, adorava mesmo sentir-me amada por mim própria. Tinha sérias duvidas se não era ninfomaníaca, mas a verdade, é que se ser ninfomaníaca e ter horrores de prazer, ai sou, sou, e que ninguém se rale com isso, porque adoro, adoro ter orgasmos, acho que é diabólico, é um momento, indescritível, aquele momento, que parece que nos estamos a afundar, que nos falta o ar, que parece que vamos sufocar, afogar a qualquer momento e depois solta-se qualquer coisa em nós e assumimos, bebemos o ar e parece que renascemos, parece que levamos uma dose de adrenalina em pleno coração onde se desprende um grito. Parece aqueles carros dos miúdos que se puxam para trás e quando se soltam, fogem a uma velocidade incontrolável, assim são os meus orgasmos. E o bom é que consigo muitos e muitos parecem ser de uma violência mas apetece-me sempre ter mais muitos mais, se pudesse mesmo estava o dia todo a ter orgasmos.


Apeteceu-me


"Nem tudo é terno, mas nada é Eterno"
Charles de la Folie

quarta-feira, julho 13, 2005

CLANDESTINO


Clandestino
(...) Não estou habituada a estas coisas! Há coisas que me fazem muita confusão entender!

(...) A separar-nos estava uma estrada estreita, de um lado ao outro do passeio era muito pouco, poucos metros, sentia-se o cheiro, o cheiro daquele perfume barato pouco discreto, mas... era optimo, vê-lo, vê-lo daquela maneira fantastica, era um homem robusto, caminhava firme, cada passo uma história, um pensamento, uma memória.
Mas quem era aquele homem misterioso, que nunca ninguém lhe viu os olhos, sempre com os olhos tapados por uns oculos muito escuros.
Grande parte das vezes mantinha-se encostado a parede com um pé sobre ela, parede claro, onde esfumaçava um cigarro, no canto da boca, quase até ao filtro sem nunca o tirar da boca, era impressionante o equilibrio que fazia com a cinza que se mantinha na forma do cigarro até ao fim, ate ser sacudido e atirado para a sargeta. Debaixo do baço o jornal do dia, um jornal meticulosamente enrolado, era assim todos os dias.

(...) Todos os dias ficava ali parada a olhar para ele, naquela esquina fria, entre a rua das modas e a rua dos sapatos, era o sitio onde podia vê-lo sem ser vista, teimava em estar ali, reparar em todos os movimentos, e meticulosamente engendrar danças e contra-danças na minha cabeça, com aqueles pequenos movimentos que via, olhava-o como se fosse um alvo... um grande e enorme alvo, que me tinha declarado guerra em tempo de paz.

(...) Aquela calçada, inacabada onde caminhavam milhares de pessoas por dia, entre o nascer e o por do sol, onde se movimentavam, os produtos, que eram transacionados naquela zona comercial da cidade.
Uma calçada com histórias imensas histórias para serem contadas e sonhadas... era naquela calçada, que se encontravam muito da indentidade das pessoas, bastava olhar para as descobrir, imaginem um papel de pastilha meticulosamente embrulhado... diz muito da personalidade de quem o fez, um bilhete de metro rasgado aos pedacinhos, demonstra nervosimo e insegurança, entre muitas e muitas revelações.

(...) Era um homem de caracter imprevisivel, apesar daquele chapéu de aba larga, não muito mas de um destinto feltro preto, nunca era possivel desvendar ou descobrir, melhor prever, quando o tirava para fazer malabirismos com ele, o lenço que ostentava no seu pescoço era de uma seda finissima, oriundo das Asias mais longinquas, se é que a Asia é longinqua seja lá ela qual for, mas era um homem surpreendentemente belo para a idade.


(...) Interrogava-me se ele algum dia tinha lido algum daqueles jornais, que todos os dias, mantinha debaixo do seu braço, ou se seria sempre o mesmo, é que nunca o vi a olhar sequer para ele. Mas parecia um homem bem informado e formado, era de certeza, havia pelo menos essa certeza em mim apesar do muito tempo... que ali passava e passara.

