sábado, janeiro 29, 2005

Pancada IX (nove)

(...) Era uma Pancada que para rapariga até que era saudável, isto tudo dependendo dos parâmetros de quem (te) vê é obvio que a minha avó não tem a mesma visão que,(até porque é miupe) olha pois que a minha Tia Luisa a mãe da Ana, claro que não a minha Avó é 50 ou mais anos avançada.
Eu penso, isto é eu deveria pensar, isto é nesta altura acho mesmo que a Ana no dia em que se soltar, vai ser lindo vai, tenho impressão que parece um toiro a sair dos curros, desencabrestada de todo, é cá uma impressão, só me faz espécie uma coisa a Ana terá sido inventada debaixo de um vão de escada?! Se para aquela família, um preservativo é uma dádiva de Satanás aos pecadores opu em dia é aos pescadores tla é quantidade de camisinhas que aparecem por ai a boiar, mas já nem o Santo Padre pensa assim, mas enfim o tiro vai lhes sair pela culatra, umh basta ver como me olham, e isto porque tenho 2 brincos na orelha imagino se eles, bom até a minha mãe, mas não quero pensar nisso agora, não quero mesmo.
Naquela altura estava a tentar fazer força para me levantar, mas o melhor que conseguia era que a cabeça se virasse ligeiramente na almofada, na minha melhor amiga, na minha confidente, na minha alma gémea, por acaso se nascesse, uma coisa gostava de ser almofada, nã, nãnã ainda tinha como dono um daqueles gajos sebosos que não se lavam que deitam óleo do cabelo que dá para fritar batatas, nã nã, isso é que não, ai, ai que me vomito só de pensar nisso que nojo.
Coisas positivas, rápido, rápido, ora deixa cá ver gelado de pistácio, ovos de tomatada, baba de camelo, doce da avó, está a melhorar, mas com a sede com que estou, não posso pensar muito em doces, ora pensar, que terá o raio da carta que a minha mãe tinha na mão?
Estou intrigadissima, aquela carta, Sr Vasco, se não fui traída pela minha bela vista, ali há gato, ai há, há.
Gato, gatão, não sei que raio de felino, mas que deve existir alguma coisa deve e a minha mãe sabe, e se não sabe devia de saber, afinal eu sou filha dela.
Eu sei que ela tem um desgosto enorme, por esta situação, não fui criada para ele, mas a amizade que os meus pais tinham e tem com os pais dele, mas lá estou eu a pensar naquele gabiru, não passa um minuto, que eu não pense nele isto é que é uma sina, nem o pai almoça nem a gente janta, e a vida continua, e eu sem saber nada da carta é mesmo uma desgraça, tenho de saber, eu quero saber preciso saber, pode ser daquela lambisgóia da doutora Monica, talvez não, mas agora estava num estado de ansiedade, que no meio daquela pancada toda, só me faltava ter um ataque de pânico, era mesmo o que me faltava, ainda dizem que o período é difícil ao pé do que estava a passar naquele momento era um caldinho, isto porque quando embicava numa coisa era terrível, ficava a moer a moer e acreditem que moída já eu estava, parecia que tinha andado 200 klms, a pé, com uma mochila cheia de pedras preciosas, mas não as podia tirar, nem tocar, nem ver, estava doente, e o raio da carta ainda me metia pior, para mim só havia uma solução, sucidar-me, atirar-me de bem alto, muito alto, um salto para o abismo, assim tipo atirar-me da cama abaixo era um tombo e pêras, 20 cm/s para a desgraça, se fosse uma Tia muito Bêm , podia partir sempre uma unha, e isso podia trazer graves consequências psicológicas, não sei bem a quê mas por exemplo a minha cabeleireira.
Coitada, coitada de mim, eu aqui assim e ninguém me salva, nem uma garrafinha milagrosa, nem um chá nada, nada mesmo, ai, ai, eu não sei bem o que se passa hoje, mas acho que tenho cabeleireira marcada, se tenho cabeleireira, devo ter alguma coisa especial, mas não consigo lembrar-me, e a minha mãe nunca mais sobe são quase 10 horas da matina e eu aqui sem saber de nada, não sei da carta, não sei o que vai acontecer hoje, não sei o porquê de achar que tenho cabeleireira marcada, deve ser um belo dia deve, um sábado com estas incertezas todas imagino como vai ser o domingo.
Fazia um esforço descomunal para ver o que se passava a minha volta, revirava os olhos pareciam que suavam de tanto esforço era uma transpiração monumental para a minha vista, mas ali ao redor, nada mesmo nada tirando aquelas coisas soltas, umas cuequitas ou duas ou três , um soutien ou dois ou três , um par de meias ou dois ou três, tanta coisa e eu era só uma.
Umas securas que davam para três, e a carta nada, nada mesmo, acho que vou chorar. (...)
Apeteceu-me

6 comentários:

Kal disse...

Tira-me uma duvida: a personagem e smp a mm ao longo da sua vida, ne? A rapariga e smp a Palmira? e que eu ainda n li tds os textos da pancada, estou a le-los agr e ha coisas que ainda n percebi na sua totalidade, mas gosto bastante de as ler, divirto-me imenso =) o meu momento favorito de tds as tuas pancadas e o dialogo de amigos em k se discute o Pto G e o clitoris. Absolutamente genial!

Kal disse...

e vdd, esqueci-me de perguntar: ja comprast post its amarelos? =P

A disse...

Bom é primeira vez k a Pancada me bate com tanta força!e kd dou por mim já vai na nona pancada...lol
adorei ler a Pancada, com tempo vou devorar as anteriores...

Fica bem!

Carlos Barros disse...

Ora é assim a pancada é o segundo capitulo, e a personagem da pancada é a palmira, o primeiro capitulo chama-se ressaca, e estou a pensar quando a pancada terminar, postar aqui os varios episodios da ressaca, enquanto ordenos a isdeias para o 3ª capitulo que pode ser...não sei ainda :P

Manoel Carlos disse...

Por acaso estou maravilhado a ler contos de Mia Couto (o fio da missanga) nalguns dos quais o eu lírico é feminino.
Aqui isto também ocorre.
Gostei muito dos seus textos.
Foi muito bom você ter chegado ao Agreste, pois me propiciou chegar até aqui.
Manoel Carlos

Carlos Barros disse...

Bom receber, tão ilustre personagem aqui no meu humilde espaço é para mim uma grande hora, as portas do Agreste já estão abertas de par em par.um grande abraço Manoel.

Kal já tenho uma remessa nova de post it...calma, calma