terça-feira, julho 12, 2005

ENCRUZILHADA



Encruzilhada



(...) Custava-lhe a acreditar, não sabia bem porquê mas teria sempre as suas duvidas, não podia ser... Ela não podia ter partido sem dizer adeus.

(...) acordou naquele dia, eram umas 5 da manhã, mais coisa menos coisa. O Sol ainda não tinha subido, mantinha-se embrulhado por detrás daquela colina.
Tinha a boca seca, com saliva seca no canto dos lábios. Voltou-se para o lado, como se lembrava de fazer todos os dias, esticou o braço, mas do outro lado não estava ninguém, achou estranho, era sempre o primeiro a levantar-se, devia de estar ali alguém mas não, estranhou, mas voltou-se para o outro lado e devagar escorregou as pernas para fora da cama até sentir os pés a tocar no chão frio, depois antes de abrir os olhos, arrastou o tronco até sentir forças para dar o impulso final para se sentar, para se sentir sentado.

(...) Estava um frio na rua como quem tem nervoso miudinho, parecia um arrepio, o Sol estava quase a desprender-se daquele sono, na rua, a rua, ali, naquele espaço as pessoas comevam a movimentar-se como tivessem dormido por ali e de subito ganhavam corda e lá iam fazer o que a sua mente lhes ditava. Era a azafama do dia a dia, aquele buliço que começava, a padaria abria as portas de par em par, o leiteiro fazia a entrega do seu leite que de matinal só tinha a entrega, o cheiro da maresia dava lugar ao cheiro da gasolina e do gasóleo queimado. Enfim mais um dia.

(...) Sentado na sua cama sem saber o que sentir e pensar, esfregava os olhos violentamente para afastar a remela, que se tinha acomulado naquela noite bem dormida, mas mal vivida e pior conselheira. Estava meio destrambulhado, como qualquer pessoa normal quando acaba de acordar, mas estava desnorteado de todo, não entendia, o porquê da sua companheira não estar deitada, mal abriu os olhos conseguiu ver em cima do toucador, uma folha de papel, com uma lampisira em cima. Estranho, estranhou, o que se teria passado, estava receoso, muito receoso com o que se estava a passar.
O seu estomago começava a tomar conta dele, as voltas, a ansia, tudo o que se pode pensar, nem a ulcera o deixou naquele momento que podia ser de abandono.


(...) A verdade é que aquele era mais um dia, mas um dos dias mais concorridos da cidade, era dia de festa, estavam a preparar tudo para a engalanar, para receber as visitas, os muitos milhares de visitantes que eram esperados, era dia de ouvir e ver o mais belo fogo de artifici da região. O ano inteiro era de colheita, para naquele dia nada ficar ao acaso, tinha de ser o melhor dos melhores, e as broas as mais fofas de sempre, e o vinho correr pelas gargantas em perfeita sintonia com o espirito.


(...) Engolia em seco enquanto se dirigia ao papel, já estava mais desperto, na casa não havia sinais de viva alma, nem uma luz acesa. Os seus receios, pareciam ter fundamento, e ia pensando no pior enqaunto se dirigia ao papel, aquele post scriptun, pensava na noite de ontem, na outra e na outra, pensava nos dias que tinham antecedido e não conseguia descobrir nada, nada que lhe acalentasse uma novidade, algo que se podesse agarrar.
Olhou para o papel, a sua face ficou lívida, mas aquele papel não dizia mais havia falta de bacalhau, yogurtes e papel higiénico. E foi ai que deu de caras com a sua companheira de sempre que estava deitada no chão com os pés em cima de duas almofadas, sitio onde se refugiava quando andava aflita das costas.

Apeteceu-me


"Os nossos enganos nem sempre são feridos de morte"
Charles de la Folie

38 comentários:

Maria Manuel disse...

Ufa! Ainda bem que passaste à encruzilhada! Sobre o "Loucura VII" havia tanto a dizer que... acabei por não dizer nada!

Aziluthh disse...

Ou se dorme com Deus ou com o Diabo. Por vezes dormimos com os nossos receios de que o impossível
não desejado se torne no possível concretizado...
Belo(s) textos, Carlitos. Viva! Voltei após uma ausência típica de professor caracol que transporta às costas os filhos, os alunos, a casa, os móveis e a net...

beijinhos a todos

ana

http://www.mgrande.com/weblog/index.php/serenalua

mfc disse...

As tarefas do dia a dia são o nosso poemário...

Ricardo Leal disse...

Acho que não queremos ver o obvio...

Delírio da Loirinha disse...

Olá!
:)
Beijinhos

Adryka disse...

Passou...curioso, mas que foi incrivel ai isso foi.
beijo

Cubic.Emotion disse...

Que história insólita... Não devemos ser precipitados nas nossas conclusões...
:)

*

mar disse...

Cada pessoa tem a sua forma mt própria de escrerver, e eu sendo novata bas visitas a este blog, ainda me estou a acostumar à tua... ams estou a gostar... Bjs

GUMM disse...

Dou razão à mar... pelo menos primas pela originalidade. Estou a gostar... keep goin' ;) [[]]

Guillermo de Baskerville disse...

As encruzilhadas estarão em cada momento da nossa vida em que podemos optar. A vida é um conjunto de obstáculos, obrigações e escolhas/decisões.
Vivemos para sermos felizes. Cabe-nos procurar a melhor maneira.

