quinta-feira, abril 07, 2005

(Fogo) Cruzado VI

(Fogo) Cruzado VI
(...) imaginem um homem, não muito alto com umas formas meio esquisitas, não eram formas, porque ele nem formas tinha ou têm, era um deformado nato. Ainda gostava de saber o que uma mulher interessante como a doutora vê ou pode ver numa coisa daquelas, pequeno quase careca, de óculos, uma pêra horrorosa estou a imaginá-lo... acho que só o imagino com o pé cheio de “merda” , ainda podia pensar que ele tivesse alguns atributos especiais mas tenho quase a certeza, não juro, mas quase que o poderia fazer, que ele não tinha atributos, não podia se não, pois se não a doutora não procuraria atributos por outros lados.
Ah e tinha uma coisa ainda mais horrorosa uma vózinha de bradar aos céus, agora imaginem, este meu intrépido “amigo” salvo seja, a bater-me a porta, quase a irromper por ela, aliás quase a derrubá-la, com o pé cheio de “caca” a dizer :

- esta “merda” é sua ? ( com aquela voz cavernosa de quem tem ainda 5 anos mas acabados de fazer)

ao qual respondi :

- não amigo, essa merda não é minha, é de quem a agarrar e o senhor teve essa sorte. (com alguma, alguma não muita ironia).

O homem ia tendo um treco, aliás quando tentou dizer mais alguma coisa, fechei-lhe a porta na cara, ficou danado quis-me processar, mas teve azar a mulher disse-lhe que o melhor era procurar um psiquiatra, porque estava a ficar louco. Ao que parece, deve ter seguido o conselho, nunca mais o ouvi, aquela voz era mesmo irritante e aquelas roupas que usava, quase de certeza quando era mais novo usava daquelas farpelas à marinheiro com um chapéu de palhinha com uma fita azul e branca de cetim. E guinchava à mãe a fazer queixinhas dos outros meninos.
Mas a grande verdade é que o culpado daquela sacanice e de todos aqueles problemas era o meu fiel amigo, esse coirão que tinha personalidade própria, que dava pelo nome de cão Guru, mas eu tramava-o ai tramava, tramava, o piorzinho era onde ele andava e o que andaria a tramar naquela altura já que não se encontrava em casa.
Quem sabe se não iria dar apoio moral ao nosso amigo Vasco, hehe que bem ia precisar, como seria a carta, tinha alguma curiosidade em saber como era, como estava, mas enfim agora só queria debelar aquela dorzita de cabeça nada melhor que um belo café e uma agua com gás, açúcar e limão, uma velha receita indígena que aprendi ali com os índios da tasca do outro quarteirão, por isso à falta de drogas boticárias, ou farmacêuticas, nada melhor que a minha bebida maravilha melhor que o Maradona, mais rápida que o Carl Lewis, mais leve que uma pena da galinha mais rápida da Etiópia, assim uma coisa. A minha bebida já estava pronta, prontissima, só faltava o meu balde de café, nada melhor, que ir até a sala deitar-me no chão, meter as pernas em cima de sofá e calmamente beber, loucamente as minhas mixórdias a ver se a coisa melhora, este dia prometia.
Eram quase 9 horas da matina, a chamada hora que ninguém desconfia, mas nada de muito especial, eu só queria mesmo aquela dadiva do reino do café, era um bem precioso, era um dos bens mais preciosos que há memória, apesar da minha memória andar pela rua da amargura, já não é como era esta minha memória pelo menos nestes dias meio esquisitos, quero dizer nestes dias em que tinha bebido um bocadinho mais, melhor dizendo nos dias a seguir às noites em que bebi um bocadinho mais, a palavra lógica e ideal é mesmo ressaca, uma grande e valente ressaca, não era bem o meu caso, mas acho que alguém estava agora a sofrer desse mal, acho mesmo, e ele que esperasse por o resto da pancada que havia de ver o que é mesmo bom para a tosse, essa é que é essa e o resto é mesmo conversa da treta, apesar de eu achar que a conversa ao sábado de manhã é sempre conversa da treta, ao sábado e ao domingo ao domingo só melhora um bocadinho porque, por isso mesmo.

Apeteceu-me


"Sempre que te apeteça algo, repira fundo para sentires se há algo dentro de ti." Charles de la Folie

12 comentários:

Lília disse...

Entre ressacas e pancadas eis que nos aparece um cruzado... um fogo cruzado!!! E que bem que ele aparece... Vamos lá a continuar!

O Micróbio disse...

E continuas a passear o guru... só porque te apetece? Ou será por necessidade? :-)

agua_quente disse...

Apeteceu-te e pronto! Mas toma lá cuidado com essas ressacas que, por esse andar ainda perdes o Guru! :)) Beijos

Kal disse...

N M FALEM DE RESSACAS!!!!! =P
lol, abraço, adorei =)

R disse...

OLÁ,vimfazer uma visita e deixar um beijinho :)

Å®t_Øf_£övë disse...

Continua a escrever assi.....só porque te apetece....que eu vou continuar a ler-te porque gosto muito.
Abraço.

Å®t_Øf_£övë disse...
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Å®t_Øf_£övë disse...
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Å®t_Øf_£övë disse...
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Vera Cymbron disse...

Esses teus fogos cruzados são cá uma coisa...
Jinhos

Carla disse...

Amigos fiéis, ressacas e café - que trio! :))) Sempre empolgante, a forma como escreves :) Beijos :)

Anónimo disse...

As caipirinhas a fazerem das suas?!
Que tal iniciares a tua crónica?!
Abraço cunhadão