(...) Naquela calçada, foi ali que há muitos anos pai e filha, passeavam, antes de um ter abraçado uma causa impossivel de largar e outro ter fugido por outras causas que não o amor.

Apeteceu-me
" Onde ele anda ninguèm sabe mas quando aparece, corroi"

Descobri-te, estavas lindo neste dia, adorei conhecer-te a ti e as tuas amigas, até um dia deste BINO
Charles de la Folie

terça-feira, julho 12, 2005

ENCRUZILHADA



Encruzilhada



(...) Custava-lhe a acreditar, não sabia bem porquê mas teria sempre as suas duvidas, não podia ser... Ela não podia ter partido sem dizer adeus.

(...) acordou naquele dia, eram umas 5 da manhã, mais coisa menos coisa. O Sol ainda não tinha subido, mantinha-se embrulhado por detrás daquela colina.
Tinha a boca seca, com saliva seca no canto dos lábios. Voltou-se para o lado, como se lembrava de fazer todos os dias, esticou o braço, mas do outro lado não estava ninguém, achou estranho, era sempre o primeiro a levantar-se, devia de estar ali alguém mas não, estranhou, mas voltou-se para o outro lado e devagar escorregou as pernas para fora da cama até sentir os pés a tocar no chão frio, depois antes de abrir os olhos, arrastou o tronco até sentir forças para dar o impulso final para se sentar, para se sentir sentado.

(...) Estava um frio na rua como quem tem nervoso miudinho, parecia um arrepio, o Sol estava quase a desprender-se daquele sono, na rua, a rua, ali, naquele espaço as pessoas comevam a movimentar-se como tivessem dormido por ali e de subito ganhavam corda e lá iam fazer o que a sua mente lhes ditava. Era a azafama do dia a dia, aquele buliço que começava, a padaria abria as portas de par em par, o leiteiro fazia a entrega do seu leite que de matinal só tinha a entrega, o cheiro da maresia dava lugar ao cheiro da gasolina e do gasóleo queimado. Enfim mais um dia.

(...) Sentado na sua cama sem saber o que sentir e pensar, esfregava os olhos violentamente para afastar a remela, que se tinha acomulado naquela noite bem dormida, mas mal vivida e pior conselheira. Estava meio destrambulhado, como qualquer pessoa normal quando acaba de acordar, mas estava desnorteado de todo, não entendia, o porquê da sua companheira não estar deitada, mal abriu os olhos conseguiu ver em cima do toucador, uma folha de papel, com uma lampisira em cima. Estranho, estranhou, o que se teria passado, estava receoso, muito receoso com o que se estava a passar.
O seu estomago começava a tomar conta dele, as voltas, a ansia, tudo o que se pode pensar, nem a ulcera o deixou naquele momento que podia ser de abandono.


(...) A verdade é que aquele era mais um dia, mas um dos dias mais concorridos da cidade, era dia de festa, estavam a preparar tudo para a engalanar, para receber as visitas, os muitos milhares de visitantes que eram esperados, era dia de ouvir e ver o mais belo fogo de artifici da região. O ano inteiro era de colheita, para naquele dia nada ficar ao acaso, tinha de ser o melhor dos melhores, e as broas as mais fofas de sempre, e o vinho correr pelas gargantas em perfeita sintonia com o espirito.


(...) Engolia em seco enquanto se dirigia ao papel, já estava mais desperto, na casa não havia sinais de viva alma, nem uma luz acesa. Os seus receios, pareciam ter fundamento, e ia pensando no pior enqaunto se dirigia ao papel, aquele post scriptun, pensava na noite de ontem, na outra e na outra, pensava nos dias que tinham antecedido e não conseguia descobrir nada, nada que lhe acalentasse uma novidade, algo que se podesse agarrar.
Olhou para o papel, a sua face ficou lívida, mas aquele papel não dizia mais havia falta de bacalhau, yogurtes e papel higiénico. E foi ai que deu de caras com a sua companheira de sempre que estava deitada no chão com os pés em cima de duas almofadas, sitio onde se refugiava quando andava aflita das costas.

Apeteceu-me


"Os nossos enganos nem sempre são feridos de morte"
Charles de la Folie