terça-feira, julho 19, 2005

LOUCURA VIII

Loucura VIII




(...) Estava mesmo a precisar de ouvir, aqui a minha voz preferida a dizer, “veste aquela mini-saia, ou os calções que compraste o ano passado em Milão”, são uma autêntica pedra, além de serem lindos, sobressaem o que de melhor tenho, um par de pernas de fazer inveja a muitas meninas novas, mas mesmo assim há muitas meninas famosas do mundo da moda que .... Não é para me gabar, mas tenho umas pernas lindíssimas, bem feitas, não são um milímetro que sejam desviadas, ou tortas como queiram, torneadissimas e terminam num rabo em forma de coração, um coração invertido mas perfeito, lindo de morrer... pois se não for eu, quem será!? Mas a verdade é que sempre me disseram que eu podia ter sido modelo se quisesse, eu é que sempre achei essa vida um bocado enfadonha e um pouco fútil, sempre fui uma mulher de causas, e não era o mundo da moda que me ia dar cabo dos meus neurónios. Aliás,o segredo profissional é que não me deixa revelar uma serie de coisas. Pois mas eu não estou a por em causa o segredo de coisa nenhuma, estou sozinha a falar comigo, isto é que é uma coisa, ás vezes passo-me. Então dizia eu, cá para os meus botões, qe já atendi muitas meninas modelos vindas das mais distintas casas da moda, e de moda, porque as modas são mesmo modas, que muitas vezes não passam disso mesmo. Mas essas meninas, grande parte delas têm um vazio dentro delas que até mete impressão, um vazio de solidão e um vazio de ar, muitas têm beleza e nada mais, quando as meteram no mundo esqueceram-se da parte interior. Desproveram-nas, umas de cérebro, outras de coração, outras ainda das duas coisas, quase todas frias, tipo osgas, transparentes uma coisa horrorosa. Todas elas vivem de uma solidão imensa, nunca sabem o que fazer, a não ser ir a festas, vender os seus sorrisos, nunca o corpo... é verdade, elas prostituem-se de outras formas. Quase tudo começa quando deixaram fazer a lobotomia, mas não é isso o essencial, o essencial mesmo é que a maior parte delas estão agarradas ao pó, a coca, é caso para se dizer maldita cocaína , mas essa é a verdade, mas nem mesmo assim ficam mais estimuladas, nem mais aceleradas, são verdadeiras coisas. Eu costumava brincar, que elas não existiam eram meras invenções, autênticos hologramas de manequins, mas afinal elas grande parte das vezes ali estavam em frente a mim, em raros momentos em que além de sorrirem até que falavam, balbuciavam umas palavrecas.
Haviam umas quantas, que tinham tantos problemas em relacionamento, que para os anúncios para que eram chamadas, não tinham falas, estavam proibidas de falar,limitavam-se apenas a sorrir.
Mas falava eu das minhas pernas, adorava as minhas pernas, adorava passar creme por elas, massaja-las com as duas mão, tipo sentar-me no sofá, estender a perna para cima, e depois quase ao nível da minha cabeça, passar com as duas mão desde os tornozelos até bem acima do joelho, e depois massajar bem, além de sensual, dá uma sensação óptima. Cada vez que olho para mim ao espelho, percebo por fico louca por mim, porque realmente, sou uma apaixonada pelo meu corpo, só tenho pena de não me poder beijar nos meus próprios lábios, que são um amontoado de carne, deliciosos, adoro mordiscá-los, e o meus seios!? Rijos, subidos, não muito grandes, nem muito pequenos, como costumava dizer, eram mesmo a medida das minhas mãos. Era por isso que aquela sala parecia, (ainda não tive tempo de arruma-la) uma sala de sexo artificial, mas adorava, adorava mesmo sentir-me amada por mim própria. Tinha sérias duvidas se não era ninfomaníaca, mas a verdade, é que se ser ninfomaníaca e ter horrores de prazer, ai sou, sou, e que ninguém se rale com isso, porque adoro, adoro ter orgasmos, acho que é diabólico, é um momento, indescritível, aquele momento, que parece que nos estamos a afundar, que nos falta o ar, que parece que vamos sufocar, afogar a qualquer momento e depois solta-se qualquer coisa em nós e assumimos, bebemos o ar e parece que renascemos, parece que levamos uma dose de adrenalina em pleno coração onde se desprende um grito. Parece aqueles carros dos miúdos que se puxam para trás e quando se soltam, fogem a uma velocidade incontrolável, assim são os meus orgasmos. E o bom é que consigo muitos e muitos parecem ser de uma violência mas apetece-me sempre ter mais muitos mais, se pudesse mesmo estava o dia todo a ter orgasmos.


