sábado, abril 02, 2005

Feeling's

Nada de Especial (Sorriso interior)




(...) Adorava ficar só, de um momento para o outro procurava a solidão, bastava-lhe ouvir o que mais gostava, sentia e depois, refugiava-se a apreciar o momento, a sentir, a sentir-se, era uma imagem desconcertante, mas ela sentia que ele, ele a fazia sonhar e imaginar, talvez por isso passasse a vida a fugir.
(...) O mar embrulhava-se na areia, embrulhava-se no vazio da nossa imaginação, os olhos desfocavam ao olhar para aquela imagem, entravam outros sonhos por dentro daquele olhar, aquela goticulas, que o mar fazia subir a alturas quase inenarráveis, paravam as gotas claro, o olhar descodificava a imagem que entrava pelo imaginário, o Cérbero processava a imagem rapidamente e depois via-se tudo o que se possa pensar ou sonhar, desde o sorriso, o nosso próprio sorriso. Aquelas imagens levavam-nos para longe, muito longe mesmo para locais, que não eram muito distantes dali, mas ao mesmo tempo inatingíveis.
O sonho é isso mesmo, sonhar acordado com o nosso imaginário, o nosso impossível, mas era ali que o sonho era levado ao limite, que voava por sítios que apareciam ali pela primeira vez nunca antes pisados por qualquer homem, ou por qualquer outro ser, eram sonhos estranhos que tinham um herói, mas era sempre o mesmo herói, nunca se vê o rosto, mas por certo que esse rosto tem cheiro, tem cor, tem uns olhos vidrados no horizonte onde o mar se embrulha com a areia e no vazio e levanta aquelas goticulas. Aquele mar que vai e vêm como os nosso sonhos, que a sua força faz lembrar os murros que ao longo da vida levamos sem saber de onde caiem, de onde chegam, grande parte da vezes dos sítios mais inesperados. Louvados sejam os que nos acertaram no centro do ego e fazem, as grandes e verdadeiras descobertas da nossa existência, uma inexplicável, incompreensível e indecifrável vontade de sofrer, com a simplicidade de quem oferece um beijo.
(...) Aquela mulher de sorriso largo lá ao fundo onde o horizonte não chega, nunca se revela, a sua imagem de marca é uma sombra, um sombreado de uma vida que não aparece, mas que vai vivendo em lugares escondidos, em pequenas bases de solidão como quem joga a apanhada, são os jogos de vida, os jogos que têm de ser interpretados, pelas vozes do nada.
(...) O dia estava limpo, mas o vento tocava o mar a chicote e ele que se embrulhava com a areia e com os vazios, que por ali caiam e se afogavam, os sonhos caiam, e faziam o mar encrespar-se cada vez mais, revoltar-se, mas ai havia duvidas de quem era realmente a revolta se era do mar ou do mundo que desacreditava os sonhos, porque nunca ninguém tinha dito, nem escrito que os peixes morriam no fundo do mar por ele estar revolto, ele o mar, os pássaros também não morriam por haver tempestades.
Ouvia-se por ai histórias, que histórias, as histórias que imaginamos serem nossas mas afinal não passamos, nem passam disso de pequenas histórias que nunca são contadas tal é a banalização do dia a dia.
(...) Continuava fechada sobe si própria no seu ciclo de quatro dias, onde nada a incomodava, aquela solidão era fechada hermeticamente, durante aquele ciclo, só se sabia que não tinha morrido, pouco mais, depois emergia à tona, fazia a sua aparição para depois, se fechar, foi ai que empederniu os seu sentimentos. E o mar revolto que se embrulhava com a areia e com o vazio, dizia baixinho ... “Nada me pára mesmo que isso signifique desfalecer, é preciso viver para crescer, mesmo que revolto”.

Apeteceu-me

"Por perto se conquista uma Alma longe" Charles de La folie

12 comentários:

mj disse...

Ainda bem que te apeteceu...a mim apetece me ir ao paredão olhar o mar...sonhar o que já vivi...sonhar com o tento realizar...mas o dever chama me... work work work rsrsrs
beijo grande

mj disse...

Charles doben, posso dizer só mais uma coisa?!?...boa sorte para logo...vou torcer pelos Verdes, palavra de quem é Vermelho...é verdade, e tu sabes que sim :)
bjs bjs

isa xana disse...

gosto dos teus "apeteceu-te".. que te apeteça sempre assim:)

fiquei parada na parte do sonho algum tempo... o sonho... conduz-nos onde queríamos estar e não podemos por isso é sonho e não realidade..

***

c(ri)arme disse...

as almas não se conquistam, encontram-se. um abraço.

Manoel Carlos disse...

De eventos corriqueiros, do dia-a-dia, entre observações e sonhos, produzes uma prosa e tanto.

mj disse...

Ganda Leão!!!
4 sem resposta...e podia ter metido mais...fica bem
beijo grande

Vera Cymbron disse...

Que apeteça sempre as miragens e as palavras fantásticas...
Jinhos

LUA DE LOBOS disse...

como sempre brilhante... aparece por lá... nos lobos...
vais sorrir no minímo ::))
xi
maria

alfinete de peito disse...

Temos que realçar que a ponta final das tuas prosas nos desperta sempre uma insaciável vontade de retornar. Obrigado.

Temos dito.

Mercador e Grizo.

Isabel Magalhães disse...

Hei-de voltar mais vezes!
Palavra de "carangueja"! :)

Å®t_Øf_£övë disse...

Ainda bem que te apeteceu,porque eu adorei ler.
Boa semana.
Abraço.

Micas disse...

Estou de volta, acabou o que era bom :(
Aproveito para dizer que esta semana necessito da tua ajuda...claro, se achares que mereço ;) Agora vou-te ler com a calma que este teu espaço merece. Beijinho e boa semana