sábado, fevereiro 26, 2005

Ayers Rock




(...) Ao longe ouviam-se os “Didgeridoos” há quem diga que estes sons saem dos antigos espíritos Anangu, aborígenes que à muito defenderam o Ayers rock.
Esperava-se pela noite, Alice Spring já tinha ficado para trás, eram ainda 11 horas da manhã, o termómetro já marcava 51 graus.
51 graus isso mesmo, era um calor áspero, seco, indelevelmente infernal, só o respirar queimava os pulmões, mas a verdade é que ali perto estava uma das 7 maravilhas do mundo, estava-se a muito poucos quilómetros, de um pedaço de sonho, de uma viagem a pensamentos que ninguém quer esquecer.
Conseguir ver o por e o nascer do sol, naquele sitio era ... aliás, estar ali era por si só um momento único.
Aquela Milenar elevação monolítica de Uluru, também conhecida como Ayers Rock era simplesmente fantástica.
Uluru é a caminhada a volta daquela rocha, daquela imensa rocha, da maior rocha do mundo é verdade, o ayers rock , é só a maior rocha do mundo, não é um segredo, mas gostava de poder murmurar isso, de segredar para ninguém saber, para poder guardar aqueles momentos só para mim, momentos de rara beleza, de uma raro conforto espiritual.
Esta rocha, este calhau, sei lá como designar esta enorme “coisa” tem 3,6 quilómetros de comprimento e 348 metros de altura desde a base.
Um lugar sagrado, era mesmo uma visão do que mais sagrado existe na Austrália, pelo menos para os aborígenes das tribos Pitjantjatjara e Yankunytjatjara — vulgarmente conhecidos pelos Anangu.
Mas o corpo apertava, o nervosismo era cada vez maior, a vontade de vomitar ansiedade era muito grande, o coração tornava-se pequenino para aquela vontade enorme de desejar, amar, amar tudo o que se mexesse, o momento, amar aquele momento.
Aquele calor fazia a terra, aquela terra laranja, cheirar a muita coisa, cheiros quase indecifráveis, custava a respirar, custava a sentir os cheiros mas eram muitos.
Aquela humidade, agarrava a roupa ao corpo, o suor ficava peganhento com aquela poeira que fazia uma mescla de sebo, de uma crosta que se pegava pelo corpo, que colava tudo o que por ali se movimentava.
Mas o que era isso perante aquela beleza, que em nada era uniforme, era um momento de rara formosura sim, se pensarmos naquela forma como um corpo de uma mulher, como um desejo imenso e intenso de ver, sentir, sonhar, desejar, querer possuir, tudo o que se possa imaginar e sonhar, não era uma mulher, mas era um momento de rara beleza.
A noite começava a cair lentamente, a temperatura começava a ficar mais suportável, e o sol começava a pôr-se, a descer, a esconder-se, e começava o show de cores, de transformações, mutações, aquela rocha uluru, era poesia, os sons que rasgavam a noite, tocados pelos aborígines nos seus didgeridoos arrepiavam, no meio de todo aquele calor havia uma sensação de frio, mas ao mesmo tempo uma sensação de bem estar, um contrasenso, mas era um absurdo o misto de sensações ao ver aquele pedaço de sei lá o quê a mudar, laranja, vermelho, alaranjado, avermelhado, rosa, rosado, um sem numero de cores de muitas cores, uma paleta enorme de mistura de cores, vivas, bem vivas.
Os cheiros, o som, a vista, as emoções, de tudo o que se possa pensar, nada chega a ser tão estupidamente magnifico.
A noite cai, o Ayers Rock fica negro, as estrelas testemunham os silêncios, os muitos silêncios que se escutam, o ar torna-se mais leve, a fauna começa a viver sai da sua letargia do calor do dia, uma hibernação diária, que se quebra como um feitiço quando a noite chega, sente-se vida muita vida, essa vida que se movimenta, que encanta, que se sabe que lá está mas não se vê, mas que guarda, zela e vigia aquela Milenar elevação monolítica de Uluru.



apeteceu-me
(Apetecia-me voltar para là e esperar pelo meu fim)

15 comentários:

mj disse...

