domingo, fevereiro 06, 2005

Pancada X (dez)

(...) Eu as vezes fingia chorar, mas não era nada de especial, é aquelas coisas que nem nós acreditamos, remoemos, remoemos, mas nada, aliás eu chorar chorava, mas de ter o quarto assim desarrumado, mas podia-me gabar que era um desarrumado com estilo, tinha pinta o meu desarrumado, tinha encanto, fazia-me lembrar aquelas vedetas que iam ao cabeleireiro só para se despentearem, aliás lembro-me dos Aerosmiths o Steve Tyler, aquela mão cheia de homem, dizer qualquer coisa tipo « vocês não sabem quanto custa ter este mau aspecto », o dele coitado era a borla foi mesmo de nascença era um misto entre um carro estampado e um galo da índia.
O meu quarto era assim, tinha umas cores estravagantes, eram a chamada aberração contra natura, era uma amarelo cueca a roçar canário, com um verde frigideira com alfaces, os acessórios foram tonalidades extras que vieram dos meus próprios domínios criativos, processos que para um comum normal demorariam anos, muitos anos, grande maioria nunca descobriria e, se descobrissem batatas e, para mim apenas segundos, resta referir claro que ninguém, a não ser eu, a sobredotada da fava rica, é que podia fazer uma coisa daquelas, claro que tenho de dizer a verdade, ainda não o tinha feito e já estava arrependida, só faltava lá escrito em letras garrafais, aqui Jaz a minha virgindade, nunca o fiz por, por, por, nunca o fiz porque nem queria pensar na minha virgindade, pensar para quê já foi a tanto tempo, eu queria era pensar o que dizia aquela carta isso é que eu queria e também não me importava nada de saber o que se terá passado.
Sentia-me cansada com vontade de fingir comigo própria que estava a desfalecer, mas estava ali já algum tempo e só mesmo os olhos andavam e de que maneira até pareciam fora de orbita, pois deviam mesmo estar prestes a chegar a Marte, pois porque a vénus nem de camisa, andava mesmo traumatizada, mas agora até que comia uma chiclete, era mesmo o que me apetecia para tirar este hálito a noite, a noite e que noite de algumas doses ou shots de cavalo, mas siga a marinha.
Estava aqui a pensar quando fugi de casa, tinha para ai os meus 17 anitos, as coisas que uma pessoa faz quando não pensa, tudo porque roubei no supermercado do Sr Romão e fui apanhada, ele disse que ia contar a minha mãe, foi uma vergonha, eu que era considerada uma menina modelo, era uma óptima estudante, conseguia ajudar toda a gente, era muito simpática, sei lá aquelas coisas que as pessoas te dizem quando estás com os pais que só te apetece grunhir, e seres mal educada e dizeres para irem todos comer, qualquer coisa que os enfarte.
Ora então naquele dia como nos outros, eu não era cleptomaníaca, mas devia de andar lá perto, adorava roubar, roubar por roubar, era gamar, desviar dos donos, apossar-me do que não era meu, na pratica era meu desde que lhe metesse com a vista um papel invisível a dizer que era meu.
Ora nesse dia a coisa correu mal, não é que filei um chocolate daqueles enormes e prendi-o entre a minha saia e a blusa, perfeito mesmo não se notava nada, esqueci-me de um pequeno pormenor, um pequeníssimo pormenor, um insignificante pormenor, é que a blusa era uma daquelas blusas aos « fuinhos » que se usavam naquela época, estava a pagar a minha chiclete diária, e o bom do Sr Romão disse-me:

- Olá bom dia a quem é uma flor
- Bom dia Sr Romão como está, e a família, os meninos estão bons?
- Sim Palmirita, estão óptimos
- É para pagar a pastilha (disse eu)
- E a tablete também não é Palmirita? (insistia o Sr. Romão)
- A tablete? Está a brincar, não está? (dizia eu Irritada, mas a ficar aflita)
- Não, a Palmira a menina está a brincar comigo ? (dizia ele furioso)
- Claro que não estou (Dizia eu cada vez mais, claro)
- Então o que tem debaixo da camisola? ( deitava fumo)
- Nada claro que não tenho nada !! (aqui eu já à procura de um buraco)

Tentei levar a minha até ao fim esse foi o mal, quando olhei para baixo e vi aquele cenário, nem estava acreditar mudei de cores 29 vezes, ia-me dando uma coisinha má e depois, quando uma pessoa precisa de mais raciocínio rápido e estupidez natural, não, ficamos com raciocínio estúpido e estupidez rápida, se não é assim é parecido ou seja fui uma completa idiota.
Ele apercebeu-se da coisa e vai dai, começou aos gritos e ai a coisa ia dando mesmo para o torto, pensei o pior quando agarrei numa banana para o atacar, ainda a apontei a cabeça, mas depois arrependi-me podia dar prisão e ainda era muito nova, e vai dai deixei a tablete e fugi. (...)
Apeteceu-me

1 comentário:

Kal disse...

por acaso, conheço montes de gente que passou por essa fase de cleptomaniacos: eram chiclets, chocolates, sumos, eu sei la!!! ah, e as gomas, n eskecer das gomas!