terça-feira, março 15, 2005

Vida Dupla

Vida (cruzadas)



(...) Protegia-se da sua inevitável morte, tinha vivido a sua vida como um senhor digno, digno de uma vida principesca, não por ser abastado mas pelos princípios que sempre regeu a sua vida.

(...) Controlava as emoções a cada dia que passava era um turbilhão de sentimentos intensos, uma vida recheada de casos, todos os dias procurava novas conquistas, novas descobertas, novas visões de prazer. Dizia-se que a vida era bela e nem essa lhe escapava.

(...) Lembrava-se dos primeiros, se não do primeiro bailarico a que foi, cadeiras a volta do salão, todas as mulheres sentadas, mães e filhas, umas com olhares desconfiados, outras com olhares famintos, penetrantes e traiçoeiros à procura de carne fresca e de novos horizontes.

(...) A Igreja servia-lhe de território para a sua própria caça, era um predador nato, fixava, sorria, olhava e sentia a sua presa a sucumbir aos seus encantos e charme.
Nem a Paz da igreja apagava o ardor das suas paixões nem o despedaçar das suas conquistas.

(...) Olhar envergonhado, juntava-se ao grupo de jovens que se encontravam no bar do convívio que organizava o baile de debutantes que ali ocorria de 6 em 6 meses, ele era um alvo apetecível, tinha tudo, e ele sabia-o, por isso tinha medo que o amor que procurava para a sua vida fosse um amor interesseiro ou por outra de interesse.

(...) Na igreja já conheciam os seus dotes de predador (elas) sabiam como operava, o seu modos operandos , como se costuma dizer por ai em tertúlias de direito.
E não estavam pelos ajustes , colocavam-se como peixe em montra ou na montra, numa qualquer peixaria, mas não se lembravam que saiam sempre embrulhadas em papel de jornal.

(...) Olhava discretamente para as cadeiras enquanto a Banda da Moda começava a tocar as modinhas mais conhecidas da altura, tentava perceber quem teria um olhar mais decidido ou mais sincero, aquelas que olhavam e ao mesmo tempo segredavam as mães ou às amiguinhas, pouco ou nada lhe merecia a atenção a não ser a atenção de lhes não dar nenhuma.

(...) O seu fetiche era fechar-se no confessionário depois da missa. Sabia que o padre saia a correr sempre para a mesma casa com o mesmo convite, para a mesma ementa da viuva mais bonita da terra, diziam que ele (padre) não era nada de se deitar fora.

(...)Aquela lá do fundo consegue disfarçar o seu nervosismo, a sua insegurança, pernas cruzadas, mãos entrelaçadas sobre o seu colo, firme mas trémula isto para quem a esteja a observar atentamente e se prenda na sua graciosidade, até agora nem um olhar, nem um pequeno olhar nem sequer de esguelha. Aquela parecia uma mulher decente sem interesses.

(...) No confessionário o prazer era intenso aquele cheiro a sexo misturado com a paramenta e com a cera das velas e mais uns incensos, tudo era sol de pouca dura, mas enquanto durava, era forte intenso, penetrante.
Os gemidos ecoavam entre os santos, santinhos, virgens, velas em agonia a definharem com as correntes de ar, um perfeito encanto para amantes furiosos.

(...) Naquele baile de debutantes a escolha estava feita, era ela, não havia recusa possível, aquele baile funcionava como uma montra para o futuro dos pais das noivas, porque essas eram escolhidas como se fossem um pedaço de qualquer coisa.

(...) Naquela igreja onde escolheu casar com a única mulher que lhe jurou fidelidade e onde amores de pouca dura aconteciam todos os domingos é também a igreja onde iria ficar pelo menos uma noite depois de morrer.

Apeteceu-me

9 comentários:

Carla disse...

Que bonito :) Gostei muito do final. Por mais caçadores e presas que haja, o certo é que todos procuramos (penso eu) a nossa princesa e o nosso príncipe. Quando isso acontece, todos os locais onde o amor se expande se tornam muito especiais. Também gostaria de voltar a um desses locais depois de morrer. Beijo grande :)

c(ri)arme disse...

gostei muito. mesmo muito.
um abraço

sonia disse...

muito bom, no meio lembrei-me do don juan del marco, mas o fim esta perfeito.

D disse...

gostei.
Esse fetiche maroto.. ;)

mj disse...

Será um principe ou um sapo?!?.. esse "alguém" que procuramos, tanto pode estar ao nosso lado, como ao virar duma esquina...e como saber que é essa a pessoa..basta um click, um olhar, um toque?!? humm..e esse décimo paragrafo, que pecado, e Ele a ver e a ouvir td rsrsrs
fica bem Charles
beijos até já

Laura Antunes disse...

Que delicia...Abraço Laura...

Kal disse...

Eh, eu ando desaparecido, mas k saudades k eu tinha disto! n sei pq, mas sinto k tenho ideias novas, provavelmente n tenho, mas n custa tentar... o maximo k pode acontecer e o Karma Police tb vir de caminho de casa do A e passar pela minha pa me prender tb. tenho pecado por pensamento, é grave? abraço =P

Kal disse...

Eh, eu ando desaparecido, mas k saudades k eu tinha disto! n sei pq, mas sinto k tenho ideias novas, provavelmente n tenho, mas n custa tentar... o maximo k pode acontecer e o Karma Police tb vir de caminho de casa do A e passar pela minha pa me prender tb. tenho pecado por pensamento, é grave? abraço =P

Cris disse...

Intenso e absorvente!
A tua escrita cresce em intensidade de post para post...
E esses comentários de voz...

Que bem me sabia agora um pêsse go sumarento e fresquinho!...

Beijinho