Bonito texto Charles, e bonitas imagens...já tinha visto fotos do Ayers Rock..e quem lá esteve, como o minha mana mais nova, que teve que percorrer cerca de 6 mil kms de Sidney até lá..diz que é realmente magnífico contemplar este monumento...senti mo nos pequeninos diante de tanta beleza...que é qq de espectacular, e que é enormeee, mas muito mm..para ela, o Uluru, como agora se designa o monumento, é o local "secreto" dos aborigenes..fica bem
beijos

Carlos Barros disse...

è mverdade MJ que é lindo, um momento de rara rarissima beleza, das poucas que tenho ne minha vida, mas as Montanhas azuis, Kakadoo, Bondi beatch, o Mar de corais, só comparaveis a terra del fuego, mas o por do sol nos confins de Kakadoo ai meu deus, nem me quero lembrar disso. curioso tenho fotos do mesmo dia do Jeff Bridgge lá comigo não sei onde param.

LUA DE LOBOS disse...

quero agradecer-te pelo texto mas sobretudo pelos sons pois nunca ouvi nada igual.
Parece-me que os ouviste em directo e no local, que foste envolvido nesse mundo mágico e que nunca irás esquecer.
eu também não vou esquecer os sons que têm estado a ser espalhados pelo meu atelier desde que acedi ao teu blog hoje de manhã.
o mais parecido foram as vibrações de taças tibetanas que já me inundaram uma vez.
também é indescritivel mas.... estes sons foram muito mais e vou começar a disparar ::)) - longos, loucos, vibrantes e vibratórios, bilhetes de viagem para várias outras dimensões...
MUITO OBRIGADA por os teres partilhado.
xi
maria

sonia disse...

ola grande carlos barros
mais uma vez senti-me transportada, vi e senti o teu post todo, gosto muito da cultura aborigena, acho que devia-mos ter aprendido muito mais com eles, alias ainda estamos a tempo. acho que tem muito para nos ensinar.
beijos

D disse...

quando vejo essas imagens pergunto-mme :"o que estou a fazer eu aqui ? "
bom incio de semana carlos ***

mj disse...

Charles, acredito que tenha sido um momento único na tua vida, teres testemunhado algo tão grandioso..qd encontrares as fotos mostra-me.
beijos

Carlos Barros disse...

Daniela,isso pergunto eu, o que ando aqui a fazer, eu ando a apreender com vocês, acreditem que é verdade, a força que me vão dando ajuda-me a encontrar motivação para ir escrevendo, ontem estive a rever textos de a 2 meses atrás deitei-os fora, estava ilegíveis, como estes um dia destes, por isso vocês estão aqui muito mem...amanhã prometo uma surpresa...
Mj acalma-te, as forots se as encontrar virão para aqui.

mj disse...

tá bem Charles, vou esperar..com calma..que nos mostres as fotos..

Kal disse...

tenho smp aquela sensaçao engraçada de k ja percorreste o mundo td e n m perguntes pq. como fizest no texto de veneza e agr de novo, foi como estar la =) abraço

Kal disse...

tenho smp aquela sensaçao engraçada de k ja percorreste o mundo td e n m perguntes pq. como fizest no texto de veneza e agr de novo, foi como estar la =) abraço

Kal disse...

tenho smp aquela sensaçao engraçada de k ja percorreste o mundo td e n m perguntes pq. como fizest no texto de veneza e agr de novo, foi como estar la =) abraço

Carlos Barros disse...

Kal, em veneza não mas aqui estive...

litle lucy disse...

por momentos esqueci quem eu era.. a tristeza que me prende o olhar ao nada..
por momentos.. sorri
obrigada:)

um beijo carinhoso Rose**

Kal disse...

dsc ter postado 3 x, o meu pc atrofiou. axo k n me exprimi bem, ao ler o teu texto eu fiquei com uma sensação mt real de estar eu mm a assistir em primeira mão a ess por do sol na grande rocha =) abraço

Micas disse...

Ainda não tive a sorte de lá ir :(
mas tenho amigos que ficaram fascinados, dizem que existe magia por lá...Beijos