Apeteceu-me


"Nem tudo é terno, mas nada é Eterno"
Charles de la Folie

25 comentários:

pachita disse...

Tiraste-me a respiração...


(tens mesmo a certeza que não és uma mulher disfarçada de Carlos Barros?)

Nordico disse...

onde moram essas pernas diabólicas ???

Isabel-F. disse...

Que texto...fantástico...

parabéns...

Obrigada Carlos pela tua visita ao meu sítio... espero que voltes...eu vou voltar aqui certamente...

Bj

Freddy disse...

Post como as pernas descritas...Escultural e bem torneado...

Abraço da Zona Franca

Elise disse...

Parabéns! Um post com a mesma qualidade de sempre!

Abraço-

Duke disse...

Texto fenomenal. Muito bom

maria disse...

;)
sim, de cortar a respiração...
(estava a falar de quê, eu aqui?! ah. sim, pois, pois, o texto!) ;)

nada é Eterno, pois não. Se fosse até podia perder a graça... e nem tudo terno, claro!
(já agora... este "terno" é o da ternura, certo? ou trouxe aqui a palavra algum cunho mais numérico?)
;)

Adryka disse...

Olá Carlos meu amigo, adorei o teu post o teu texto é fantástico, mas isso é sempre tu escreves muito bem, adoro o que escreves.
Beijinhos

Israel Barros disse...

Ei eu sou Barros tambem. Gostei muito da musica do seu blog, quem e?

contadordehistorias disse...

às vezes olho para a vida e penso, que não passa de uma ejaculação precoce...

abraço

Ricardo Leal disse...

Oh Carlos, essa mulher existe? Onde anda, onde, vá diz-me onde. Xii. ès fabuloso a falar no femenino.

Como sempre, grandes músicas.

Anónimo disse...

Dá para me contares a mim - sou teu cunhado, lembra-te - onde está essa miuda de pernas boazonas?
ihihihihi

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Que texto extraordinário

Maria Manuel disse...

O orgasmo é primordial, sagrado, um rito que podemos começar no plural, mas em que acabamos invariavelmente sós.

BlueShell disse...

Volto já! BShell

Jennifer disse...

Gracias por tu nota en mi blog. Son los pies de mi hija. Esta toda el espanol yo recordo.

avreivoluto disse...

Thanks for your comment on my blog.
Bom dia!

kikas disse...

Este post tem pernas para andar :-))
Gostei muito o que já vem a ser um hábito!
beijocas
kikas

Cubic.Emotion disse...

Belo post! Gosto da música... :)

*

Viuva Negra disse...

Carlos, pode ensinar-me como se coloca música no blog , qual o alojador que utiliza...

esta musica é girrissima

webdreamer disse...

Uma loucura de texto :P... Está mesmo fantástico!

Sergy disse...

Vais dizer que me falta originalidade, mas...fantástico, carlos!
Once again!
Abraços!:)

Caracolinha disse...

Oi Carlos ...em tempos tiveste a simpatia de visitar a minha casquinha e lá ter deixado umas palavras bem verdadeiras...

Como ainda não tinha passado por aqui, faço-o agora e, depois do que vi, prometo voltar mais vezes.

Até ~:o)

Anónimo disse...

como não conheço muito bem este blog fiquei na dúvida se este texto tinha sido escrito por uma mulher? isto porque há de tudo no munda dos blogs: mas confesso que fiquei com um certo alivio quando através dos comentários verifiquei que afinal foi escrito por um homem, bom conclusão este homem tem muita imaginação e vontade de acção.amcosta

Anónimo disse...

vi logo que era um homem a escrever este curioso texto, por sinal bem escrito.