As encruzilhadas significam opção, ou escolha... Os becos sem saída dizem que o caminho para a felicidade não é por ali. Resta-nos voltar para trás e prosseguir com a busca.

Tribunal_Beatas disse...

Gostei do facto de ser surpreendida no final, quando parecia que o pior tinha acontecido, mas afinal tudo acabou bem... ou não.

Bino (Abrupto Sexual) disse...

Mas então, foste "apanhado" a ler aquilo ? hehehehehe é bem feito, da próxima vez visita antes o Abrupto do João Pedro Pais.
(só por curiosidade, em relação a fotos, sou o da mão na testa)

Insolente disse...

guerra dos sexos foi so mais uma má desculpa para produzir um texto... vejo k este é o teu espaço de refugio e folgo em saber que temos em comum o local de residencia... ora entao um grande bem haja... voltarei

tamina disse...

tiveste uma desilusão? quando viste que, afinal, ela não se tinha ido embora?

A. Duarte Lázaro disse...

E ele finalmente apercebeu-se de que ela tinha muito mais importância na sua vida do que a que lhe havia dado até ali...
Um beijo da margem Sul

Cris disse...

Pois é... não estranhei o final... ou n fosse este, mais um final à Carlos barros!...
Mas gostei muito da forma como abordaste uma das maiores pragas da vida... o negativismo do ser humano. e basta uma pequena fuga à rotina para a imaginação parir de imediato uma série infinda de desgraças e tragédias, n é?

Então n seria tudo muito mais bonito se perante uma situação estranha ao nosso quotidiano nos pusessemos de imediato a imaginar as coisas boas q poderiam estar na sua origem, em vez de começarmos logo à procura dos números de todos os hospitais, na lista telefónica?... ah pois seria... :)

beijinho doce

maria disse...

"...noite bem dormida, mas mal vivida e pior conselheira..." eheh... parece o filme da minha noite de hoje!
Será que amanhã acordarei num salto e me vou logo deixar a imaginar uma maluquice para o ausente ao meu lado?
Teria piada! lá está, entraria cedo na Folie... ora isto é um pensamento de alento! cá p'ra mim... vir espreitar as escritas d'os Pêssegos a esta hora é bom conselho!

Abracinho do tamanho do mundo, e viva la Folie, dear Charles! (o british "dear" foi só p'ra dar um ar in, já que não quero desenvolver a tal úlcera-que-fica-sempre-bem!) ;)

maria disse...

Ah, e a foto!! Está genial! GENIAL! é que, olhar para ela a escorrer, assim, à entrada da leitura... leva-nos mesmo na direcção do acordar abandonado do pensador remelento!

Isto é mesmo bom! :)

Å®t_Øf_£övë disse...

Carlos,
Gostava que passasses lá no "ABOUT LAST NIGHT" para participares na festa de aniversário e para soprares uma velinha.
Abraço.

rokita disse...

Pois é… Quantas vezes nos precipitamos... Porque será? Falta de confiança?! Excesso de zelo?! Quem sabe… Ninguém conhece os mecanismos que nos movem… Mas uma coisa devemos saber, temos de aprender a ser mais sábios, a gerir as emoções. Para melhor desfrutar qualquer momento.

EU nos dias e Hoje disse...

O evidente...nem sempre é obvio caro amigo...

IsaMar disse...

Gostei do texto. Não percebi( e desculpa se estou a mostrar ser burra), se o texto é da tua autoria ou não..
Fica bem

webdreamer disse...

Adorei o suspense da história. E ainda fiquei com vontade que continuasse, que o fim não fosse naquele ponto final...

Caiê disse...

A tudo se sobrevive...

Ana disse...

Gosto da originalidade dos teus textos... gosto do seu conteúdo... é interessante...

Raquel V. disse...

LOLOLOL
Imagino que o desgraçado seja mesmo paranóico... se nesta altura do campeonato ainda acha que ela fugiu quando não a vê...




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pluggy said...
Não acredito... e lá se ia no mastiganço um milhão e meio de euros...

14/7/05 18:38

Clara Sonhadora disse...

Só para retribuir a visita que fez há dias e dar-lhe os parabéns pelo corpo dos textos.
Até 1 destes dias...

lazuli disse...

a brincar a brincar...:)

Malae disse...

Muito bom como sempre! É bom ser surpreendida por aquilo que escreves! :) BEijinhos grandes. Malae**************

Raquel V. disse...

About a comment
Estás a ver a piquena na banheira...? Estás? Juro que ficas em pior estado! :P

nuvem cor de rosa disse...

:-)

isaura disse...

que andas tu, carlos jose, a fazer para receberes ameaças? cuidado com os(as) desconhecidas

vanessa disse...

e um dia destes em vez de a encontrares no chão...

moon between golden stars disse...

LOLL
como sempre deixas-me com um sorriso nos lábios... e ao final do dia, ou melhor já a noite vai alta isso sabe muito bem...
Obrigada ***

Um abraço

Pedro Estácio disse...

Gostei do texto e da foto ! e da música também ...
Uma optima forma de terminar a noite ...

requiescatinpacem disse...

e porque prometi que ficava com atenção aos teus textos, vim ler este. Achei a Foto bem conseguida, e achei o texto maçador.
Um abraço
p.s. como tinha o direito a resposta já respondi em forma de "post"

Freddy disse...

Falta de bacalhau...Pela foto, parece-me é q há sangue de porco a mais pela casa toda!!!

Abraço da Zona Franca

Sergy disse...

Tocante