sábado, março 12, 2005

(Mente)Campo

(Mente)Campo



(...) Ninguém me disse ao certo de quem era, de quem era aquele pedaço de terra onde os cavalos corriam em liberdade, crina ao vento esvoaçavam pasto a dentro, de uma forma livre e expontânea.
(...) era um dia quase perfeito aquele em que cheguei, à terra da minha avó, corria uma aragem agradável aquela aragem de fim de tarde, quase magnifica.
Claro que faltava ali algo, tinha de faltar sempre qualquer coisa, a minha vida sempre foi feita meia coxa, quando pensava que algo era perfeito, dava por falta de... algo.
Mas o importante é que estava ali, ...ali naquele magnifico sitio estava a procura de respostas, aquelas respostas, que só o tempo nos dá ou o nos faz esquecer, não sabia o que pensar.
(...) Naquele momento não queria pensar em nada, bastava-me olhar para aqueles fabulosos quadrúpedes, e deixar-me seguir por aqueles prados verdejantes a velocidades alucinantes, com voos picados, razias pelos malmequeres pelas vinagreiras, que durante anos a fio durante o verão, deliciava-me a apanha-las e a sugar-lhes a sua seiva tal qual um vampiro da pradaria.
(...) sentia-me triste na busca das minhas respostas, o que importava assim tanto para te encostarem uma espada a garganta, ou uma pistola aos miolos, meterem-te numa cela e deitarem fora a chave, não fazia ideia, retirei-me para este pequeno mundo, este mundo que tão boas recordações me trazia, dava-me paz de espirito na calma toda do mundo podia descobrir todas as repostas.
(...) Lembro-me naqueles prados, que hoje não sei de quem são, de passar horas deitado por ali a sentir os cheiros, aqueles aromas, aquelas fragrâncias, que só o campo nos dá, aqueles cavalos, que passeavam por ali, ficava horas a correr atrás deles, para os montar à garupa e sentir as crinas a roçarem-me pela face.
(...) Não acreditava no destino mas era supersticioso, muito supersticioso, e pensava que pergunta, matutava naquela pergunta, o que poderia ser, o que faria alguém pensar assim, mas o que importava era a resposta era engraçado como uma resposta podia ser tão importante e tu não tinhas a pergunta, não me saia nada, não me lembrava de mesmo nada, estava num completo vazio de ideias, um deserto de qualquer coisa.
(...) Foi num dia, parecido com este que aprendi a nadar naquele lago , ali, lá bem ao fundo onde os cavalos agora estão a beber água, lembro-me de saltar lá para dentro como tinha vindo ao mundo e depois de algumas horas, já o atravessava sozinho, de um lado ao outro sentia as eroses, as enguias a roçarem nas minhas pernas, o campo era isso, lá na cidade, as nossas duvidas eram outras.
(...) Não entendia mesmo as minhas duvidas, ou por outra não entendia as pessoas, muito menos as mulheres que me perguntavam e nunca me respondiam às minhas interrogações, não entendiam porque vacilava, porque eu vacilava nas respostas, mas a essas perguntas podia eu responder, mas não era isso que me perguntavam, não, queriam mais, queriam saber respostas que não tinham pergunta.
(...) Aquelas imagens que percorriam a minha visão, eram como um dia azul, muito azul, sem nuvens sem aragem, eram um enorme suspiro.
(...) Aquelas duvidas sem pergunta e sem resposta eram uma agonia constante numa ânsia desmedida que me fazia percorrer todos os cantos da minha imaginação.
(...) Dois mundos chocaram um no outro, abriu-se uma janela, e a fuga foi possível, sem perguntas e sem repostas, mas que importa, do outro lado a porta está fechada e sem chave.

Apeteceu-me

8 comentários:

maria disse...

bom dia Carlos
Nunca te disseram que a tua voz tem entoações muito semelhantes às do teu colega João Paulo Diniz?
Have a nice day e como sempre gostei muito do que escreveste
xi

maria disse...

bom dia Carlos
Nunca te disseram que a tua voz tem entoações muito semelhantes às do teu colega João Paulo Diniz?
Have a nice day e como sempre gostei muito do que escreveste
xi

maria disse...

o meu PC xalou de vez.... eu já xalei antes... isto pega-se

Livia disse...

Lindo texto...
Beijos

D disse...

lindo..amei, fez-me lembrar a terra dos meus avós.. que saudade
essa final esta delicioso ;)
bom fim de semana ***

Carlos Barros disse...

colega e amigo, mas não...nunca me disseram...

isa xana disse...

gostei da descrição.
gostei da escrita.
gostei do texto;)

**

Carla disse...

É a minha primeira vez aqui e adorei a gravação com que fui brindada logo à chegada :) A mim apetece-me dizer que gostei desses cavalos, que quero um alado só para mim, daqueles que passam por cima das portas e recuperam todas as chaves que nos trancaram cantinhos cá dentro :) Um beijo enorme :)