domingo, abril 17, 2005

LONDRES

Londres(Sono ritornato)


(...) Ir a Roma e não ver o Papa (agora é um bocado difícil) é quase como ir a Londres e não ver a Rainha, pior é chegar lá e levar com o casamento do Príncipe Carlos e de Camila. Agora, e perante este cenário compreendo que as novas gerações sejam muito mais traumatizadas que as anteriores. As histórias de príncipes e de princesas tem sempre personagens bonitas, tirando o Sherek e a Princesa Fiona versão Ogre, mas esses tem sentido de humor. O Carlos é feio, é muito feio, a Camila é horrorosa, não têm charme nenhum, como é que posso explicar a uma criancinha que aquela personagem é um príncipe, não posso porque nunca mais me respeita.
(...) Caiu a noite em Londres, está frio perto do Tamisa, o Céu não está totalmente encoberto, o cenário podia ser o de há uns séculos atras. Podiam aparacer por ali a passear o Willy Fogg e o seu fiel criado Passepartout, quem sabe um Sherlok Holmes atrás de uns daqueles vilões que tanto aparecem nas histórias sobre Londres, a grande, bonita e mal cheirosa Londres.
A escuridão. Estava escuro como o breu, enquanto roçava os ombros pelas pareces sujas de séculos de Smog, enquanto pensava na vida, de um lado que a operação a minha mãe corresse bem, do outro que os meus amores não desvanecessem. Sustive a respiração, pensei ouvir o meu nome, entre o barulho das águas pouco calmas do Tamisa, e o barulho do Big Ben a dar as badaladas da meia noite, olhei com medo. Veio-me ao pensamento o Dr. Jekyll e Mr. Hyde, era aquela hora, podiam aparecer por ali a qualquer momento, o médico e o monstro, respirei fundo e pensei que a minha vida podia ser assim... quem sabe se não era. Também me lembrei do Jack the Ripper, o estripador, que andou também por aquelas paragens, era por ventura a personagem londrina que mais admirava, gostava de pensar neles, como uma grande fantasia da minha vida.
Passei pela Abadia de Westminster, ali ao admira-la, gostava de pensar que todos os Reis e Rainhas daquela “ilhota” tinham passado pelas minha fantasias.
Ouvi uma série de badaladas, a noite foi longa, a imaginação fértil.
A caminho do St Thomas' Hospital perto de Westminster, lembrei-me de uma coisa, do cheiro... aquele cheiro, de antigamente dos esgotos a céu aberto, ratos, ratazanas, da falta de asseio, agora os cheiros de Londres, eram misturas de comidas exóticas, de Kebab’s e Pita’s Shuarma’s, com um acentuado cheiro a caril, aquele caril forte, só imaginável, com aquele queijo de Castelo Branco que as pessoas insistem em guardar em casa, e que em todo o prédio cheira, um cheiro que não corresponde ao sabor, é verdade, mas uma coisa não sei se compensa outra.
Mas, parei, sentei-me na beira de um passeio, estava de frente para o Hyde Park, e comecei a matutar, havia algo que me faltava, aquela noite não estava a ser perfeita, aquela noite que tirei para os meu pensamentos, estava com falta de algo, faltava musica. Lembrei-me que uma das muitas vezes em Londres tinha ido a um clubezinho, o Town & Country Club, onde em 91 vi um concerto inenarrável dos Crowded House, foi a primeira vez que tocaram “Weather with you” uma musica que ainda hoje me acompanha na minha memória, fazia-me lembrar aquele club, o Rock Rendez Vous de outros tempos, na intrépida Lisboa. Curioso, fui a procura dele e comecei a pensar no desfile de grupos que por lá vi nesses dias, desde Billy Brag, a Siouxie and Banshees, com o Robert Smith dos Cure numa das violas, Tom Verlaine... até acreditem vi os Texas, onde a Sharlene Spiteri tinha ainda um ar “naif” parecido com a "nossa" Margarida Pinto dos Coldfinger. Cheguei lá, ali numa transversal meio escondida perto de Picadilly, olhei para o sitio, onde outrora foi um clube fantástico, agora não era mais que nada, nada mesmo, não existia, fora-se, e com o club, o Town & Country Club foi-se quase uma geração de ouro da musica londrina.
Ouvi novamente chamarem pelo meu nome, olhei vi uma sinistra figura... na mão tinha qualquer coisa brilhante ou que brilhava. Olhei para a assustadora figura londrina, e reparei que era Jonh Lydon,dos Sex Pistols, o homem que desafiou Londres e que cantou em versão Punk “Good Save the Quenn”. Estendeu-me a mão, e entregou-me um Cd, lá dentro estava o Original dos Clash “London Calling”.


Apeteceu-me

"A Fútilidade é algo com que lidamos na nossa inutilidade" Charles de la Folie

7 comentários:

O Micróbio disse...

Escolheste mal a altura para passear por Londres... vai lá quando o Chelsea for campeão... :-)

Kal disse...

epah, k sdds de Londres! Kem me dera la voltar, estou cm uma certa saudade, mas mais das ruas do que dos museus e afins, quero passear por la e sei la... ver neons... lol. Piccadily... my Picadilly...
aiai... lolol, ate parece k envelheci de repente. abraço Carlos

Adryka disse...

Pois até que ia mesmo a Londres gostava imenso, mas fico-me por cá pela terrinha desejando sorte a quem vai.

Micas disse...

Gosto imenso de Londres e vou lá sempre que posso. Será que já não nos encontramos por lá? é que eu tb vi o concerto dos Crowded House, trouxe de lá nessa altura o cd Woodface, só que tinha a ideia que foi em 92!! talvez esteja enganada. Caso não tenhas o cd posso enviar-te a "weather with you" em mp3. Diz qualquer coisa. Beijo grande e boa semana

Carlos Barros disse...

Micas ...obrigada, mas eu tenho precisamente esse concerto que vi...em 91 em cd. Posso dizer que custou 2.99 libras...
foi a 9 de novembro de 91, no Tomn & Country em londres...ao vivo, o Woodface, não tem temas ao vivo..acho tenho o para ali...se o descobrir..juro que danço uma musica a chuva em tua honra...hihihih

Vera Cymbron disse...

Gosto tanto das tuas histórias da vida...
Jinhos

Micas disse...

Eu sei que não é ao vivo, o do concerto não tenho e este tb ainda tem a etiqueta do preço £ 12.49. Só perguntei porque tem a música que mencionas ;)